Há um prato tipicamente napolitano que, à primeira vista, parece simples: camadas de beringela frita, mergulhadas em molho de tomate caseiro, mozzarella, manjericão e um toque de scamorza fumada. Mas quando chega à mesa, quente, a derreter no prato, percebe-se que há ali muito mais do que técnica. Há memória, saudade e um certo (e indisfarçável) excesso mediterrânico.
É essa parmigiana di melanzane (10€) que ajuda a perceber tudo o que se passa no Partenope, o novo restaurante lisboeta que abriu a 17 de setembro com a missão clara de trazer para Lisboa a cozinha napolitana tal e qual ela é servida em casa, fiel, sem atalhos e sem as adaptações turísticas a que estamos habituados.
Era assim na casa de Sérgio Botta, de 32 anos, napolitano de gema, que se aventurou neste negócio com Ivana Mendes, franco-portuguesa de 30 anos. Companheiros há uma década, são sócios nesta casa saída de um bairro de Nápoles.
Sérgio cresceu numa família de restauradores e formou-se com dupla especialização como chef e no serviço de sala. Começou a cozinhar, mas rapidamente se apaixonou pelo contacto com as pessoas. Foi isso que levou para França, onde conheceu Ivana, nas salas dos restaurantes. Trabalharam juntos, apaixonaram-se e acabaram por se mudar para Londres, onde passaram oito anos. Depois veio Lisboa.
Durante três anos, trabalharam no Grenache e ajudaram a equipa a conquistar a primeira estrela Michelin na mais recente edição do guia. E quando a estrela chegou, perceberam que estava na hora de arriscar: “Foi o momento que deu a confirmação de que tínhamos de abrir o nosso restaurante”, explica Ivana. Um que fosse só deles, fiel às raízes de Sérgio e ao que sempre sonharam fazer.
Daí nasce o conceito do Partenope, nome inspirado na figura mitológica que deu origem à cidade de Nápoles, e que aqui se traduz numa carta exclusivamente dedicada à cozinha da região da Campânia. “Não fazemos nada que não faz parte da cultura napolitana ou da cozinha napolitana”, garantem. Isso significa que não há espaço na carta para clássicos como tiramisù, lasanha ou carbonara.
Em vez disso, há pratos como o ziti al ragù di costine (14€) – massa ziti com molho de costelinhas lentamente cozinhado – ou o polpetto alla luciana (15€), um clássico napolitano de polvo em molho de tomate picante com azeite e alcaparras.
A carta é propositadamente curta. Haverá tempo e outras estações para variar os pratos, à semelhança da tradição napolitana. As entradas começam com a melanzane arrostite (4€), beringelas assadas e marinadas, mas há ainda os taralli (3,5€), pequenos crackers salgados, e o pane (4€), pão caseiro acabado de fazer.
Nos pratos principais, há também a pasta mista fagioli e cozze (10€), uma mistura de massa com feijão e mexilhões ou os tubetti patate e provola (10€), com massa, batata e queijo fumado. Outro favorito é o braciola e polpetta al sugo (15€), carne enrolada e almôndegas mergulhadas num molho do ragú.
Quem preferir confiar no percurso pensado pelos donos, pode optar pela sugestão do cuoco (45€), o menu de degustação que inclui aperitivo, seleção de entradas, dois pratos, à italiana, uma sobremesa à escolha, sendo que tudo pode ser acompanhado com harmonização de bebidas (35€) escolhidas a dedo.
As sobremesas seguem a mesma lógica de respeito pela tradição. Há apenas duas opções, a pastiera di grano (6€), uma tarte de trigo com ricotta, frutos confitados, flor de laranjeira e massa quebrada; e a torta caprese (6€), feita com chocolate negro, amêndoas e avelãs.
A carta de vinhos, selecionada e curada ao longo de vários anos pelo casal, inclui rótulos de Itália, França e Portugal, um reflexo das origens e vivências de ambos. O mesmo cuidado está nas bebidas de fim de refeição entre limoncellos e infusões.
E depois, claro, há o espaço, pequeno, intimista, com cozinha aberta onde o cliente vê o que se passa, sem filtros. “Acho que é muito simpático de ver o chefe a cozinhar e também ter um pouco a oportunidade de ver e falar com os clientes”, nota Ivana, que juntamente com Sérgio, compõe a equipa completa do restaurante. Ali, fazem tudo: cozinham, servem, explicam os pratos, recomendam vinhos. “Somos pessoas da sala, nunca trabalhámos em cozinha (…) mas agora que temos o nosso restaurante, estamos a trabalhar em cozinha também.”
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