Na Vidigueira, há uma sobremesa que junta tradição e originalidade: o pudim de talha. A receita usa vinho produzido em ânforas, um método ancestral com mais de dois mil anos, ainda praticado nesta região do Alentejo.
É um dos pratos servidos no The Wine Restaurant, integrado no Wine Hotel. Tanto o hotel como o restaurante existem há um ano, mas este último abriu ao público apenas em outubro. Funciona por marcação e tem uma regra pouco habitual: ali não há crianças, já que a entrada está limitada a maiores de 16 anos.
O espaço tem 44 lugares divididos por três salas distintas, a central com vista para a cozinha aberta, outra virada para as vinhas e uma garrafeira/biblioteca pensada para experiências privadas. A decoração inclui elementos típicos da região, como palhinha, madeira, cerâmica de São Pedro do Corval e têxteis. Todo o mobiliário é português e a iluminação indireta, com candeeiros em todas as mesas, cria um ambiente acolhedor. No exterior, há esplanada e rooftop, ajustáveis ao número de convidados. A zona exterior conta com firepits, que tornam o espaço confortável mesmo nos dias mais frios.
Na cozinha está o chef José Gala, que trabalha sabores clássicos da gastronomia alentejana com técnicas e apresentações mais modernas. “Os menus mantêm-se sazonais e em constante evolução”, diz. Para começar, sugere um ceviche (25€) que junta Peru e Alentejo: peixe fresco, salicórnia de Alcácer, coentros e leite de tigre, servido com vinho Antão Vaz branco.
Segue-se o peixe do dia (28€), muitas vezes pargo grelhado ou curado, acompanhado por arroz de Alcácer do Sal e um branco leve da quinta. O polvo (29€) é cozinhado com vinho tinto velho e finalizado no forno. Já as presas de porco preto (28€) são servidas com tomatada alentejana, embora o destaque vá para o novilho Mertolengo (27€), selado nos próprios sucos e servido com legumes da época.
No final da refeição chega o pudim de talha (15€), feito com vinho da quinta. O chef explica: “Reduzimos o nosso vinho de talha com açúcar, canela, cravinho, laranja e sal até 110°C. De seguida dissolvemos no leite, maisena e ovos, misturamos com a redução do vinho, untamos as formas com manteiga e açúcar e leva-se ao forno 25 minutos a 150°.” As uvas usadas são Tinta Grossa e Tinta Caiada, castas autóctones pouco comuns, colhidas na quinta e reservadas em ânforas. “Harmoniza perfeitamente com o vinho de talha da Quinta, uma experiência que transporta o tempo para a mesa”, acrescenta.
A carta de sobremesas inclui também creme brûlée (12€), feito com azeite da quinta e limões de chocolate (13€), moldados com chocolate branco e recheados com creme de limão fresco.
O restaurante, dentro da quinta, organiza provas de vinhos, workshops e visitas às vinhas. Há ainda eventos especiais com chefs convidados, onde já participaram nomes como Vítor Sobral, Justa Nobre e Noélia Jerónimo.
Carregue na galeria para ficar a conhecer mais alguns dos pratos do The Wine Restaurant.

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