Restaurantes

O homem que devora os maiores hambúrgueres de Portugal em poucos minutos

Apesar dos milhares de calorias que come, Nuno Alvito é powerlifter, segue uma dieta rigorosa e está em melhor forma do que a maioria.

Até ao momento, este é o maior hambúrguer do País. Pesa 4,5 quilos e contabiliza bem mais de 10 mil calorias. Servido à mesa do Brutus Kitchen, em Cascais, Nuno Alvito está bem familiarizado com este tipo de desafios: quem comer tudo, não paga. E se bater o recorde, tanto melhor. Foi o que fez.

Em pouco mais de 40 minutos, devorou o hambúrguer gigante que tem, só em carne, mais de um quilo e meio de peso. Feitas as contas, o lisboeta de 25 anos comeu, em menos de uma hora, as mesmas calorias que a sua dieta rigorosa lhe permite comer em cerca de quatro dias. Dietas e desafios farta brutos, na mesma frase? Já explicamos tudo.

Nuno dá-se a conhecer pelo nome de Mutante e apesar de não ter mais de dois mil seguidores no Instagram, é uma cara bem conhecida de todos os restaurantes que ousam colocar na carta este tipo de desafios. Ele vai a todos — e raramente perde.

Esta febre dos desafios começou durante a pandemia, motivada pelos amigos que o desafiaram a não só enfrentar estes hambúrgueres monstruosos, mas a filmar e partilhar tudo online. É que Nuno já tinha a fama de ser o comilão de serviço.

“Quando me convidavam para jantar, já sabiam que tinha que ser um rodízio ou um buffet porque ‘o Nuno veio’ (risos)”, conta. “Eu era sempre o último a acabar e a sair da mesa. Comia bastante.”

O seu apetite era insaciável. “Uma vez, num rodízio de sushi, contei as peças. Comi 102 ou 103. Os empregados já fugiam da mesa. Faziam de conta que não viam quando eu preenchia o papel com mais pedidos.” Hoje, com os seus 80 quilos e 1,80 metros de altura, ninguém diria que Nuno devora hambúrgueres com mais de um quilo quase sem pestanejar. Não foi sempre assim.

“Cheguei a pesar 130 quilos na adolescência, tinha 16 ou 17 anos”, recorda. “Tinha peso a mais, apesar de jogar rugby. Tive mesmo que emagrecer porque entrei numa zona de risco.”

Sempre foi gordinho e, aos 16, já pesava 130 quilos

Apesar de os exames médicos estarem normais, o conselho dos especialistas passava por perder peso rapidamente. Recorreu ao nutricionista do clube onde treinava e no primeiro mês perdeu perto de 15 quilos. “Depois foi mais lentamente, até por causa da saúde, não convém que isso aconteça de forma muito rápida.”

Além do exercício físico, Nuno foi forçado a fazer uma mudança radical na alimentação, a “comer mais limpo”. Hoje, mantém o défice calórico com pouco mais de duas mil calorias por dia.

Quando não está no aeroporto de Lisboa, onde trabalha nas cargas e descargas, dedica-se ao powerlifting — desporto que começou a praticar em 2019 e no qual compete profissionalmente. Isso faz com que o seu feed no Instagram seja um campo de minas. De um lado, as imagens dos duros treinos e dos halteres pesados; do outro, quilos e quilos de calorias em fast food, hambúrgueres, donuts, cachorros. Para Nuno, nada disso é incompatível, desde que exista disciplina.

“É possível conjugar tudo, mas tenho que fazer uma dieta rigorosa. Não faço desafios todos os dias. Posso fazer uma vez por semana, ou uma vez de duas em duas semanas, dependendo do que comi durante a semana”, conta. “A dieta é fundamental para não correr o risco de engordar ou de ter problemas de saúde.

Para manter tudo controlado, Nuno faz análises ao sangue pelo menos duas vezes por ano. Quando os desafios se sucedem, antecipa as análises. Por enquanto, não há sinais de colesterol ou de diabetes.

Convencido pelos amigos, começou então a procurar restaurantes que lhe pudessem colocar monstruosidades calóricas em cima da mesa. Confessa que sempre teve um fascínio pelas competições americanas de comida, onde ganha quem comer mais em menos tempo, mas achava que era tudo mentira.

Perdeu peso e agora é um powerlifter

“Comecei a pesquisar, falei com um competidor brasileiro e percebi que era tudo verdade”, conta. Decidiu experimentar por si próprio, com algumas dicas dos profissionais.

Todos os desafios requerem uma preparação prévia. “Faço uma última refeição com bastantes vegetais e proteína, em grandes quantidades, 13 ou 14 horas antes do desafio, e depois entro em jejum. Isso ajuda a expandir o estômago”, conta. “Até ao desafio, só bebo líquidos, e paro uma a duas horas antes.”

O truque passa também por perder o menor tempo possível a mastigar. Depois? Depois é ter estômago para tanta comida. Enquanto come, de olhos postos no prato e com as duas mãos, vai dando pequenos goles numa garrafa de água. O objetivo é sempre o de terminar, mas mais do que isso, de bater os recordes existentes — que normalmente são os seus.

“Quando termina, tento não comer durante as 16 a 18 horas seguintes”, explica. “Também nunca tenho vontade (risos).”

Conta mais de dez desafios conquistados desde que começou este hobby e apenas falhou um. “Foi no Ribs and Company e tudo por causa do picante”, adverte. “Ninguém me avisou que era picante, só a meio da prova é que me disseram que podia ter retirado, mas então já não contava.”

O que deveria ter sido uma prova fácil — já comera vários hambúrgueres com mais de um quilo e meio em bem menos de 20 minutos — tornou-se num obstáculo, quando se viu obrigado a beber mais água do que o habitual, para atenuar o ardor. “Já só faltava a parte de baixo do pão”, lamenta.

Lamenta também que existam poucos restaurantes com desafios semelhantes. Ao contrário dos Estados Unidos, não existe qualquer competição profissional para devoradores insaciáveis, e Nuno acaba por ter que criar os seus próprios desafios.

Em casa, já fez cachorros gigantes, burritos e francesinhas. “Oficialmente, já participei em mais de dez desafios de restaurantes, mas não há muitos por cá e a maioria são de hambúrgueres.” Por conquistar estão ainda dois desafios. “Quero fazer a torre de double cheeseburgers do Guilty e soube que há uma francesinha de 3,5 quilos em Aveiro. São os que me faltam fazer.”

 
 
 
 
 
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