Restaurantes

O “melhor alentejano de Lisboa” serve mais de 50 gaspachos com jaquinzinhos ao almoço

Henrique Galito foi militar no Ultramar e trabalhou na banca. Quando chegou aos 40 anos decidiu seguir as pisadas do pai e do avô.
Só servem pratos alentejanos.

“Sai mais um gaspacho com jaquinzinhos.” Henrique Galito já perdeu a conta às vezes que repete esta frase durante o verão, no restaurante homónimo. Os pratos alentejanos são a especialidade da casa, que se tornou um dos pontos de referência “para quem gosta de comer bem” em Lisboa. Aos almoços servem mais de 50 sopas frias de tomate que acompanham com peixe frito, um dos pratos favoritos dos clientes.

Para contar a história do Galito é preciso fazer uma viagem até Évora. O negócio que lhe deu origem nasceu na Serra d’Ossa, no Redondo. O avô de Henrique decidiu abrir uma pequena tasca, onde os habitantes da aldeia gostavam de ir “beber vinho em copos muito pequeninos” e comer alguns petiscos. A taberna ganhou fama na região e tornou-se um ponto de paragem obrigatório. Contudo, em 1966, quando a geração seguinte ficou à frente do espaço, decidiu deixar o conceito da taberna de lado e transformá-lo num restaurante.

A infância de Henrique foi passada a ajudar como podia. Lavava copos, servia à mesa e, pelo meio, ia aprendendo algumas das receitas que a mãe e a avó replicavam vezes sem conta. “Só servíamos pratos típicos alentejanos, feitos à base de produtos da terra”, recorda. A rotina manteve-se até aos 20 anos, quando abandonou a aldeia para se mudar para Lisboa, onde estudou no Instituto Comercial.

Assim que terminou os estudos, em 1972, foi mobilizado para os batalhões de soldados, que foram combater para a Guiné, na Guerra do Ultramar. Ficou um par de anos, mas assim que se deu o 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal e começou a trabalhar no Banco Espírito Santo.

Durante 17 anos trabalhou na banca durante a semana, para ao fim de semana voltar a Évora para ajudar os pais no restaurante. Porém, “a ternura dos 40” trouxe-lhe o sonho de criar um negócio próprio. “Na altura abri um restaurante na Pontinha, o Barrote Atissado. Trouxe as receitas da minha mãe e era eu que cozinhava”, conta à NiT.

Volvidos quatro anos, acabou por vender o negócio a um funcionário da sua terra natal. “Abrimos o primeiro Galito, na altura, na Margem Sul, onde ficámos sete anos.” Regressou novamente a Lisboa, para abrir um novo espaço em que recebia apenas 20 clientes de uma vez. Rapidamente percebeu que era pequeno e as filas que se formavam à porta exigiam um local mais amplo. Encontrou o que procurava, mais tarde, na Quinta da Luz, em Carnide, onde está há 14 anos.

O Galito já teve muitas moradas em vários bairros lisboetas, mas em todos “servia os melhores pratos do Alentejo”. Atualmente com 74 anos, Henrique está mais longe dos tachos e das panelas. Delegou essa tarefa ao filho mais novo, Leonardo Galito, e a arte de servir ao mais velho, Daniel. Porém, não se consegue afastar muito do restaurante de que tanto se orgulha.

“Aqui só entram produtos alentejanos. Cá em Lisboa não encontro o que preciso com qualidade”, queixa-se. Por isso mantém os fornecedores há muitos anos, até porque fazer “uma açorda ou sopa de cação exige sempre o melhor”.

A cozinha de Henrique é sazonal. Todas as estações entram e saem pratos das sugestões, porque “só usamos produtos da época”, diz. Atualmente pode encontrar a Burra (14€), um prato típico feito com cachaço de porco assado no forno, sopa de ossos com feijão (16€), a popular sopa de cação (19€), açorda alentejana (18€) com coentros, bacalhau e ovo escalfado, sopa de tomate com garoupa (21€), ou a feita “com carne de alguidar” (18€). As famosas migas não podiam faltar — seja com entrecosto (18€), de espargo bravo com lombo (24€).

As sobremesas também são todas caseiras. “Temos todos os doces conventuais da nossa região e são feitos cá na casa, seguindo, mais uma vez, a receita da minha mãe”, explica Henrique Galito. Entre o fidalgo, a sericaia, ou a encharcada, o difícil será mesmo escolher.

Para acompanhar, há vinhos do Douro, Dão, Trás-Os-Montes, da Beira e, claro, do Alentejo. No final, pode pedir um “cheirinho” de aguardente ou whisky. Nesta tasca, só há mesmo uma garantia: “Além da boa cozinha temos um bom serviço e uma boa garrafeira. Isso é que faz a diferença”, conclui.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Adelaide Cabete 7
    1500-441 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a sábado das 12h30 às 15h e das 19h30 às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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