226 quilómetros separam Vila Nova de Gaia a Almendra. Todos percorridos pela Nacional 222, que foi, mais uma vez, distinguida como uma das mais bonitas para se conduzir do mundo. A beleza interrupta dos socalcos durienses servem de pano de fundo para uma viagem certamente maravilhosa, o problema é quando a fome aperta.
A beleza do caminho faz com que seja possível visitá-lo em qualquer estação do ano. Por isso, ao planear a viagem tem apenas de ter em conta onde deve parar. A nossa sugestão é que assinale no mapa São João da Pesqueira, mais propriamente a localização do pequeno restaurante a Adega d’Ana.
A pequena taberna faz parte dos roteiros de motards e outros motoristas que conhecem bem a zona, e que a descrevem como “boa e barata”. No entanto, são os espanhóis que se têm deslocado em grupos para provar o bacalhau à Brás, o cabrito assado e a posta de novilho, tudo cozinhado por Eva Veloso.
Sílvia, a filha da cozinheira e encarregada pelas sobremesas, de 45 anos, admite que “os nossos vizinhos” são clientes “gulosos”. “Assim que chegam espreitam logo as sobremesas para decidirem como vão terminar a refeição”.
Da discoteca à cozinha típica
Eva Veloso e a família gerem o espaço há mais de 20 anos. Mas o início foi conturbado. O agora restaurante começou, nos anos 70 como uma pequena discoteca, onde eram servidos petiscos e copos de vinho. O nome Adega D’Ana já vem desde essa altura e foi dado como homenagem à filha do proprietário da altura, Pedro Pêgo.
O negócio não corria bem e em 2003 o senhorio decidiu colocar o espaço à disposição. No mesmo ano, Eva Veloso ficou desempregada e procurou então um local onde pudesse mostrar a mestria que sempre teve na cozinha. Acabou, com a apoio da filha que decidiu abandonar a licenciatura, por ficar com a Adega D’Ana. Mas os primeiros tempos, como recorda Sílvia Veloso, não foram fáceis.
“Na altura não havia muitos clientes. Começámos com o conceito anterior do espaço, com alguns petiscos e as pessoas não sabiam que também fazíamos pratos tradicionais. Quando começámos a divulgar, tudo mudou”, adianta.
Os dotes para a cozinha de Eva, ajudados pelo poder do passa a palavra transformaram o negócio de família. 23 anos depois, continua a ser local de paragem obrigatória para quem gosta de passear pela zona do Douro e deliciar-se com comida típica.
Nicolau Bryener era um desses clientes. Gostava de almoçar e ainda levava amigos, que se tornavam também clientes, como foi o caso de Judite Sousa. Sílvia recorda-se que o ator pedia sempre pão caseiro com azeitonas e arroz de feijão com petinga, ou carapaus fritos. Já a jornalista gostava de bacalhau cozido com todos.
Atualmente os 60 lugares são preenchidos sobretudo por estrangeiros. Os espanhóis atravessam a fronteira em passeio, com destino ao bacalhau à Brás de Eva e das sobremesas de Sílvia. Já os ingleses e alemães ficam-se pelos pratos mais conhecidos da casa, como o cabrito assado no forno (22.50€), a posta de novilho (23€), os rojões à casa (14€) e o bacalhau com cebolada (18.50€).
Durante a semana a história é outra. São os portugueses que ocupam a casa rústica, com detalhes alusivos ao Douro nas paredes e vão sobretudo pelos pratos do dia. Normalmente há jardineira de carne, arroz de feijão com pataniscas e outras opções — todas a menos de 10€. Caso queiram bolo de bolacha, pudim caseiro, arroz doce, ou leite creme feito a hora, acresce 2€ no final.
Carregue na galeria para conhecer o espaço e os pratos.








