Restaurantes

Siktak: o novo restaurante do Porto tem comida caseira à moda da Coreia

É o primeiro restaurante sul-coreano da cidade e todas as semanas coloca sugestões inéditas na carta.
Hyojung Sung tem duas paixões: o Porto e a cozinha coreana.

Hyojung Sung é bem capaz de conhecer melhor o Porto do que muitos portuenses. Aos 26 anos, nasceu e viveu a maior parte da sua vida em Seul, até ao dia em que decidiu tentar travar a faceta mais workaholic e fazer aquilo com que todos sonhamos: arrumar as malas e mudar-se para a sua cidade de sonho. Uma longa viagem de 14 horas depois, aterrava no Porto para fazer dela a sua casa.

“Estudei muito, trabalhei duro e cheguei a um ponto em que queria descansar. Ao pensar para onde poderia ir, lembrei-me da viagem que fiz pela Europa e o sítio onde mais gostei de estar foi no Porto”, conta à NiT a proprietária do Siktak, o primeiro restaurante coreano da cidade. Portuense adotada desde final de 2017, não se virou imediatamente para a cozinha, apesar da paixão pelas especialidades portuguesas.

Ao fim de pouco tempo, percebeu que os compatriotas que viajavam até ao Porto limitavam-se a percorrer o circuito turístico. “Ah, aqui está a Lello. Olha os Clérigos. Isto é São Bento. E era tudo. Fartei-me de ver isso, porque gosto mesmo da cidade, e quis passar-lhes a minha experiência”, explica a sul-coreana de 26 anos. Criou então uma empresa de visitas guiadas só para coreanos com direito a rotas por pontos menos turísticos e até a piqueniques com petiscos nacionais.

É o primeiro coreano da cidade.

Em casa, a conversa era outra — e os petiscos também. Os portugueses que por lá passavam eram unânimes: a comida coreana podia fazer sucesso. Como “não havia nenhum restaurante do género”, Hyojung decidiu construi-lo com as próprias mãos.

Empatado pela pandemia, o negócio foi finalmente inaugurado em maio, num pequeno espaço na rua dos Bragas, a dois passos de Cedofeita. Vinte lugares, paredes brancas, mobiliário minimalista, ambiente de estúdio — ambiente simples mas feito com muita intencionalidade. No que toca à comida, o nome diz quase tudo. É preciso decifrá-lo.

Todos os povos têm a sua versão de comida de conforto. Esta é a versão coreana. A “homemade food” come-se, lá está, na Siktak, a mesa onde são servidas as refeições diárias. Ir comer ao coreano é, no caso, bastante mais didático do que provar apenas sabores novos. Por isso não se surpreenda quando à mesa chegar a entrada, sopa e prato principal, tudo ao mesmo tempo. “Nos comemos tudo junto, provamos isto, experimentamos aquilo. É a nossa cultura e quero mostrar tudo, além da comida”, explica à NiT.

Tantas vezes confrontada com questões despropositadas (e inocentes) sobre a Coreia do Norte, apercebeu-se de que há muito pouco conhecimento sobre o seu país em Portugal. “E o oposto também acontece, sabe-se pouco sobre Portugal na Coreia”, nota, enquanto sublinha que o seu objetivo principal passa por “fazer uma ponte cultural” entre os dois países.

Comer os nomes complicados

Todas as semanas há um prato novo para provar. A rotatividade faz parte da estratégia de sondar os palatos dos portugueses e educá-los pouco a pouco, mas também perceber que especialidades merecem um lugar fixo no quadro de ardósia pousado a meio da sala.

Na semana da visita da NiT, a entrada é um sucesso de infância de muitos coreanos. Chama-se tteokkochi (1,5€) e é uma espetada de pequenos bolos de arroz em formato cilíndrico, cobertos com um molho adocicado de ketchup e pasta de chilli coreano.

O tteokkochi, bolos de arroz ligeiramente crocantes com molho adocicado.

O prato que irá permanecer na carta em agosto é — tenha muito cuidado ao pronunciá-lo — o dwaejigalbi-jjim (13€), feito com costelinhas de porco marinadas, servidas depois com batatas, cogumelos, castanhas e uma combinação de vegetais. A vaga mais efémera da ementa, a semanal, está preenchida com o famoso japchae (11,5€), noodles de batata doce servidos em duas versões: com carne de vaca e vegetais; e uma versão vegan, sem estes últimos, está claro.

Todos os pratos são servidos à coreana: entrada e prato numa travessa, acompanhados de uma sopa — esta semana de miso com algas —, uma taça de arroz ao vapor e outra com o prato nacional coreano, o famoso kimchi caseiro, feito de couve fermentada.

Não se assuste: aqui come-se tudo ao mesmo tempo.

Para adoçar o final da refeição, há gelados caseiros, dependendo do que for feito nessa semana. Pode ser uma versão do gelado branco coreano, aqui feito com nata e acompanhado de uma pasta doce de feijão azuki, ou até um gelado preto de sésamo.

E para beber, pregunta? Há cerveja coreana, soju (uma bebida de arroz com alto teor alcoólico) com vários sabores e a especialidade local, uma fusão de soju com sangria — e que dá origem à sogria, feita com um xarope de fruta caseiro.

A tal ponte que Hyojung quer lançar entre Portugal e a Coreia do Sul não começa e termina à mesa. Assim que as restrições da pandemia chegarem ao fim, a coreana promete lançar workshops para todos. Aos compatriotas quer dar a conhecer os pratos nacionais. Do lado oposto, quer dar autênticas lições culturais aos portugueses. E quem se sentir inspirado, pode dar-lhe uma mão no próximo projeto ambicioso: fazer um caseiro e tradicional makgeolli, o vinho de arroz esbranquiçado, tal como é feito em milhares de lares coreanos.

Quem manda nisto tudo?

Nome: Hyojung Sung
Idade: 26 anos
Prato favorito: Tteokkbokki (bolos de arroz servidos em sopa e molho picante)
Maior guilty pleasure: noodles instantâneos coreanos
Convença-nos a visitar este espaço: “Assim que entrarem no Siktak, têm direito a uma refeição coreana caseira. Se querem provar a verdadeira comida coreana de conforto, podem passar por cá.”

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Bragas, 346, Porto
  • HORÁRIO
  • Terça e sábado, das 12h30 às 15h e das 19h às 22h
  • Fecha domingo e segunda-feira
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Asiática

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