Restaurantes

Restaurante lisboeta invoca a Constituição e recusa-se a fechar no confinamento

O Lapo fica na zona da Bica. "Ao contrário daquilo que nos querem fazer crer, nós somos essenciais", dizem os gerentes.
O espaço.

Abriu em julho de 2019 e é um projeto que junta um café cheio de petiscos e cocktails, uma loja com ilustrações criativas em T-shirts (e não só) e uma sala de espetáculos que recebe também jantares. Chama-se Lapo e é gerido por António e Bruna Guerreiro, um casal. Face ao novo confinamento decretado pelo governo que entrou em vigor esta sexta-feira, os donos recusarem-se a fechar o espaço.

“Na sequência da promulgação do Decreto-Lei n.º 6-A/2021, de 14 de janeiro, e após uma avaliação dos factos presentes coerente com os nossos princípios morais e éticos, assim como com o espírito – e a letra – da Constituição da República Portuguesa, nós, António Guerreiro e Bruna Guerreiro, sócios-gerentes da empresa Atelier Lapo Lda., decidimos manter o restaurante Lapo aberto, invocando o artigo 21.º da Constituição da República Portuguesa – Direito de Resistência”, anunciaram, esta sexta-feira, 15 de janeiro, em comunicado, citado pelo “Jornal de Negócios”.

“Entendemos que os Direitos Humanos têm sido amplamente violados e que a Constituição da República Portuguesa tem sido espezinhada. Tal como ficou bem explícito no acordão N.º 1783/20.7T8PDL.L1-3 do Tribunal da Relação de Lisboa, datado de 11 de Novembro de 2020, o Estado não tem legitimidade, em circunstância alguma, para desprezar os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos”, defendem.

Em resposta às medidas aplicadas esta sexta-feira, 15 de janeiro, primeiro dia do novo confinamento, António e Bruna Guerreiro consideram ser um serviço essencial, por isso mantêm as portas abertas. “Ao contrário daquilo que nos querem fazer crer, nós somos essenciais. Essenciais à nossa família, essenciais aos nossos funcionários e às suas famílias, essenciais aos nossos fornecedores e às suas famílias, essenciais aos nossos senhorios e às suas famílias, essenciais aos nossos clientes, essenciais à arte e aos artistas, essenciais à cultura e à comunidade.”

No mesmo comunicado, afirmam que as medidas aplicadas ao longo da pandemia têm sido desproporcionadas e são contraproducentes. Acrescentando que o alarmismo em torno da Covid-19 é “injustificado”.

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