Restaurantes

O “primeiro restaurante de sobremesas português” já abriu em Campo de Ourique

Depois de provar o gelado de cevada com bavaroise de alcaçuz e telha de cacau vai querer voltar à Raminhos Desserts na capital.
Há muito para provar.

Se acredita que, para ser boa, uma sobremesa precisa ter muito açúcar, é porque nunca provou uma das criações de Ana Raminhos (40 anos). Desde 3 de agosto, colmatar essa lacuna tornou-se mais fácil graças à abertura de Raminhos Desserts, um restaurante em Campo de Ourique que, ao contrário do habitual, não tem os pratos salgados como protagonistas.

Até chegar aqui, contudo, a responsável percorreu um longo percurso, que teve início numa área bastante diferente, embora igualmente criativa: o design gráfico. “Queria trabalhar com criatividade, não há dúvida. Mas rapidamente percebi que não estava a fazê-lo com a matéria certa e aventurei-me. Segui a minha intuição e fui experimentar o mundo da cozinha profissional, mas sempre na secção de pastelaria”, começa por contar à NiT.

Assim, após a licenciatura em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2007), à qual se seguiu um estágio numa empresa da capital e um trabalho numa agência em Évora, Ana começou a dedicar-se à pastelaria enquanto profissional. Em 2012, rumou a Barcelona, onde se especializou no curso da Espai Sucre.

Desde então, já passou por vários espaços e conceitos, alguns deles com estrelas Michelin, como o Ron Gastrobar, em Amesterdão. Já em Portugal, esteve quatro anos n’Os Gazeteiros, em Alfama, antes de começar a aventura a solo.

A aposta que antecedeu este “conceito inovador”, “o culminar de todas as experiências acumuladas ao longo da vida”, tinha casa na Micro Padaria, na Graça. “Em 2020, iniciei um projeto em que reinterpretava alguns ícones da pastelaria semi-industrial.” Na altura, eram mais bolos que saíam das mãos de Ana, mas agora, as estrelas são mesmo sobremesas no real sentido do termo.

“Normalmente, o que existe em Portugal ligado a esta área insere-se dentro da ideia de restaurante. Há uma lista grande de pratos salgados e uma mais pequena, normalmente até bastante reduzida, de pratos doces. Aqui acontece o inverso, com sete opções doces e quatro salgadas”, explica.

Para perceber este espaço, há, primeiro, que desmistificar o que se imagina, por norma, quando se pensa um prato doce. “As pessoas tendem a associar o ir comer uma sobremesa a uma overdose de açúcar, mas não é necessariamente verdade. No restaurante não se encontram opções em que se torna difícil comer mais do que uma colher pela grande quantidade deste ingrediente. Não damos primazia ao açúcar. São pratos doces, sobretudo quando comparados com os salgados, mas o que interessa é explorar outros sabores e outros ingredientes, das sementes às especiarias, e das ervas às frutas e legumes”.

O gelado de cevada com bavaroise de alcaçuz e telha de cacau (12€) é um bom exemplo desta ideia. Há, ainda assim, possibilidades mais gulosas, como a tarte de framboesa com creme de requeijão e sorvete de framboesa e hibisco (12€) e o bolo de chocolate negro 70 por cento com crumble de cacau e sorvete de pera (11€). Para se refrescar nos dias mais quentes, nada como o gelado de sésamo preto com morangos e consommé de morangos (12€) ou o de coco com sorvete de coentros e cocktail da casa, que leva vodka, maçã, coentros e amarguinha (10€).

Entre as propostas salgadas depara-se para já, com um prato de pão, queijo de cabra e azeite (8€), outro de queijos, com compota, fruta, pão de massa mãe, bolacha de especiarias e azeite (18€), uma salada de tomate, morango, mozarela e pickles de sementes de chia (14€), e uma mistura de courgette, manjericão, beldroega, pecorino e pistácio (14€).

Para uma “experiência sensorial completa”, Ana sugere o menu de degustação (45€ a 75€, com vinhos recomendados), composto por um prato salgado e três doces. “A composição pode ir variando mas, por norma, são pratos de transição entre sabores opostos. Nota-se, especialmente, a exploração do equilíbrio entre contrastes gustativos, texturas e formas, numa tentativa de apelar aos sentidos e às emoções”, conclui.

Escolha o que quiser, tem vinhos naturais (5€/copo a 50€/garrafa) e chás (3,5€) da Companhia Portugueza do Chá para acompanhar. Carregue na galeria para espreitar o espaço e as delícias que serve.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Pereira e Sousa, 53B.
    1350-236 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Quarta-feira a sábado das 17h às 22h30.
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Sobremesas

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