Restaurantes

Quer ganhar 250€? Tente comer esta francesinha de 5,5 quilos em 37 minutos

O desafio é de um restaurante português em Madrid. Carlos Cruz, o proprietário, é o responsável pelo molho.
A francesinha pesa mais de cinco quilos.

Três bifes de novilho, três linguiças, três salsichas frescas, seis fatias de pão, três ovos, uma série de fatias de queijo, fiambre e chouriço. Estes são apenas alguns dos ingredientes que dão forma à maior francesinha servida a todos os corajosos que queira ir até Madrid, ao Gastrobar Lusitano, tentar ganhar 250€.

A especialidade, em que o molho é servido à parte, pesa 5,50 quilos e custa 90€. Se a comer em 37 minutos com a ajuda de um amigo ou familiar, sem ajudas ou pausas para ir à casa de banho, não paga nada, diz Carlos Cruz, o autor do desafio. Na verdade, quem conseguir fazê-lo recebe 250€.

A criação, embora seja o chamariz de um restaurante em Madrid é de um português. Natural de Bragança, tinha apenas 16 anos quando foi à procura de trabalho na capital espanhola. Carlos Cruz tem agora 48 e acabou por fazer sucesso no ramo da restauração. O Gastrobar é o segundo espaço que tem na cidade e tem feito sucesso pelos petiscos e pratos portugueses.

“Quando vim para cá trazia este sonho de um dia criar uma casa de francesinhas. Tinha aprendido o molho no restaurante Pica Pau em Famalicão, onde comecei a trabalhar com 11 anos”, conta à NiT. Em março de 2023 conseguiu concretizá-lo com a abertura do Gastrobar Lusitano. O prato com origem portuense acabou por ser um sucesso e atualmente vende mais de 300 sanduíches do género no espaço.

Tudo a postos para o desafio.

Mas Carlos Cruz queria mais. Atento ao fenómeno das redes sociais percebeu que tinha de colocar o restaurante “no radar”. “Fartei-me de pensar em como aumentar as visualizações e percebi que tinha de ir pelo insólito”, responde num português já misturado com o espanhol, no meio da azáfama diária em que está a tirar dúvidas aos colaboradores e a servir clientes.

Lembrou-se do desafio que há muitos anos sabia que se fazia no Verso em Pedra, no Porto, há muitos anos. “Eles tinham a maior francesinha, com cinco quilos, eu decidi fazer maior e criei uma com cinco quilos e meia e regada com o molho que eu faço aqui no restaurante”, conta.

Só que não se ficou por aqui. Continuando no ramo das doses astronómicas e inusitadas, decidiu criar “o primeiro buffet de francesinhas”. Por 19€ os clientes podem comer não uma, mas três francesinhas diferentes. Uma é feita com frango frito, outra com bife de frango e a outra, de forma mais tradicional, com bife de novilho. “Até hoje ainda ninguém conseguiu terminar as três”, revela o trasmontano. Mas isso também não lhe faz diferente, porque o prato é mais uma estratégia de marketing. “É uma forma de dar a conhecer os três sabores disponíveis e de mostrar aos espanhóis esta iguaria tão portuguesa”, explica.

Agora já está a pensar num novo desafio, para apimentar o jogo. “No final do verão vou fazer uma ainda maior. Se correr bem pode chegar ao triplo do peso”, revela. Mas enquanto esse momento não chega, continua a fazer as chamadas “doses normais” deste prato e que tem sido um sucesso.

O segredo, como já é comum nas casas onde se replicam esta iguaria, está no molho. Carlos Cruz demora um dia inteiro a fazê-lo. “É uma jornada de trabalho. Normalmente começo a prepará-lo pelas 8h30 da manhã, depois deixo os ingredientes a cozer durante sete horas e vou temperando. No dia seguinte trituro tudo e o molho está pronto para ser servido”, conta.

Caso passe por lá na próxima viagem a Madrid, não se deixe enganar: o molho não é tal e qual o português. Carlos decidiu adaptá-lo ao paladar espanhol e carregou no uso do tomate. De resto é igual ao dos restaurantes, leia-se “com cerveja, vinho e picante”.

Quem não é fã deste prato pode sempre pedir bifana ou pica-pau. Ao Algarve foi buscar a inspiração para os arrozes de marisco e para as cataplanas, também de marisco, que serve diariamente no restaurante.

Independentemente da escolha, para acompanhar não faltam finos e referências portuguesas de vinho. “Temos mais de 30 marcas que vêm do Alentejo, Dão, Douro e também do Minho. E os espanhóis adoram.”

Como manda a tradição, numa casa bem portuguesa ouve-se o fado o dia inteiro e no Gastrobar Lusitano não é diferente. “Sempre quis honrar as minhas raízes e não é só nos pratos. A decoração revela logo de onde venho. Há arados, gasómetros, enguiços e uma gadanha. Quem cá vem tem é de gostar do nosso fado, porque essa é sempre a música de fundo”, revela.

O restaurante português em Madrid tem espaço para servir 70 clientes no interior e 120 na esplanada. Se estiver cheio de coragem (e apetite) pode tentar completar o desafio das francesinhas, que está aberto todos os dias das 8h30 à meia-noite.

Como lá chegar

A forma mais fácil e rápida de chegar até Madrid é de avião. O voo tem uma duração inferior a duas horas. Para a semana entre 7 e 11 de junho, a Ryanair tem voos com partida de Lisboa a 111€ por pessoa. Já se descolar do Porto, o preço da viagem é de 68€ por pessoa na mesma companhia aérea. Quando aterrar pode apanhar o metro até Nuevos Ministerios. Basta entrar na estação do aeroporto e dirigir-se para a linha oito. Quando chegar à última paragem só terá de caminhar um minuto até ao restaurante.

O espaço em Madrid.

 

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