Ao fim de quase 20 anos de casamento com uma brasileira, Ricardo Ferreira habituou-se a que os sabores do país dominem os aromas da cozinha. A comida tradicional do Brasil ganhou espaço na sua casa e, agora, também no restaurante que abriu em Odivelas, com a ajuda da mulher, Ivonilda Campos, conhecida por Váva.
Antes de conhecer a atual companheira, o cozinheiro português de 44 anos dedicava-se aos pratos tradicionais portugueses, paixão herdada da mãe, que teve um restaurante durante 35 anos. Quando o espaço da família fechou no final de 2023, Ricardo e Váva decidiram avançar com o seu próprio projeto. Abriram o BR101 há cerca de meio ano, num edifício que estava devoluto há três anos.
“Queremos mostrar a verdadeira essência do Brasil”, afirma Ricardo Ferreira à NiT. A proposta foge aos clássicos churrascos, picanhas ou rodízios. Aqui, apostam-se nos pratos de tacho, pensados para partilhar à mesa com amigos ou em família.
O nome é uma homenagem à Rodovia Governador Mário Covas, uma das mais extensas do Brasil, com cerca de cinco mil quilómetros e que cruza 12 estados. “Já percorremos várias estradas, mas esta marcou-nos de forma especial”, recorda o responsável.
Com base nas origens da mulher, a carta gira em torno da cozinha baiana e mineira. O chef trabalha com ingredientes tradicionais e recebe ajuda da sogra na cozinha, que o apoia na recuperação de receitas familiares ou regionais.
Entre as entradas, há bolinhas de queijo com molho de goiabada (6€), dadinhos de tapioca com geleia e pimenta (6€) e um pão de queijo “super cremoso” (2,80€).
Ver esta publicação no Instagram
A grande estrela do menu é o camarão na moranga (28€), servido dentro de uma abóbora moranga recheada com camarão, queijo e creme de leite. Segundo o proprietário, o BR101 é um dos poucos espaços em Portugal onde se pode provar esta especialidade.
Há ainda pratos como a feijoada à brasileira (12€) ou a costela com mandioca (11€), conhecida como Vaca Atolada. “É preparada lentamente para atingir o ponto perfeito de maciez. A costela bovina é cozida por horas com temperos caseiros, realçando o sabor da carne que se desmancha na boca”, explica.
Nas bebidas, destacam-se as Caipirinhas — especialmente a de maracujá (5€) e a de jambo da Amazónia (6€).
O espaço tem capacidade para 50 pessoas e está dividido entre o rés-do-chão e uma zona superior mais reservada. A decoração tem, naturalmente, forte inspiração tropical, com madeira, plantas e apontamentos que remetem para a diversidade natural do Brasil.
A escolha por Odivelas foi estratégica. “Comprámos casa nesta zona há dois anos e sempre trabalhámos em Lisboa”, conta Ricardo. O restaurante beneficia ainda de estacionamento gratuito, com um parque a apenas 50 metros.
Para terminar a refeição, há sobremesas como o pudim de leite condensado (3,90€) ou o tradicional quindim (3,90€). “Queremos que as pessoas nos descubram, mesmo que não vivam aqui perto. Quem prova, fica fã.”
Carregue na galeria para ver mais imagens do espaço.








