Restaurantes

O restaurante que senta Villas-Boas e Pinto da Costa na mesma mesa

O restaurante na Trofa funciona desde 1954. Entre as especialidades conta-se o leitão, servido apenas com 21 dias.
A estrela da companhia.

“Não há bacalhau como o da Julinha”, dizem os fiéis do prato que origina verdadeiras romarias até à Trofa, no Grande Porto. Entre os fiéis estão muitos nomes conhecidos, com André Villas-Boas e Pinto da Costa à cabeça. Mas se os dois têm concordado com pouca coisa por estes dias de luta eleitoral, numa coisa tenderão a estar alinhados: a Julinha é sempre um bom poiso para forrar o estômago.

O bacalhau está no topo dos pedidos, feito à moda minhota, que se desfaz em lascas consistentes e grossas. A inspiração nasce no famoso Bacalhau à Narcisa de Braga. “A posta é envolvida com azeite, a baixa temperatura e o mesmo acontece com o molho de cebolada que serve de cama ao peixe”, conta à NiT Miguel Campos, responsável pela comunicação do espaço. O resto pode atribuir-se à própria qualidade do bacalhau, oriundo das Ilhas Faroé e que pesa entre 10 a 15 quilos. Uma dose para duas pessoas custa 45€.

Este peixe é a “cara da casa” desde o 1954, quando o Julinha não passava de uma mercearia que vendia vinho e bacalhau. Fundado pela senhora com o mesmo, tornou-se no negócio de sustento da família. Com o passar dos anos e o gabarito das postas pesadas e suculentas, começaram a cozinhá-las e a servi-las. Daí a tornar-se um destino para os apreciadores “foi um tirinho”. A morte de Julinha, em dezembro de 2014, fez com que o legado fosse entregue ao filho, Fernando Sá, de 63 anos, e à mulher Elisabete Cerqueira, que comanda a cozinha e mantém o prato estrela “tal e qual a receita original”.

Há até muitas caras conhecidas que o têm na lista de espaços favoritos. André Villas-Boas, Pinto da Costa, Nuno Santos (jogador do Sporting Clube de Portugal) são apenas alguns nomes. E fora do mundo da bola também os há. O ex-primeiros-ministros Pedro Passos Coelho e António Costa são outras personalidades que já lá foram provar o prato. Mas este facto não deslumbra os proprietários.

André Villas-Boas gosta de ir ao Julinha para comer o bacalhau ou o leitão.

“A porta está sempre aberta. Todas as semanas somos surpreendidos com pessoas novas que vêm do passa a palavra de amigos e conhecidos. Sejam famosos ou não, não nos importa. Atendemos todos de forma igual”, garante.

O outro chamariz

De há uns anos para cá, há outra especialidade que passou a competir com o bacalhau: o leitão que se parte com um prato. “Fomos muitas vezes a Segóvia e ao Botim, em Madrid e ficávamos impressionados com a forma como conseguiam partir os pequenos porcos tão facilmente. Quando o provámos pela primeira vez ficámos encantados e percebemos que tínhamos de recriar a ideia cá”, explica.

Começaram por fazê-lo para apenas alguns clientes que lhes pediam e há um ano que o colocaram definitivamente na ementa. Falando em pequenos leitões — e agora vamos contar algo que pode chocar muitos —, o prato famoso da casa é composto por um porquinho abatido com menos de três semanas, antes do desmame. Esta técnica é utilizada para aproveitar a maciez da carne ainda jovem. “Têm de ter entre 2,5 e 3,5 quilos, no máximo e ser sempre fresco”, revela.

É depois assado aberto e quando pronto é partido na mesa com o prato, “para mostrar que é realmente tenrinho”. Todos estes detalhes fazem uma clara diferença, mas há mais: o tempero. “É completamente diferente, só leva sal e um bocadinho de banha, não leva pimenta.” Mas para quem gosta da especiaria há um molho especialmente carregado para acompanhar.

O único problema é que tem de encomendar com antecedência para que a equipa possa fazer a reserva no fornecedor. “Temos de garantir que é sempre fresco. Esta carne até se estragava se fosse ao congelador”, sublinha. O leitão é sempre servido inteiro, independentemente do número de pessoas. Custa 155€, já com as guarnições.

Quem não gosta de bacalhau ou leitão, tem várias alternativas que a cozinheira, Elisabete Cerqueira, aprendeu com a sogra, a Julinha. A Vitelinha (25€) ou arroz de forno com carnes são algumas das propostas, que se juntam aos secretos de porco preto com risotto de cogumelos e maçã caramelizada (29€) e ao polvo com gambas (33€)

Esta é uma casa para ir comer com tempo. Há mais de 14 entradas feitas no momento: pataniscas (7,50€), alheiras (8,50€), ovos rotos (14€), cogumelos salteados (9€), puntillas (14€), revueltos (9€), entre outros. Para acabar a refeição deixam ainda a sugestão dos pães de ló feitos por Miguel Campos, o pudim abade de Priscos, mousse de queijo e doce de figo, ou algo mais criativo como um sorvete de tangerina com recheio de mousse de laranja.

E se também reparou que há uma certa influência espanhola nesta cozinha, ela tem uma explicação: Fernando Sá, o atual proprietário e filho de Julinha, estudou na Escola de Hotelaria da Galiza, em Santiago de Compostela, de onde trouxe muitas inspirações.

Carregue na galeria para conhecer o pequeno restaurante que se tornou um dos favoritos de futebolistas, treinadores, presidentes de clubes de futebol e figuras políticas.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Dr. Avelino Moreira Padrão 1771
    4785-605 Trofa
  • HORÁRIO
  • terça a quinta-feira das 12h às 15h30 e das 19h às 22h30
  • sexta-feira e sábado das 12h às 15h30 e das 19h às 23h30
  • domingo das 12h às 15h30
PREÇO MÉDIO
Entre 30€ e 50€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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