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Zō: o omakase que deu nova vida a um antigo armazém do Parque Mayer

Inaugurado em dezembro, o restaurante propõe uma experiência intimista, com um menu de 15 momentos. As enguias grelhadas são um dos destaques.

O novo omakase de Lisboa, o Zō, é a concretização do sonho de Thales Boniatti. Embora tenha aberto há apenas um mês, traz consigo uma longa história de paixão pela gastronomia. O chef brasileiro, de 34 anos, recorda bem o dia em que viu, nas redes sociais, a fotografia de um enorme atum partilhada por um amigo. A imagem tinha sido captada em Portugal e, desde então, ficou fascinado com a diversidade e a qualidade dos peixes existentes no País.

Durante vários anos trabalhou em restaurantes de sushi em Porto Alegre, no sul do Brasil. Inicialmente, a ideia era permanecer apenas um ou dois anos do lado de cá do Atlântico, o tempo suficiente para ganhar experiência e depois regressar à vida que tinha deixado para trás. No entanto, o destino acabou por traçar outro caminho. Em Portugal conheceu a esposa, Vanessa, surgiram boas oportunidades profissionais e o regresso foi sendo adiado, até decidir ficar definitivamente.

Mais de uma década depois da sua chegada e após ter passado por restaurantes conceituados como o Yakuza e o Mimi, Thales decidiu avançar com um projeto próprio. Queria criar um espaço que refletisse os seus gostos pessoais e a sua identidade na cozinha.

A escolha de um omakase não foi, por isso, aleatória. Em japonês, o termo significa, em tradução livre, “deixo nas suas mãos” ou “confio em si”. Para quem não está familiarizado com este conceito gastronómico, trata-se de entregar ao chef total liberdade na escolha dos pratos servidos. Esta abordagem permite-lhe criar e proporcionar ao cliente uma experiência muito mais exclusiva.

 
 
 
 
 
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No Zō, o menu tem um preço fixo de 95€ e é composto por 15 momentos. Há sushi e pratos quentes, sendo as enguias grelhadas apontadas pelo chef como um dos maiores sucessos entre os clientes. A preocupação em evitar o excesso de sal, açúcar e molhos é constante, de forma a preservar o sabor mais puro dos ingredientes.

A ementa muda com frequência, mas no momento conta com opções como o chawamushi (pudim salgado com caldo de peixe, cogumelos e camarão); vieira grelhada com molho de manteiga, sake e koji; carne de porco cozida lentamente com gema de ovo marinada e gohan; unagui no kabayaki (enguia grelhada); além de nigiris e sashimis. Para a sobremesa, há gelado de sake Kasu.

Para Thales, trabalhar sempre com produtos frescos é inegociável. Alguns dos vegetais utilizados — como a mizuna, a rúcula e o cebolinho — são colhidos na própria horta. Também a lima, a laranja e o limão provêm das árvores plantadas no terreno do restaurante. A seleção criteriosa dos melhores peixes da costa portuguesa, aliada ao arroz e à soja importados diretamente do Japão, demonstra o rigor do chef em tudo o que chega à mesa.

O objetivo, segundo explica, é oferecer aos clientes uma experiência verdadeiramente memorável. “É uma casa japonesa escondida no meio de Lisboa. Apesar de estar perto da Avenida da Liberdade, uma zona muito movimentada, o ambiente aqui é calmo e intimista”, afirma. À entrada, um torii, o tradicional portal japonês, ajuda a criar a sensação de que os visitantes estão ser transportados para uma realidade diferente.

O Zō funciona num antigo armazém de vinhos do restaurante Gina, no Parque Mayer, em Lisboa. Num espaço de apenas 30 metros quadrados destinado às mesas, acolhe cerca de 15 pessoas. A proximidade e a interação direta com os clientes fazem parte do conceito, permitindo um serviço personalizado. É um convite a deixar a pressa à porta, abrandar o ritmo e desfrutar de uma experiência pensada para ficar na memória.

Carregue na galeria para conhecer mais dos pratos e do espaço do Zō.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Parque Mayer
    1250-205 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado: das 19h às 23h30. Domingo e segunda-feira: Encerrado.
PREÇO MÉDIO
Mais de 50€
TIPO DE COMIDA
Japonesa

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