Restaurantes

A Regaleira: já reabriu o restaurante que inventou as francesinhas

O espaço está um bocadinho diferente, mas a famosa receita mantém-se a mesma desde 1952.
A francesinha voltou

Quando em 2018 A Regaleira se viu obrigada a fechar portas, guardou consigo um dos grandes segredos da cidade do Porto. Esta quinta-feira, 1 de julho, voltou a ser possível provar a original francesinha.

“Nunca houve um momento-chave em que nos lembrámos de reabrir, no momento em que fechámos sabíamos que íamos reabrir. Não sabíamos como, não sabíamos onde nem sabíamos quando, mas tínhamos esse desejo profundo de o fazer”, começa por contar à NiT um dos atuais donos, Francisco Passos.

Em conjunto com o irmão, Tiago Passos, resolveram reabrir o emblemático restaurante da cidade, que foi fundado em 1934 pelo avô, António Passos. Apesar de o espaço não ser o mesmo, fica na mesma rua, uns metros ao lado do original.

Por essa razão, quando os clientes antigos entram neste renovado espaço sentem falta de como era A Regaleira antigamente, mas nem tudo está diferente. A equipa de sala mantém os dois funcionários antigos, que têm já vários anos de casa. A decoração também tem muito de antigo, unindo fotografias e quadros nas paredes com diversos objetos do antigo espaço expostos em vitrines e até há um lambrim da década de 50 que pode ser apreciado na sala do andar inferior.

De novo, além do espaço físico em si, há todos os equipamentos, naturalmente. “Os equipamentos são novos mas o conceito e as pessoas são os antigos”, frisa Francisco, acrescentando que, obviamente, a receita da francesinha é a mesma servida desde que foi criada, em 1952.

Recuando um pouco, convém esclarecer os motivos que levaram a que a casa primitiva fosse fechada. Ao mesmo tempo, e mesmo com tudo o que foi dito, A Regaleira nunca deixou de estar nas mãos da família Passos.

“A especulação obrigou-nos a sair, pelos proprietários, que venderam o imóvel e nós ficámos sem sítio para laborar. A história foi essa. Por isso é que não é exatamente no mesmo sítio.”

A fachada característica

Ainda assim, e sempre com a vontade de devolver à cidade um dos seus ícones, nunca perderam a esperança de reabrir. Mesmo numa altura de pandemia em que muitos restaurantes fazem precisamente o percurso inverso.

“Foi um risco extremamente ponderado. Obviamente que é sempre um risco imprevisível. Achamos que o momento não é espetacularmente ideal, mas era o momento em que tínhamos oportunidade de abrir. Sabemos que isto não está fácil, está mau, há muita gente a fechar. Acho que foi um impulso de coragem da nossa parte e temos muito boas perspectivas para o futuro.”

No que toca à francesinha, esta original é um pouco diferente das versões que nos habituámos a ver. Não tem ovo nem batatas fritas, mas há outros detalhes que saltam à vista. Aqui o pão não é pão de forma, é um biju alargado com um formato específico e que continua a ser feito pelos mesmos fornecedores desde o início. Quem espera encontrar bife pode desistir porque a carne é perna de porco assada. Ah, e o molho, claro, é uma receita especial, deixada pelo próprio inventor desta iguaria.

Outra novidade que vai encontrar em exclusivo no restaurante A Regaleira é um cerveja artesanal criada de propósito para harmonizar com esta francesinha única e com o seu molho.

“Na verdade, o meu irmão sempre falou em criarmos uma cerveja para a francesinha, que era uma coisa engraçada. Surgiu a conversa com um nosso amigo cervejeiro, que se disponibilizou a criar cinco receitas. Fizemos um jantar com amigos e família em que as cinco receitas foram dadas a provar numa prova cega e por quase unanimidade esta cerveja foi a escolhida. Foi um sucesso hoje.”

De facto, o feedback dos clientes logo na abertura não podia ter sido mais favorável. Mesmo lamentando as diferenças no espaço, ficam os elogios para a francesinha e a certeza de que a cerveja será um sucesso. Até porque a primeira remessa esgotou logo no almoço de abertura.

Para quem ficou curioso sobre a história original da francesinha, podemos dizer em traços gerais que a receita foi inventada por Daniel David Silva. Este barman foi descoberto por António Passos numa das suas viagens pela Europa. O empresário simpatizou com ele e convidou-o para trabalhar ao balcão d’A Regaleira.

Conta-se que Daniel era um mulherengo e que para homenagear as mulheres francesas — que já usavam mini-saias e eram mais atrevidas do que as portuguesas —, criou uma sanduíche especial. A moda pegou, os clientes começaram a pedir-lhe aquele lanche ainda sem nome e só a meio da década de 50 é que o prato terá entrado em definitivo para o menu do restaurante.

“Criou um lanche que era servido com um molho que ele também tinha inventado de tal forma picante para homenagear de certa maneira a mulher francesa, que era uma mulher picante, mais atrevida, mais vistosa a nível de se vestir e se calhar até de estar. O melhor nome que lhe surgiu terá sido a francesinha”, explica Francisco Passos.

Quem for à Regaleira pode provar a francesinha original por 8,60€, mas também tem opções em pão de forma por 9,60€ ou, para os mais contemporâneos, a francesinha com bife em pão de forma por 10,50€. Em qualquer uma delas, pode acrescentar ovo estrelado e batatas fritas às rodelas por mais 1€. Para completar a refeição perfeita pode juntar ainda a cerveja Regaleira (2,50€).

Carregue na galeria para ver como está a nova A Regaleira.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua do Bonjardim, 83
    4000-124 Porto
  • HORÁRIO
  • De quinta-feira a segunda-feira das 12h às 15h e das 19h às 22h30
  • Terça-feira das 12h às 15h
  • Encerra à quarta-feira
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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