Restaurantes

Na nova esquina de Vítor Sobral, há petiscos à moda antiga e imperiais fresquinhas

O chef quis trazer de volta algo que acreditava que se estava a perder em Lisboa: a arte de petiscar.
É a nona esquina de Vítor Sobral.

A paixão de Vítor Sobral por esquinas continua a dar frutos. Aos 57 anos, acumula 38 de experiência como cozinheiro e é hoje um a das referências da gastronomia nacional. No portefólio de esquinas conta com a Taberna, a Peixaria, o Talho, o Pão, a Oficina e duas Tascas, uma em Lisboa e outra em São Paulo, no Brasil, a Lota. Agora há mais uma esquina com pratos de assinatura do chef, a Petiscaria da Esquina.

O novo restaurante abriu a 10 de abril e traz um novo conceito. “A Petiscaria da Esquina surgiu com o intuito de recriar um espaço que desse um maior ênfase ao petisco tradicional português, sem formalismos, que possa ser uma cozinha do dia a dia, mas sempre com a preocupação de manter os sabores tradicionais”, explica o próprio à NiT.

Por detrás de toda esta vontade está a perceção da perda de algumas tradições tipicamente lisboetas e que Vítor Sobral quer recuperar. Falamos, por exemplo, de quando no final do trabalho se ligava a um amigo para ir beber uma imperial e “picar uns petiscos”. Desta vez, o chef chega com uma missão: “Quero recuperar algo genuíno e marcante da nossa cozinha”.

O restaurante ocupa o número 20 da Avenida da República e fica muito próximo de outras esquinas do chef. Contudo, diferencia-se de todos os outros estabelecimentos do cozinheiro porque “se vira para alguns dos emblemáticos pratos portugueses”. É um espaço pensado para quem não se quer demorar, comer muito ou fazer sala.

Recuperar é um dos verbos na ordem da conversa. Da ideia aos pratos, a preocupação foi sempre a mesma: trazer de volta alguns ingredientes “mais discriminados”. “Queria apresentar mais pratos, com ingredientes que têm sido, de alguma forma, discriminados ou ingredientes considerados como menos nobres, de modo a contribuirmos para uma maior sustentabilidade no consumo, nomeadamente em produtos de proveniência animal.”

O menu é extenso é composto por sugestões pensadas para serem divididas, caso das moelas em tomatada (9€), o pica-pau de novilho (14,50€), o berbigão à Bulhão Pato (14,90€) ou a salada de orelha de porco de coentrada (8,50€). Se estiver sozinho ou em modo “cada um pede o seu”, pode optar por um típico prego (10€), bifana (9,50€) ou cachorro (8,50€).

Para quem mesmo sem tempo gosta de pratos mais compostos, pode sempre pedir polvo à lagareiro (22,50€), joelho de porco no forno com puré de batata e couve avinagrada (18,50€) ou caril de lulas, arroz solto e frutos secos (19,50€). Se o objetivo é um almoço, pode optar por uma das sugestões do dia, todas a 12,50€. Às terças há filetes de peixe-galo com açorda de coentros; às quartas, jardineira de novilho; às quintas, tomatada do mar; e às sextas, mão de vaca com grão.

O chef Vítor Sobral tem já nove esquinas.

A cozinha funciona até às 23 horas, mas se passar por lá entre as 15 e as 20 horas, durante a happy hour, a imperial custa um euro. Se prefere vinho, a lista inclui referências do Douro, Dão, Lisboa, Setúbal e Alentejo, bem como espumantes e licorosos. “Quis apostar nas regiões portuguesas e cervejas nacionais. A escolha foi pessoal, mas com a ajuda dos parceiros habituais”, conta.

Na decoração não espere nada mais do que uma antiga tasca portuguesa, mas com muito cuidado. “Quisemos recriar um espaço sem grandes formalismos, que passa a essência dos antigos espaços em que os portugueses petiscavam e tomavam um copo de vinho”, descreve Vítor Sobral. Há sofás em pele, muitas plantas e até balanças de pesos. Para concretizar esta visão contou com a ajuda já habitual do arquiteto Nelson Ruivo, que ficou encarregue dos outros espaços.

A nova Petiscaria da Esquina de Vítor Sobral será coordenada paralelamente à Tasca da Esquina, a Taberna da Esquina, a Lota da Esquina e as padarias Pão da Esquina, em Portugal, e a Tasca da Esquina em São Paulo, Brasil.

Com tantos projetos nem sempre é fácil desdobrar-se para estar em todo o lado. Mas Vítor Sobral, que se encontrava em São Paulo na altura da entrevista, garante à NiT que consegue.

“Divido o meu tempo igualmente entre os diversos espaços, por ventura em alguns períodos poderei manter-me mais num local do que noutro, sobretudo quando se trata do lançamento de novas cartas”, refere. Mas não descura o apoio da equipa “altamente profissional” que formou e o ajuda a “manter as matrizes que me marcaram ao longo da minha carreira”.

Carregue na galeria para conhecer o novo espaço do chef português.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. República 20 c
    1000-207 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça a sábado das 12h às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Petiscos

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