Restaurantes

O novo Flaneur muda de conceito ao longo do dia. De manhã tem brunch, à noite é um wine bar

"Quero boa qualidade a um preço justo. Este é um lugar para os lisboetas, mas também para qualquer pessoa que queira entrar”, diz o fundador.

“Quero que seja um lugar onde as pessoas não tenham de pensar em nada, apenas aproveitar o dia”. Foi com esta ideia em mente que o chef Romans Skorikovs criou o Flaneur, um novo restaurante em Lisboa que muda de identidade ao longo do dia. O espaço abriu esta sexta-feira, 17 de julho.

Entre as 10 e as 17 horas funciona com brunch e café de especialidade. A partir das 17 horas, transforma-se num wine bar descontraído, com vinhos portugueses servidos a copo e petiscos para partilhar. “Hoje toda a gente vive com demasiadas coisas na cabeça e muito stress. Quero que este seja um lugar seguro, onde os clientes se sintam confortáveis e possam simplesmente relaxar”, conta à NiT.

Aos 41 anos, o fundador deixou para trás a vida entre a Letónia e a Rússia para começar do zero em Portugal, há cerca de dois anos e meio. A decisão não foi tomada por impulso. Depois de analisar vários países, concluiu que Portugal reunia aquilo que procurava para a sua vida pessoal e profissional: segurança, estabilidade e uma cultura gastronómica consolidada.

O turismo também teve peso na escolha, mas sublinha que nunca quis criar um espaço pensado exclusivamente para quem está só de passagem pela cidade. “Precisava de um país onde me sentisse seguro e onde pudesse construir alguma coisa a longo prazo. Portugal pareceu-me o sítio certo. A cultura da comida aqui está num nível muito alto”, refere.

Antes de abrir o Flaneur, Skorikovs adquiriu uma antiga tasca lisboeta e transformou completamente o espaço, tornando-o numa pastelaria. O novo restaurante fica a poucos minutos a pé do outro projeto, uma proximidade que, admite, facilita a gestão diária.

Apesar disso, garante que ambos seguem caminhos totalmente distintos. O Flaneur nasceu para oferecer uma experiência mais descontraída, inspirada no próprio significado da palavra francesa que lhe dá nome: alguém que passeia sem pressas, observa a cidade e desfruta do momento. 

Essa dualidade reflete-se também na oferta gastronómica. Durante o dia, a carta aposta em pratos de brunch, café de especialidade e propostas pensadas ao detalhe. À noite, entram em cena os vinhos portugueses, disponíveis a copo, e uma seleção de tapas. O objetivo passa por contrariar a tendência dos preços elevados que, na sua opinião, se tem instalado na restauração lisboeta nos últimos anos.

Por isso, os copos de vinho custam entre 4,50€ e 8€, consoante a referência, e todas as semanas haverá um vinho diferente em destaque. “Não quero vender vinho caro. Nos últimos dois anos abriram muitos espaços novos em Lisboa e os preços subiram demasiado. Quero boa qualidade a um preço justo. Este é um lugar para os lisboetas, mas também para qualquer pessoa que queira entrar”, afirma.

A cozinha reflete o percurso profissional do chef, que trabalhou durante duas décadas em Londres, incluindo restaurantes distinguidos com estrelas Michelin e hotéis de cinco estrelas. Essa experiência traduziu-se numa carta curta, mas cuidadosamente pensada, onde cada prato procura destacar os ingredientes e os sabores. Entre as sugestões encontram-se uma tosta de massa mãe com sardinhas e tomate cherry (9,80€), sanduíches de bochechas de vaca com queijo (13€), polvo frito com aioli (13€), batatas fritas com trufa e parmesão (4,50€) e até cheesecake basco com cereja (6€).

“Prefiro ter um menu pequeno, mas em que todos os pratos sejam realmente saborosos e bem pensados. A minha experiência ensinou-me que não é preciso uma carta enorme para surpreender os clientes”, garante.

Mais do que criar um restaurante, Romans Skorikovs diz querer oferecer uma pausa no ritmo acelerado da cidade. A ambição não passa por seguir modas ou criar um espaço exclusivo, mas antes por construir um ambiente onde seja possível entrar sem pressas, beber um bom café de manhã ou um copo de vinho ao fim da tarde.

“O Flaneur é para aquela pessoa que tem um dia livre, passeia pela cidade, bebe um copo de vinho ou um café de qualidade e não sente pressão para ir embora. Quero que as pessoas saiam daqui mais leves do que entraram”, conclui.

Carregue na galeria para conhecer o espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Marquês Sá da Bandeira, 86B
    1050-067 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De quinta-feira a domingo das 10h às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€

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