O nome não podia estar mais ligado ao local. O Submerso abriu a 17 de julho, no Oceanário de Lisboa, e quer mostrar a gastronomia portuguesa a quem chega de vários pontos do mundo para visitar uma das principais atrações da cidade. A carta vai dos peixinhos da horta ao bacalhau à Brás, passando pelo pica-pau e pelo bife à portuguesa.
O projeto ocupa um espaço com história na zona oriental de Lisboa. Durante a Expo 98, funcionou ali o restaurante do pavilhão do Uruguai e, mais tarde, o Água e Sal. Estava encerrado há cerca de uma década quando surgiu a possibilidade de voltar a dar-lhe vida.
O Submerso é explorado por uma empresa do grupo SushiCafé, que já assegurava outras operações de restauração no Oceanário. A relação começou a ganhar dimensão em 2024, quando passou a tratar do catering associado às atividades educativas e às festas infantis.
“O Oceanário desafiou-nos a ficar com este espaço e começámos a desenvolver o projeto em conjunto. Fazia sentido voltar a ter aqui um restaurante tradicional, com serviço de mesa”, explica à NiT Gonçalo Salgado, de 54 anos, um dos sócios.
A escolha do conceito, porém, não foi imediata. Depois de várias conversas e de analisarem diferentes possibilidades, os responsáveis decidiram apostar nos petiscos e pratos portugueses, sobretudo porque uma grande parte de quem passa diariamente pelo Oceanário vem de fora do País.
“A ideia é proporcionar aos visitantes, que são maioritariamente estrangeiros, uma experiência gastronómica portuguesa. Mantemos os sabores e produtos que reconhecemos, mas apresentamo-los em doses e propostas mais contemporâneas, também pensadas para um público internacional”, conta.
Por isso, a carta é relativamente curta e construída em torno de receitas conhecidas. Para começar, pode pedir a sopa do dia (4€), o presunto de porco preto (9€), o chouriço de porco assado com broa de milho (6€), a seleção de queijos portugueses com doce de tomate (10€) ou a salada de polvo com pão rústico torrado (9,50€).
A secção pensada para partilhar concentra vários dos clássicos. Os peixinhos da horta custam 6€, os ovos verdes 4,50€ e as favas de coentrada 4,50€. Há ainda amêijoas à Bulhão Pato (23,50€), camarão à guilho (14,50€), tártaro de carne (13,50€), pica-pau de novilho (15€) e bacalhau à Brás (16€).

Uma das propostas mais originais são os ovos rotos (9,50€), preparados com batata crocante, alheira de Mirandela e farinheira. Os cogumelos selvagens salteados (8€) chegam à mesa com espuma de batata fumada e crocante de broa de milho.
“Fomos buscar vários pratos icónicos da cozinha portuguesa. Temos peixinhos da horta, bacalhau à Brás, pica-pau, sopa de peixe e bife à portuguesa, mas queremos que a carta continue a evoluir”, acrescenta Gonçalo.
Quem preferir uma refeição mais composta pode escolher entre as propostas do mar e da terra. O filete de robalo (18€) é servido com batata a murro e feijão-verde salteado, enquanto o arroz de polvo custa 16€. Na carne, encontra barriga de porco com puré de chalota, alcaparras e molho de pimenta (16€), plumas de porco preto com batata frita (15,50€), bitoque de novilho (16,50€) e bife à portuguesa (20€), acompanhado por presunto, ovo estrelado e batata frita.
Até o couvert mantém a lógica portuguesa: por 2,50€ por pessoa chegam à mesa pão, manteiga dourada, azeite virgem extra e azeitonas temperadas.
Para terminar, os doces também recuperam sabores familiares. Há pastel de nata (2€), arroz doce com canela e raspas de limão (5€), leite-creme (5€), bolo de bolacha (5,50€) e mousse de chocolate com azeite virgem extra e avelã (6€). Também pode pedir gelado artesanal Davvero, a partir de 3,80€.
O espaço aposta numa decoração contemporânea, com tons quentes, azulejos, madeira, grandes candeeiros suspensos e uma ampla frente envidraçada. A proximidade ao Tejo é precisamente um dos elementos que os responsáveis querem aproveitar numa segunda fase do projeto.
Por enquanto, o Submerso continua em soft opening, período que deverá prolongar-se até ao final de agosto. Os responsáveis estão também em conversações com a Junta de Freguesia para avançar com uma esplanada.
“Queremos chegar também às pessoas que trabalham e vivem nesta zona. Estamos a preparar um menu de almoço pensado para os colaboradores das empresas próximas e queremos começar a abrir às sextas-feiras e sábados à noite, com alguns eventos e animação”, revela o sócio.
A estratégia passa, portanto, por não depender apenas dos milhares de turistas que visitam o Oceanário. “Queremos conquistar o público local, os visitantes da cidade e quem trabalha ou vive aqui. O espaço está muito preparado para eventos e, com esta frente de rio, tem um potencial enorme.”
O Submerso abriu num momento em que o próprio Oceanário continua a renovar a experiência oferecida aos visitantes. O aquário mantém, além da exposição permanente, projetos como “Florestas Submersas by Takashi Amano” e a experiência imersiva “Universo Submerso”, integrada no percurso de visita.
Carregue na galeria para conhecer com mais detalhe o espaço e alguns dos pratos.








