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Votação NiT: o melhor ramen da capital demora entre “24 a 36 horas a preparar”

O Ajitama Bistro recolheu quase metade dos votos (49, 25%). Os fundadores foram ao Japão aprender os segredos da receita.
Já se conhece o vencedor.

Há quem diga que o segredo está no caldo, que pode ser de carne de porco, frango, peixe ou vegetais. Outros apontam a combinação de ingredientes frescos e saborosos. Já os puristas defendem que o verdadeiro mistério deve ser bem visível – dever ser servido a fumegar.

As características que determinam a melhor variedade de ramen dependem, claro, do gosto de cada um. Porém, todos gostamos de ter uma referência no momento de escolher o restaurante certo quando procuramos esta sopa japonesa de massa, um dos pratos de conforto mais apreciados um porco por todo o mundo. A especialidade asiática “virou moda” na capital e os espaços com versões da receita nos menus multiplicaram-se nos últimos meses. 

A decisão sobre o melhor restaurante de ramen de Lisboa ficou a cargo dos leitores da NiT. A votação encerrou no domingo, 25 de fevereiro, e não deixou margem para dúvidas. Contou com um total de 8180 avaliações — e vencedor arrecadou praticamente metade dos votos (49,25%).

O Ajitama Ramen Bistro saiu vitorioso da contenda, com 4029 votos. No entanto, a disputa pelo primeiro lugar foi renhida com o Koppu, com uma diferença de apenas 9 por cento (40,56%), que se traduz em 3318 votos. Por sua vez, o terceiro lugar encontra-se mais distante: o Panda Cantina reuniu 5,46 por cento das votações (447 indicações).

O espaço vencedor foi fundado por António Carvalhão e João Azevedo Ferreira, ambos com 40 anos, amigos há 25. Acreditam terem sido dos primeiros a trazer o prato para Portugal, após terem viajado para o Japão para estudarem o ramen ao pormenor. Foi lá onde adquiriram técnicas e uma sabedoria da culinária nipónica que os distingue da concorrência, afirmam. 

“Começamos em 2015 e demorámos dois anos a preparar as receitas do Ajitama.” Na altura, a vontade de descobrir era superior ao conhecimento. “Começou por ser uma questão autodidata. Todos os fins de semana nos juntávamos e ficávamos mais de 30 horas a testar os sabores. Só em 2017 é que lançamos o supper club”, explicam à NiT.

A perseverança deu frutos e hoje admitem que não esperavam tanto sucesso em tão pouco tempo. Quando deram conta, tinham 1876 pessoas em lista de espera — naquilo que é um conceito baseado em jantares privados relativamente pequenos em casa dos próprios.  

A solução que encontraram passou por informar os clientes sobre novidades que teriam em breve. Rumaram ao Japão para tirar um curso profissional e regressaram com a ideia de abrir o Ajitama. Inauguraram o espaço em janeiro de 2019.“Nos primeiros dois meses, o nosso funcionamento era à base de atender quem tinha ficado pendente”, contou António.  

Sobre a preferência dos leitores da NiT, não têm dúvidas que se deve “a uma série de fatores”. A longevidade e autenticidade são apenas dois: afirmam que foram os primeiros a trazer o ramen para Portugal e mantêm-se bastante fiéis às técnicas e conhecimentos que trouxeram do Japão. Além disso, “os espaços, seja o da Avenida Duque de Loulé, seja o da Rua do Alecrim, têm histórias para contar. E isso faz com que a experiência de ir ao restaurante seja multidimensional”, explica João. 

Os horários também ajudam a justificar o sucesso — os Ajitama funcionam do meio-dia à meia-noite, prontos a servir a qualquer momento, inspirados pelo que se verifica em Tóquio, onde os estabelecimentos dos típicos caldos estão abertos noite fora. “Temos situações muito peculiares como, por exemplo, receber grupos às quatro da tarde acabados de sair de reuniões de trabalho. Vem diretos ao Ajitama, porque sabem que está pronto a recebê-los”.

Importa não esquecer que são também os espaços de ramen com mais seguidores nas redes sociais, fator que ajuda bastante a chegar a mais pessoas. “Comparando com outros locais em Lisboa, a nosso ver, acabamos por ter um package que é super positivo nessa relação com os concorrentes”, concluem os proprietários.

Bem, mas o que não pode mesmo faltar é o segredo da receita. António e João explicam que, tal como acontece com a sua confeção, explicá-la detalhadamente duraria horas. Portanto, resumidamente, “trata-se de comida de conforto por excelência, o que faz com que nesta altura do ano seja muito procurada, mas nenhum ingrediente demora menos de 2 ou 3 horas a fazer. Há um caldo que dura 18 horas na sua preparação, por exemplo”. 

Uma refeição que se emprata num minuto e meio e que se devora em cinco, esconde um “processo de cerca de 24 a 36 horas para compor todos os seus elementos. O Ajitama, que é o nosso favorito — um ovo praticamente cru por dentro — pode ser rápido de cozer, mas a textura escura deve-se à noite inteira que fica numa marinada para lhe dar esse sabor extra”, revela João. 

Admitiram ter seguido de perto a votação. “Vimos que o ranking foi mudando ao longo dos dias e ficámos muito satisfeitos que o resultado tenha sido este”, explicou António. “Temos dois espaços abertos, nas redes sociais também somos os que temos mais seguidores. Não temos nenhum estudo de mercado, mas somos aqueles com a maior fatia de seguidores. Já tivemos alguns jornalistas, inclusive da ‘Forbes’, a reconhecer-nos como o melhor restaurante da especialidade na cidade. Trata-se do culminar do trabalho destes últimos quase 8 anos”, concordaram.

Os fundadores do Ajitama avançaram em primeira mão à NiT que, fruto do seu êxito, haverá mudanças estruturais significativas ainda este ano. Podem-se esperar novidades a nível da produção, no sentido de transformar o ramo, seja com novas receitas e ingredientes ou máquinas e equipamentos.

Os dois têm já marcada uma nova formação internacional e uma terceira viagem ao Japão, “porque há sempre espaço para mais”. Precisamente por isso, “gostávamos de democratizar ainda mais o ramen na nossa vida e isso passa por fazer novas lojas e novas coisas na cidade”.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos pratos que pode provar nos Ajitama.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Avenida Duque de Loulé 36
    1050-091 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Todos os dias do 12h às 00h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Asiática

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