Na Nazaré, o Muro da Pouca Vergonha ficou conhecido entre os moradores mais antigos por ser um dos locais escolhidos pelos casais para namorar. Os encontros davam conversa e acabaram por valer ao sítio uma alcunha que atravessou gerações. Foi aí que Pedro Marques foi buscar inspiração para batizar o seu mais recente projeto.
O Sem Vergonha abriu a 1 de agosto, mesmo em frente da Praia da Nazaré, na zona norte da marginal. Por detrás do projeto estão João Santo, de 24 anos, Marco Portugal, de 22, Pedro Marques, de 29, e Tiago Codinha, de 28, todos com experiência e ligação a outros negócios nas áreas da restauração e das bebidas.
Mais do que criar outro restaurante junto do mar, a ideia dos quatro sócios era ter um espaço onde fosse possível chegar para almoçar, ficar a beber um copo durante a tarde ou aparecer apenas ao final do dia para um cocktail.
“Já tinha experiência na restauração e queríamos criar algo completamente diferente, não só na Nazaré, mas também na região. Não queríamos ser apenas um restaurante nem apenas um bar”, conta Pedro Marques à NiT.
O nome ajudou a ligar o projeto à terra. “Fomos buscá-lo ao antigo Muro da Pouca Vergonha. Os mais velhos chamavam-lhe assim porque era onde os casais iam namorar”, explica.
A referência aparece também no próprio merchandising da casa, onde se pode ler a frase: “A vergonha da vizinha é sempre melhor que a minha”.
O ambiente acompanha a informalidade do conceito. O interior é dominado pelos tons escuros, com paredes e teto preenchidos por quadros, ilustrações e objetos inesperados. Entre eles está uma grande girafa branca que parece segurar um candeeiro de cristal na boca. No exterior, a esplanada fica virada para o mar.
A comida foi pensada com a mesma lógica: em vez da estrutura tradicional de entrada, prato principal e sobremesa, grande parte da carta foi criada para chegar ao centro da mesa.
“O conceito é essencialmente de partilha. Queremos que um grupo possa pedir vários pratos e ir provando coisas diferentes”, explica Pedro.
Entre os pratos que mais têm saído desde a abertura estão os croquetes de rabo de boi, servidos com maionese de alho confitado e pickle de mostarda (6,80€, duas unidades). Outra das apostas é o Shrimp Roll, preparado com brioche, camarão, alho confitado e togarashi (9,50€).
Para começar há ainda tostada de atum com abacate e kimchi (8,40€), tártaro de vaca com brioche tostado e gema curada (10,80€) e ostras. A versão clássica custa 7€ por duas unidades, enquanto a da casa, com ponzu e chilli crisp, fica por 7,50€.

Da lula à vazia
A carta continua com pratos pensados para serem combinados entre a mesa. O atum braseado com ponzu e chilli crisp custa 14€, enquanto as gambas com molho das cabeças e lima kaffir ficam por 11,50€. Há ainda berbigão com algas e manteiga fumada (10,20€) e lula grelhada com molho da própria tinta (19,80€).
Nas carnes, pode pedir espetada de porco preto com romesco e gremolata (15€) ou vazia grelhada com jus de carne (21€). Para acompanhar, as batatas de dupla fritura com aioli de alho confitado e parmesão custam 5€, tal como o arroz frito.
A refeição pode terminar com rabanada, creme inglês e gelado de limão (8€) ou com uma combinação menos habitual: Nestum de chocolate com maracujá, avelã e miso (7€).
O bar é outra parte importante do projeto. Além dos clássicos, como Mojito, Caipirinha, Margarita e Aperol Spritz (todos a 8€), foi criada uma carta própria de cocktails.
O Fina Flor, com gin, St-Germain, framboesa e lima, custa 10€. Pelo mesmo preço há o Bon Vivant, preparado com Bacardí, Giffard, baunilha, maracujá, lima, xarope de açúcar e espuma de espumante. O Má Língua, com Patrón Silver, limoncello, malagueta, manga, lima e agave, fica por 12€.
Uma das surpresas das primeiras semanas foram precisamente as opções sem álcool. “Tínhamos algumas dúvidas sobre se os mocktails iam ter expressão, porque pensávamos que as pessoas podiam simplesmente optar pelo vinho ou por outra bebida. Mas têm saído bastante”, conta.
O Shameless Mocktail, com The Foxtale 0%, ginger beer, maracujá, lima e espuma de gengibre, custa 8€. Virgin Mojito e Virgin Caipirinha ficam por 6€.
Pedro admite que abrir em pleno mês de agosto trouxe dificuldades acrescidas. “Foi desafiante porque abrimos logo em época alta e sabíamos que alguma coisa podia correr menos bem. Ainda estamos a afinar alguns pormenores.” Ainda assim, garante que a receção tem sido positiva, sobretudo entre os portugueses.
“Temos apanhado um pouco de tudo. Ficámos surpreendidos com a quantidade de clientes portugueses e da própria região”, afirma. Entre os estrangeiros, acredita que o projeto ainda tem margem para crescer à medida que se torna mais conhecido.
Uma das diferenças que tem notado está no tempo passado no espaço. Há clientes que chegam apenas para beber e acabam por pedir comida, enquanto outros prolongam a refeição com mais um cocktail. “Não há assim tantos sítios onde seja possível fazer isso. As pessoas acabam por ficar mais um bocado e pedir qualquer coisa.”
A ideia é reforçar essa vertente nos próximos meses. O espaço foi preparado para receber DJ sets, mas sem a intenção de se transformar numa discoteca. “Queremos música ambiente, para ouvir sentado. Não é aquela música que obriga as pessoas a levantarem-se para dançar. Queremos criar um ambiente acolhedor.”
Também estão previstos dias temáticos, que poderão chegar à decoração, à música e à cozinha. Uma das possibilidades é dedicar uma noite ao México e acrescentar dois ou três pratos especiais à carta. No inverno, o menu também deverá sofrer alterações para acompanhar a mudança de estação.
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