Os pais de Tarek Mabsout deixaram o Líbano e mudaram-se para Portugal quando ele tinha apenas 13 anos. O pai criou um negócio de distribuição de carnes e ensinou aos filhos tudo o que sabia sobre cortes, sabores e formas de cozinhar a proteína. Mas foi um corte em particular que ficou gravado na memória de Tarek: saratoga, a parte mais tensa e saborosa do entrecôte.
Trinta anos depois e com vários projetos ligados à cozinha, decidiu que esse seria o nome do novo espaço. “É daquelas partes que poucos conhecem, mas quando experimentam nunca mais esquecem o nome”, explica o empresário de 43 anos. O Saratoga abriu a 18 de junho e tem um conceito muito direto: só serve espetadas.
Há várias opções. A da casa, feita com algo negro (7€), uma de ribeye (5€), outra de fraldinha (5€), marinada previamente em molho tare. “Pegamos nos nossos cortes premium e transformamo-los em pequenas espetadas que são depois grelhadas. O objetivo é que o cliente consiga fazer uma pequena degustação dos vários sabores”, conta Tarek à NiT. O ideal será começar uma versão mais simples, só temperada com sal, para que depois possa passar para as mais condimentadas. Segundo o proprietário, se assim for, haverá uma “evolução do paladar”.
A carta inclui também espetadas de wagyu, cozinhadas a baixa temperatura (9€), e outras com carne da vazia e cebola (5€). Para quem preferir, há versões com halloumi e chili de mel (4€), ou com cabrito (5€). As espetadas chegam até às sobremesas: há gelado de baunilha envolvido em caramelo de miso (5€) e mochis grelhados (3€).
A inspiração para o novo conceito do grupo Atalho foi na street food asiática. “Pensámos muito nos yakitoris, as espetadas de frango em carvão. Só que aqui não usamos frango, porque é a continuação do Atalho”, explica Tarek, referindo-se ao restaurante que abriu em 2013.
Foi a infância e o contacto precoce com o universo da carne que levaram Tarek ao setor da restauração. Começou com o Atalho, um nome que muitos pensavam estar ligado a talhos. Na verdade, tem outro significado. “A empresa da minha família fazia distribuição para os distribuidores que depois vendiam aos restaurantes. Ao ser nosso fornecedor, nós encurtávamos a cadeia. Daí o nome”, justifica.
A carne foi sempre o seu foco. Vieram outros conceitos e espaços, mas o projeto Saratoga ficou algum tempo à espera. “A minha ideia inicial era introduzir o conceito de espetadas no Atalho. Mas depois pensei que fosse mais interessante ficar com um espaço específico. Encontrámos este restaurante perto do miradouro de Santa Catarina e não adiámos mais”, diz.
Com o apoio do chef Dirson Tavares, responsável pela cozinha, conseguiu tirar a ideia do papel. Além das espetadas, há entradas com influência asiática, como edamame e noodles caseiros. Estão ainda disponíveis quatro baos (8€), todos com carne cozinhada a baixa temperatura: bochecha de porco preto, borrego, wagyu e uma versão vegetariana.
Outro destaque do Saratoga é a carta de vinhos. “Só temos vinhos naturais. O nosso gerente e sommelier João Xavier escolhe, compra e aconselha os clientes sobre qual o mais indicado para as espetadas que chegam à mesa”, refere Tarek.
O restaurante tem lugar para 35 pessoas, entre o interior e uma pequena varanda. A decoração segue o mesmo registo asiático do menu, com apontamentos em vermelho. Nas paredes, há ilustrações do artista José Carvalho, mais conhecido como Ozearv.
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