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SEM: restaurante lisboeta destacado pelo Guia Michelin vai fechar

"Já começámos a trabalhar no que vem a seguir. É imersivo, audaz e profundamente alinhado com os nossos valores", garantem os fundadores.

No SEM, em Lisboa, faz-se muito mais do que cozinhar. Cada decisão do restaurante sempre foi orientada pela sustentabilidade: não há caixotes do lixo, utilizam-se espécies invasoras e quase tudo é reaproveitado. Era este conceito que o tornava um go to obrigatório para vários lisboetas e turistas. Porém, esta sexta-feira, os fundadores anunciaram que a 19 de abril vão encerrar definitivamente as portas.

“Nos últimos cinco anos, quisemos provar que a comida e a hospitalidade podem ser ferramentas poderosas de mudança e que não é preciso um grande espaço nem terreno para o fazer. Talvez só um pouco de teimosia”, escreveram os donos numa publicação no Instagram.

Lara Espírito Santo e George McLeod acrescentaram: “Estamos aqui — agora com mais rugas, cabelos brancos e algumas cicatrizes de guerra — confiantes de que este capítulo está pronto para chegar ao fim. À medida que a nossa família cresce, decidimos viver mais perto da natureza e dos valores que tentámos trazer ao SEM todos os dias”.

“É o fim de um capítulo, mas há ainda tanta história para escrever. O SEM nunca foi pensado para ficar preso a uma sala, a uma cidade ou a uma morada. Faz parte de um projeto de vida, de um compromisso com uma causa pela qual continuaremos sempre a lutar. Por isso, é natural que vá assumindo formas, contornos e lugares diferentes ao longo do tempo. E que cresça e evolua connosco”, continuaram no mesmo texto. “Já começámos a trabalhar no que vem a seguir. É imersivo, audaz e profundamente alinhado com os nossos valores. Mais novidades em breve.”

A história do SEM começou em Londres, onde a brasileira Lara Espírito Santo e neozelandês George McLeod abriram um restaurante pop-up. Mais tarde, passaram pelo Silo, de Doug McMaster, e, em junho de 2021, decidiram abrir um espaço próprio em Lisboa, na zona de Alfama.

 
 
 
 
 
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Entre turistas e tuk-tuks num dos bairros mais turísticos da cidade, os dois sócios montaram o restaurante com mesas feitas de materiais reciclados. No interior, destacam-se as prateleiras com compostos fermentados, usados em todos os pratos como forma de aproveitar ingredientes que, noutro contexto, seriam descartados.

O menu de degustação custa 45€ e inclui sete pratos que mudam todos os meses, conforme a sazonalidade e os produtos disponíveis pelos produtores locais. O objetivo sempre foi claro: evitar o desperdício, trabalhar com agricultura regenerativa e manter a operação financeiramente viável. Na mais recente gala do Guia Repsol nacional, o espaço recebeu um Sol e um Sol Sustentável. Além disso, está presente no Guia Michelin, no Bib Gourmand.

Segundo os fundadores, os chefs do restaurante “levam a sério a responsabilidade por um entorno sustentável; utilizam produtos de agricultura regenerativa, reduzem ao máximo a utilização de plástico e combatem o desperdício alimentar”. 

O SEM, que conta com 90 metros quadrados, está neste momento disponível no Idealista para trespasse, por 400 mil euros.

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