Restaurantes

Três gerações depois, no Donkey’s, os burros continuam a fazer parte da família

A avó abriu as portas da sua casa aos visitantes. 60 anos depois, transformou-se em restaurante, mas manteve a sua essência.
Uma casa de família.

Odor a mar, a sal, a comida e temperos. Em terras algarvias, ao entrar pelas portas do Donkey´s Restaurant & Bar é difícil não sentir os cheiros que povoam o espaço. Sentada ou não, é certo que a D. Maria, a verdadeira matriarca da família, o irá receber com um sorriso na cara.

A funcionar há 60 anos, foi ela quem abriu as portas do negócio, em Boliqueime, no município da Loulé. Começou por ser uma mercearia, passando depois a café, mas um problema de saúde da proprietária fez com que tivesse de fechar. Emanuel Francisco, de 30 anos, decidiu pegar no espaço por causa da avó.

O conceito, porém, era antigo e o empreendedor não se identificava com ele. “Comecei devagarinho, há cerca de três anos, a mudar uma coisa aqui, outra ali”, diz-nos. Desafiou o irmão, que já tinha experiência na área da restauração, para se juntar a ele. Joel Francisco, de 28 anos, abandonou o seu emprego no Hotel Real Santa Eulália e embarcou também na aventura.

Se no início a transformação começou devagar, em janeiro deste ano os dois decidiram encerrar temporariamente. Voltaram agora a abrir com um novo conceito e um espaço renovado. Durante o processo, fizeram com que a avó passasse mal. “Custou-lhe muito ver a casa destruída”, começa por nos revelar em tom de graça.

Afinal, tiveram de deitar paredes abaixo e, o que era um lar já antigo, passou a ser um restaurante moderno, não deixando de lado o seu toque rústico. Ligado à tradição, mantiveram os seus burros de estimação. A única diferença notável é o número de animais. De três foi reduzido para um. No futuro, no entanto, querem colocar uma pessoa responsável apenas por eles, possibilitando passeios e várias atividades com eles. Por agora, o único da espécie vive como um lorde. “Os miúdos adoram-no”. Emanuel e Joel disponibilizam, aliás, cenouras e maçãs para que os visitantes o possam alimentar.

São “feitos de história, de família” e, são “acima de tudo, autênticos”. “A Donkey´s é assim, simples, no meio da serra, longe das luzes da cidade, mas perto da natureza”. Responsável por gerir o Donkeys, o irmão mais velho assegura também o bar e a sala. Com capacidade para 50 lugares, quem se sente fá-lo para comer tapas ou snacks. Claro que não falta uma boa bebida para acompanhar. “Aqui assiste-se a uma comunhão gastronómica entre os sabores de Espanha e de Portugal”.

Desde bolinhas de alheira com molho Béarnaise (5,5€) a hambúrgueres caseiros (dos 7,5€ aos 10,5€), não é possível errar na escolha do que comer. “É quase tudo feito por nós, desde os molhos, ao pão (feito com massa mãe, por um amigo)”, assegura. Ameijoas à Bulhão Pato (14€), choco frito (7,5€), lagartinhos de porco preto (10,5€) e asinhas de frango (6€), as opções são várias, mas se Emanuel tivesse de escolher uma, seria certamente o camarão salteado à algarvia (14€). Nesta casa, não faltam também pratos vegetarianos, como a salada caprese (6,5€) ou o húmus (4€).

Ao fundo, a vista para o mar deixa qualquer um rendido. Para uma experiência ainda melhor, nada como fazer a refeição na esplanada — decorada com chão em calçada portuguesa. “Temos uns sunsets incríveis.” Neste cenário, “só falta um cocktail na mão”. Os mais pedidos são a piña colada (6,5€) e o expresso martini (7€), feitos apenas produtos de qualidade. “Sou eu quem faz o xarope de açúcar e escolho as bebidas que adiciono”.

Aberto de terça a domingo a partir das 15h30 para beber, e das 18 horas para comer, todo o ambiente e envolvência têm o objetivo de criar “uma boa experiência”. Para isso, a música não pode faltar. “Por enquanto é apenas ambiente, mas queremos voltar a trazer a música ao vivo” Perto do mar, bom ambiente, e som, não é de estranhar que esteja frequentemente cheio. “O melhor mesmo é fazer reserva. Podem ter sorte e encontrar-nos num dia mesmos movimentado, mas também pode acontecer o contrário”, aconselha.

Pode sempre ir buscar para comer em casa, mas não é o mesmo. “Até porque só dá para levar hambúrgueres”. Nada como passar por lá. E não se esqueça de levar os miúdos consigo. Não há dúvidas de que vão adorar os patudos da família.

Carregue na galeria para conhecer melhor o espaço que tem passado por várias gerações e algumas opções do menu.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    S. Faustino - Associação Caçadores 8100

    8100-093 Boliqueime
  • HORÁRIO
  • De terça a domingo das 15h30 à meia-noite
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Tapas

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