Restaurantes

Ricardo começou a fazer pasta fresca na garagem. Agora tem três restaurantes em Lisboa

A primeira Fabbrica di pasta fresca abriu em 2020 no Chiado. Depois expandiu para a Avenida e em julho voltou novamente ao bairro inicial.

Os meses de confinamento representaram um desafio para todos. Enquanto uns devoravam o catálogo da Netflix, Ricardo Abelaira decidiu transformar a garagem de casa numa pequena cozinha industrial onde começou a fazer pasta fresca. O arquiteto de interiores aproveitou a pausa forçada para testar receitas com tempo e dedicação e lançou um projeto que, na altura, funcionava apenas em regime de take-away.

Já a cozinha de casa transformou-se num estúdio de fotografia onde preparava as imagens para divulgar os seus pratos. Os amigos, surpreendidos com a qualidade das receitas, incentivaram-no a dar o passo seguinte.

Ainda em 2020, abriu o primeiro Fabbrica di Pasta Fresca na loja ao lado da garagem. Ricardo pensou, desenhou e decorou o espaço, muito graças à experiência acumulada em mais de 30 projetos de restauração. O conceito cresceu à medida que as restrições da pandemia abrandavam e, em 2021, mudou-se para uma loja maior, mesmo do outro lado da rua.

A proposta inspirada nas osterias italianas, com massas preparadas à frente dos clientes, rapidamente conquistou os lisboetas. Com o sucesso do restaurante na Baixa e vontade de crescer, Ricardo decidiu avançar com uma nova unidade.

“Vi um espaço na Rua Barata Salgueiro, na altura para um cliente meu. Ele não o quis e eu decidi ampliar o meu negócio”, explica à NiT o arquiteto de 56 anos. “A Fabbrica tem crescido conforme a expressão do mercado e da procura dos clientes.”

Esse crescimento sustentou uma nova expansão este ano. No final de julho, Ricardo reabriu a loja original no Chiado, que volta agora a receber o conceito de massas frescas. Ao todo, a Fabbrica di Pasta Fresca conta com três espaços em Lisboa, todos com a assinatura do arquiteto.

Para evitar mal-entendidos com puristas da cozinha italiana, Ricardo optou por descrever os pratos como interpretações. Cada receita está listada como sendo “para os amantes de…”, uma fórmula que sinaliza ao cliente que irá provar uma versão pessoal de clássicos. “Não queremos correr o risco de dizer que temos carbonaras ou bolonhesas clássicas, porque não o são. São interpretações destes clássicos. Mas também temos pratos originais, onde gosto de arriscar”, sublinha.

Entre as sugestões, destaca-se a Francesco (16,50€), feita para “amantes de carbonara”, com esparguete, bacon, cogumelos porcini e molho. Já a Matteo (15,50€) junta maccheroni, molho de tomate, vodka e guanciale. A Rossina (16,50€), pensada para “amantes de trufa”, combina beet fettucine com molho de vinho tinto, trufas e pancetta.

As combinações foram todas criadas por Ricardo, com base no formato e no tipo de massa. “Há um critério para sugerirmos algumas propostas, mas claro que os clientes podem alterar e fazer as suas combinações”, explica.

As sobremesas mantêm-se clássicas. Há tiramisú (7,50€) e zabaglione (5,50€), feito com gema de ovo e vinho Marsala. Apesar das adaptações, Ricardo mostra-se satisfeito com o resultado, sobretudo quando recebe clientes italianos que escolhem o restaurante para uma refeição com “sabor a casa”.

A nova Fabbrica di Pasta Fresca tem 36 lugares e um ambiente que foge ao cliché dos italianos no estrangeiro. Não há toalhas aos quadrados, nem tons rústicos. O espaço apresenta fotografias dos primeiros registos de massas italianas, mobiliário com madeiras claras e cordas, desenhado por Ricardo e produzido em Bali. “Queria um espaço descontraído, mas genuíno e muito à nossa imagem”, afirma.

Um dos cantos da sala é reservado à confeção da massa fresca, à vista dos clientes. Os restantes pratos são finalizados numa cozinha aberta, acessível a quem quiser espreitar o processo.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Trindade 7
    1200-468  Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a domingo das 12h às 00h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Italiana

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