Restaurantes

Ryoshi: no novo sushi de Lisboa há criatividade, tradição e sabor do Japão

O novo projeto de Lucas Azevedo traz muita "tradição, cultura e respeito" pela gastronomia. Está em soft opening desde 10 de abril.
Lucas Azevedo está sempre no espaço.

Lucas Azevedo apanhou quase todos de surpresa quando, em outubro de 2022, decidiu abandonar a barra do Praia do Parque. Sem saberem muito bem o que o chef de 39 anos andaria a tramar, os clientes perguntavam-se se não viria aí um projeto pessoal. E se tivessem apostado, teriam ganho. O sushiman brasileiro abriu a 10 de abril, ainda em soft opening, o Ryoshi.

O restaurante, com um conceito de cozinha japonesa democrática e acessível, abriu na Rua da Boavista, “uma das mais cool de Lisboa”. Com muito respeito pela cultura, tradições e sabores do Japão, Lucas Azevedo quer mostrar que uma cozinha de chef não precisa de “formalismos” nem de réplicas.

O processo de criação do menu “foi fácil”, mas envolveu muita dedicação. “Não estou a inventar pratos. Os sabores são os mesmos que se podem provar nos mercados ou casas japoneses. Mas envolveu muito estudo e muita pesquisa”, revela o cozinheiro, que antes de abrir voltou mais uma vez ao país onde tinha estudado anos antes.

Lucas Azevedo é natural do Rio de Janeiro, mas veio viver para Portugal com apenas 16 anos. “Sinto-me mais português que brasileiro. Quando emigrei o meu pai já cá estava há duas décadas. Enquanto terminava o secundário comecei a trabalhar aos fins de semana em vários restaurantes. Era uma área que conhecia porque a minha família sempre trabalhou em restauração no Brasil”, conta à NiT.

Acabou por aceitar um emprego num restaurante japonês, onde começou a aprender a arte da cozinha asiática. Quando terminou o 12.º ano decidiu que não queria estudar. Foi trabalhar para outros restaurantes asiáticos, mas a dada altura percebeu que precisava de ir “à raiz”. “Entrei na cozinha japonesa um pouco por acaso e comecei por pesquisar. E quanto mais pesquisava, mais percebia que o que fazia aqui que era errado.” Por isso decidiu viajar para o Japão. Inscreveu-se numa escola de hotelaria e de lá trouxe mais do que conhecimento gastronómico. “Na bagagem veio muita tradição cultural que agora inspira os meus pratos”, diz.

O novo projeto com assinatura de Lucas Azevedo.

Quando voltou, foi trabalhar para o Bonsai, o restaurante que agora se refere como “a sua escola”. O mestre foi Ricardo Komori. De lá partiu novamente para o Japão. “Estagiei em diferentes locais para absorver tudo o que podia”, conta. Isto antes de passar pelo Konnichiwa, pelo Sakemico e depois pela barra japonesa da Praia do Parque.

O Ryoshi traz algo novo ao currículo do chef. “Queria fazer algo diferente. Este é um restante que bebe da tradição mas com um toque mais moderno e juvenil e muito próprio. Queria criar um espaço onde os clientes pudessem vir com regularidade e até mais do que uma vez por semana”, refere o cozinheiro.

Pegou em pratos que comeu muitas vezes durante os tempos que viveu no Japão e interpretou-os. É o caso do pão de caril (12€). “Quando estava a estagiar no mercado, aproveitava os intervalos para andar pelas ruas e comia um pão frito recheado com caril japonês. Ficou-me na memória e decidi trazê-lo, mas com outra visão. Sirvo-o quente e com molho em baixo para os portugueses poderem fazer uma daquelas coisas que adoram: molhar o pão.”

No menu encontram ainda a beringela (12€) servida com miso, o coração de alface grelhado (10€) com trigo sarraceno, ou o arroz grelhado (14€), com umeboshi e dashi de chá. O chef destaca ainda as asinhas desossadas de gyosas (14€), que Lucas recheia com um misto de carne de vaca e porco.

Para beber há kombucha, iced tea de limão caseiro e cocktails feitos em parceria com José Robson. “Há um que sempre quis fazer com morango e queijo creme que carrega na ferida do sushi. Ficou delicioso.” E há outros clássicos japoneses, e, claro, saqué.

As sobremesas são os pratos que Lucas Azevedo admite que se tem mais à vontade para “brincar com a criatividade”. Uma das favoritas é a pêra bêbeda (7€), feita com licor de ameixa japonesa e creme de natas de soja. Temos também o pudim da mulher do Ricardo Komori, com borra de saqué que são duas sobremesas numa. “A ideia é também ser um menu de partilha, entre amigos e família.”

Neste momento o espaço tem lotação para 50 pessoas, entre as mesas e o balcão. Assim que lá entra fica com a sensação que está a ser recebido numa casa tradicional japonesa. “Trouxe apenas alguma modernidade nos detalhes, tal como fiz com os pratos”, conclui.

Carregue na galeria para descobrir alguns dos pratos que o levam ao Japão no novo restaurante lisboeta.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua da Boavista 108
    1200-262  Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça a sábado 19h às 2h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Japonesa

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