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O Marmorista: o espaço cool que mostra que há mais no Porto para lá da Baixa

É um restaurante. Também é um bar. E é um sítio para comer e beber a todas as horas.
É um espaço "cinematográfico", explica um dos donos

“Neste momento, muitas pessoas da cidade procuram alternativas à Baixa”, confessa Filipe Teixeira, um dos pioneiros da revolução recente no centro histórico do Porto. Foi ele quem ajudou a criar o Plano B, hoje firme como um dos bares marcantes da cidade, mas um projeto que fica agora para trás.

Deixou-o há cerca de dois meses e migrou para outra zona emblemática do Porto, mas longe do frenesim turístico, para apostar n’O Marmorista, um espaço que é uma espécie de espelho da sua própria vida — sua e dos seus três sócios, Nuno Leal, Diogo Oliveira e Ricardo Costa.

“Acho que fazer isto há uns anos seria um risco bastante grande”, explica sobre a aposta de criar um negócio afastado do ponto mais turístico e mais visitado da cidade. Inaugurado em dezembro, troca a pista de dança por um par de mesas confortáveis, sob a luz dos néons e de uma playlist criada com esmero — e que aos fins de semana fica nas mãos dos DJ convidados.

É um espaço que conjuga vários hábitos: o do copo ao fim da tarde depois do trabalho; o do prolongar do convívio entre pratos de jantar para partilhar; e da saída tranquila à noite, sem loucuras na pista mas entre dois dedos de conversa e uma garrafa de vinho.

“À medida que fomos ficando mais velhos, com filhos, sentimos que fazia mais sentido ter um sítio deste género”, explica Filipe Teixeira à NiT, que encontrou num antigo marmorista, a poucos metros da rotunda da Boavista, o local ideal para o montar. Entre bairros habitacionais e aglomerados de escritórios, os quatro sócios encontraram o local perfeito para um refúgio “perto de tudo”, mas “longe da confusão”.

Foi um processo que, entre problemas com obras e uma imprevista pandemia, demorou quase quatro anos a concluir. “Dizíamos entre nós que íamos ao marmorista, quando dizíamos que vínhamos até aqui. O nome surgiu de forma natural”, explica Filipe, que também fez questão de manter na decoração grande parte do espólio deixado para traz no local, entre moldes de estatuetas, bustos e várias peças de mármore.

O espaço amplo em open space, apesar de contornado por altas e compridas paredes cinzentas, é particularmente luminoso. E particularmente quente, apesar da palete de cores mais fria, moderna, industrial, entre vigas de ferro e uma cozinha contornada por um gradeamento dramático, iluminado por néons.

A vista do bar

“Procuramos criar um espaço relaxado e descontraído, mas que tivesse uma atmosfera especial, sem ser demasiado elitista”, explica. “Queríamos um espaço com muita luz, muitas plantas naturais. Uma decoração com uma mistura de peças que tínhamos nas nossas casas, mas que ao mesmo tempo fosse minimal e de certa forma arrojada.”

A entrada faz-se pela pequena esplanada, que em dias mais quentes se abre para o bar interior, assim que as barreiras criadas pelas portadas de ferro e vidro são deslocadas. Lá dentro, ao largo do balcão do bar, está o posto do DJ e cerca de duas dezenas de lugares, entre mesas bem espaçadas.

Ao redor da cozinha, que ocupa o espaço principal do antigo armazém, pontuam-se as mesas com tampos de mármore com capacidade para cerca de 90 lugares. É tudo arejado, iluminado quanto baste durante o dia e cuidadosamente cool quando a noite cai e os néons se iluminam ao som da música.

A carta, desenvolvida inicialmente pelos quatro sócios, ficou nas mãos do chef Luís Martins, que entretanto alargou o leque de escolhas com novas criações próprias. Dica: se quiser ter a possibilidade de descobrir alguns dos potenciais novos pratos da carta principal, pode e deve explorar os menus executivos.

“Já houve pelo menos dois pratos que testámos ao almoço, que correram lindamente e que agora fazem parte da ementa principal”, explica o outro sócio, Nuno Leal. O menu tem um custo de 15 euros e inclui sopa, pão e azeite, um prato principal, bebida (sumo do dia, água, vinho ou cerveja) e café.

“Acima de tudo, a carta tem muita influência mediterrânica e ibérica, com alguns toques de fusão e ingredientes asiáticos”, explica Filipe, que sublinha a vontade de oferecer pratos fáceis de partilhar.

A exemplificar o conceito está, por exemplo, a entrada de bife tártaro com molho de kimchi e togarashi (9€), mas também o ceviche de robalo, atum e camarão (11€). Nos principais, pode optar por um risotto de rabo de boi com picles de cenoura (18,5€), uma vegetariana cevadinha de shitake ( 13,5€), um clássico bife Wellington com batata rosti ( 24€) ou uma criativa carbonara de bacalhau (16€). Há ainda robalo grelhado com risotto de espargos (18€) e um arroz de lavagante e tamboril para duas pessoas (70€).

Por fim, as sobremesas: de uma criação inspirada nos tons da mármore, caso do prato de carvão vegetal, coco, iogurte e sésamo preto (8€), a uma combinação de framboesa, rosa e pimento vermelho (9€); há também outras escolhas criativas, do whisky, limão, chocolate e café (6€) a sudachi com merengue, arroz e edamame (7€).

Existe também uma carta de snacks já idealizada, perfeita para os intervalos de encerramento da cozinha, entre a tarde e o final da noite. Porém, os petiscos só devem chegar à mesa lá mais para a primavera — altura em que O Marmorista ganhará mais um espaço de esplanada.

Componente essencial é, claro, a música — elemento tantas vezes descurado e deixado ao acaso de uma playlist misturada em shuffle. “A música é muito importante para mim e para todos nós”, explica Filipe. “Sempre nos acompanhou e faz toda a diferença. Quando se tem uma música bem cuidada, com um prato bem confecionado e boas bebidas, consegue-se ter um equilíbrio muito importante.”

Carregue na galeria para ver mais imagens d’O Marmorista.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua da Meditação, 70
    4100-360 Porto
  • HORÁRIO
  • Segunda a quarta, das 12h às 00h; quinta a sábado até às 2h
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Mediterrânica

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