Restaurantes

No novo francês da capital come-se comida do mundo — em nome do avô André

No restaurante lisboeta tem o dedo de um jovem casal francês e abriu esta terça-feira, 23 de abril.
Tem o nome do avô.

Lisa e Loïc Guillotin nasceram e cresceram em França. Mas foi em Portugal que tiveram a visão do seu futuro, terra que escolheram para abrir o seu restaurante. Um desejo que surgiu após umas férias entre o Algarve e Lisboa. “Sem nada a perder”, o casal de 31 anos aterrou na capital em outubro e esta terça-feira, 23 de abril, inaugurou o André.

Loïc Guillotin sempre quis ser cozinheiro. Formou-se no Lycée Hôtelier em La Rochelle. Estagiou em várias cozinhas até chegar a um grande restaurante à beira-mar, onde se tornou chef. Lisa nunca pensou em entrar efetivamente neste mundo, pelo menos até casar. Engenheira comercial de formação, trabalhava na área das tecnologias de informação quando decidiu embarcar nesta aventura culinária.

“Já falávamos de emigrar há algum tempo e como adorámos Portugal, Lisboa foi sempre a primeira opção. O restaurante era um objetivo de Loïc, no início, mas rapidamente se tornou o meu também. Fiz uma formação de barmaid e agora sou eu que trato de todas as bebidas”, conta a francesa à NiT.

Outra coisa que estava bem definida ainda da chegada era o conceito de espaço. “Acabámos por decidir fazer uma espécie de fusão entre a cozinha portuguesa, a francesa e outros toques do mundo”, explicam. E porquê o nome André? “Porque é uma homenagem ao meu avô que sempre adorou levar a família a almoçar fora, a provar novas cozinhas e vinhos. Ele é o responsável por me ter colocado este bichinho”, refere Lisa.

Do projeto à realidade passaram-se apenas dois meses. Encontraram facilmente o local ideal, no Saldanha, que já tinham como referência como sendo “uma das melhores zonas da cidade”. “O espaço não estava preparado para um restaurante e como não havia assim tanto dinheiro para investir, fizemos nós as obras necessárias”, revela.

O restaurante tem apenas 17 lugares, porque a ideia é receber pequenos grupos que gostem de provar novos pratos e partilhá-los. “A comida é partilha. Tem a ver com estarmos num bom sítio, acompanhados, com pratos para partilhar, onde todos vivem a mesma experiência juntos.”

A ementa e os pratos estão “intrinsecamente ligados” à história e às origens de Loïc e Lisa e às viagens que fizeram. A começar nas entradas, a tosta mista francesa (15€) com queijo emmental, fiambre cozido e manteiga trufada.

Nos pratos principais, Lisa destaca o gravlax de dourada (21€), em que o peixe é servido marinado em gin, bagas de zimbro, pickles, romã e limão, numa clara referência aos países nórdicos. Da Ásia trouxeram o caldo thai que usam nos salmonetes grelhados (21€) servidos com legumes crocantes com gergelim. Os fãs de enchidos podem também pedir uma tábua com uma seleção de porco preto cortado à mão. Custa 22€.

Há ainda tataki de vaca (8€), que acompanha com puré de batata trufada e molho chimichurri ou rillettes de peixe (9€). Nos doces, há mais criações de fusão, de uma mousse de curcuma com crackers nori (8€), um Sabayon (um género de mousse italiana) feita com as frutas da época (8€). Para beber focaram-se apenas em dois países: França e Portugal. “Escolhemos os melhores vinhos das diferentes regiões”, referem.

O espaço, claro, foi totalmente renovado sob a inspiração de um tom típico do Mediterrâneo. “Quando nos juntamos para decidir o que faríamos, chegámos à conclusão que queríamos algo moderno, simples e muito luminoso”, explica. Foi tudo feito em casa: a escolha dos partos, dos talheres, das cadeiras, num ambiente informal, mas requintado, colorido e acolhedor.

Carregue na galeria para ver mais imagens do espaço e dos pratos.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Defensores de Chaves 34C
    1000-119 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Quarta e quinta-feira das 12h às 15h
  • Terça a sábado das 19h às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Fusão

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