Restaurantes

A Papa John’s continua a servir pizzas na Rússia — e não pensa encerrar

Christopher Wynne é o responsável por manter a marca a funcionar. É dono dos 190 espaços no país que vão continuar abertos.

Nos primeiros dias da invasão russa à Ucrânia, o boicote de grandes marcas multinacionais à Rússia aconteceu quase de imediato. Deixaram de operar no país, por exemplo, a McDonald’s e a Starbucks. Também a Papa John’s disse que ia fechar os espaços, mas Christopher Wynne, o responsável pela franquia no território russo, manteve as várias pizzarias a funcionar.

“A melhor coisa que posso fazer é mostrar compaixão pelas pessoas, pelos funcionários, franqueados e clientes, sem os julgar nem penalizar por causa dos políticos que estão no poder”, explicou Wynne ao “The New York Times”.

Nasceu no Colorado, nos Estados Unidos, e desde 2000 que vive metade do ano na Rússia. Conseguiu entrar no negócio das pizzarias através da cadeia Papa John’s e acabou por criar uma empresa, a PJ Western, que detém 190 restaurantes da marca, de Moscovo à Sibéria.

“A grande maioria do povo russo é lúcida e entende a gravidade da situação em que se encontra. Ainda assim, no final das contas, apreciam uma boa pizza.” Este ano, Wynne contava abrir entre 20 a 40 espaços no país. Com a crise económica que prevê que chegue em breve ao país já percebeu que esses planos vão ter de esperar.

Na PJ Western, Wynne conta com sócios e investidores russos. É o caso de Alex Ovechkin, jogador de hóquei que apoia Putin ou a Baring Vostok, uma empresa de capital privado. Também conta com a finlandesa CapMan, igualmente de capital privado.

O contrato que Christopher Wynne firmou com a Papa John’s deu-lhe total controlo dos restaurantes que foram abertos ao longo dos últimos 20 anos. A continuidade das operações no país levou a que a marca cortasse relações com Wynne.

“Deixaram de me fornecer suporte operacional, de marketing ou comercial no mercado russo. O que me interessa são os meus funcionários e franqueados, mas também quero manter abertas as linhas de intercâmbio cultural com o povo russo.”

Na altura da anexação da Crimeia, em 2014, a marca já tinha sofrido com algumas das sanções que foram impostas pelos Estados Unidos. A PJ Western financiou a construção de instalações para a produção de massa. Nesse ano em passou a trabalhar com mais fornecedores e produtores russos de mozzarella e tomates — ingredientes que deixou de importar, o que lhe permite manter as lojas abertas sem faltas de stock.

Apesar de contrária à que está a ser adotada por outras marcas, acredita na decisão que tomou. “A situação atual irá aumentará os desafios que enfrentamos, mas acredito que o que estamos a fazer é acertado.”

A McDonald’s optou por fazer fazer o oposto e fechou temporariamente os mais de 800 restaurantes na Rússia. Ainda assim, a marca compromete-se a pagar o salário aos 60 mil funcionários durante este período de incerteza.

A guerra obrigou também ao encerramento dos 108 restaurantes que a marca geria na Ucrânia — os funcionários continuam também a receber o seu salário. “A situação é extraordinariamente desafiante para uma marca global e existem muitas coisas a considerar”, explicou a McDonald’s em comunicado sobre a decisão, aqui citado pela “Associated Press”.

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