Moda

5 histórias de vida de Nuno Gama

No ano em que celebra o seu 50.º aniversário e assinala a sua 50ª coleção, o designer de moda faz um rewind à vida, revelando à NiT os mais marcantes episódios — dos zero aos 50 anos.

Se não fosse designer era cozinheiro. O ato de preparar pratos, não o resume ao alimento em si: “São os cheiros, os ingredientes, o pôr a mesa, o pensar que ‘se fizer este prato, convido estas pessoas, mas se optar por um prato diferente, os convidados já terão de ser outros’”. Nuno Gama é assim: curioso e chatinho, como o chamava a família em pequeno; metódico e obsessivo, como se considera em adulto. No fundo, um apaixonado pela vida: “Vivo com muita intensidade”, revela, desnecessariamente, já que a sua forma de se exprimir — verbal e gestualmente — diz tudo.

“Isto [trabalho] é uma doença maldita que está dentro de nós e que nos devora completamente”

Aos 50 anos, o designer afirma continuar “com a torneira criativa aberta”. Assume-se como um observador incansável, e o ser humano intriga-o. Mas adora-o. Conta que tem uma passerelle permanente na sua cabeça, e acredita que estas mensagens que não o largam dia e noite — a coleção de inverno (quando ainda está a terminar a de verão); o décor da passerelle; os manequins; a música; e todo o detalhe que envolve a sua arte — mais não são que dádivas divinas que não podem ser ignoradas.

Com uma vida cheia de altos e baixos, Nuno Gama não se mostra arrependido de nada. Confessa que, no que diz respeito à família, e a propósito da marcante morte do pai em 2012, talvez não tivesse querido voar para tão longe, “passava mais vezes por casa”.

Há quatro anos a vida pregou-lhe uma rasteira: com a morte do pai, a data mais marcante da vida do designer.

Oriundo de uma numerosa família (tem mais quatro irmãos), na qual se insere o escritor Sebastião da Gama, o tio que admirava desmesuradamente e de quem julga ter ido buscar a paixão que nutre pela vida, as memórias de infância são mais que muitas e todas em bom: “nasci e cresci rodeado de pessoas, amor, natureza, brincadeira e alegria”.

Há quatro anos a vida pregou-lhe uma rasteira, com a morte do pai — a mais marcante data da sua vida. No entanto, cerca de duas décadas antes, Nuno Gama já se tinha confrontado com a sensação de falta de sentido perante a vida, com a tragédia que assolou a sua carreira (e, ao fim ao cabo, a sua vida): um incêndio no seu atelier/estúdio/local de trabalho, que pôs término a tudo o que tinha. Rapidamente se apercebeu que “o desespero não nos leva a lado nenhum”, e que “os regressos são sempre uma coisa óptima”.

Sem nunca baixar os braços, o designer entendeu que todos os percalços, derrotas e dificuldades, fizeram dele o grande nome da moda nacional — e internacional — que é hoje, e isso é notório no seu discurso positivo e optimista, ou nos seus olhos que ainda brilham quando fala da vida.

Para assinalar o meio século de existência, assim como aquela que é a sua quinquagésima coleção, o designer organizou um baile a acontecer hoje, no Casino Estoril, onde a popa e a circunstância marcam presença: um jantar a cargo dos chefs Miguel Rocha Vieira, Henrique Sá Pessoa, João Rodrigues e João Oliveira; um cocktail oferecido pelo champagne Perrier Jouet, que acompanhará todo o jantar; e ainda um sushi-fingers do Sushi dos Sá Morais.

Durante o jantar, haverá um leilão em que serão licitadas três peças: um retrato de Luís de Camões byNunoGama; a foto emblemática do seu desfile de março de 2013, no Terreiro do Paço, da autoria de Carlos Teixeira; e o original do símbolo queNunoGamadesenhou para o lançamento de uma campanha de luta contra o vírus HIV — uma peça feita em ouro. A receita do leilão reverterá para a Cruz Vermelha Portuguesa.

Segue-se, no Salão Preto e Prata, o desfile da “Heterónimos”: uma coleção inspirada no modelo clássico de elegância masculina e em Fernando Pessoa. Irão desfilar 50 manequins.

Trata-se de mais uma coleção que aplaude o nacional e as raízes portuguesas de Nuno Gama. Sim, é notório que o designer ama o País. Aliás, toda a entrevista, no seu atelier, aconteceu ao som da fadista Carminho. Perguntou se nos fazia confusão a música de fundo, ao que respondemos negativamente. A ele sim, faz-lhe confusão “o queixume tão típico do português. Acho, sinceramente, que isso é falta de amor”.

Conheça as 5 histórias que marcaram a vida do designer ao carregar na imagem acima.

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