Lojas e marcas

Bailha: a marca madeirense com T-shirts retro (e super fofas) bordadas à mão

Quando saiu da ilha, David Oliveira passou a valorizar ainda mais a terra natal. Criou um projeto com peças para toda a gente.
A marca vai continuar a expandir o leque de oferta.

A ilha da Madeira está repleta de encantos que atraem multidões. David Oliveira cresceu no destino no meio do Atlântico, entre praias paradisíacas e cenários naturais, mas só quando saiu do arquipélago é que começou a apreciar toda a riqueza da terra natal. Ao regressar, prestou homenagem a esta herança cultural através das T-shirts que vende na Bailha, uma marca portuguesa com site lançado em outubro.

Ao terminar a formação em arquitetura, no Porto, o criativo de 28 anos partiu para a Noruega em 2016, onde viveu e trabalhou durante dois anos. “Comecei a valorizar tudo o que tinha experienciado durante a infância e a olhar para tudo de outra maneira”, conta à NiT. “Cresci rodeado pela cultura da vinha, do artesanato e dos bordados”.

Como sempre viu a mãe e a avó a bordar, quando era novo, dedicou-se a explorar a técnica nos seus tempos livres. Através da diversão, que explorava de forma leviana, começou a perceber que adquiriu bases importantes para fazer o seu próprio projeto acontecer. Sobretudo devido à forte cultura do trabalho manual na Madeira, sentiu-se motivado para lançar a sua própria marca, a dezembro de 2021.

Para arrancar, David seguiu a mesma estratégia que muitas marcas adotam numa fase inicial. Escolheu as T-shirts por serem “um elemento que abrange um grande número de pessoas”, além de ser unissexo. Apesar da apresentação clean e minimalista, “que responde às tendências”, cada peça conta uma história através do imaginário da Madeira.

“Procurei criar uma nova consciencialização do que pode ser um produto de souvenir”, diz o fundador. Os bordados aludem aos trajes tradicionais do folclore local e dá destaque a símbolos como a Casinha de Santana, a estrelícia, associada ao arquipélago, e o Maçaroco, que só existe na Madeira.

Mais do que a parte etnográfica, a Bailha inspira-se nos elementos paisagísticos. Os Ilhéus da Ribeira da Janela, no norte da ilha e as ilhas desertas são outras imagens representadas nas T-shirts: “Estou constantemente a olhar para a região de forma criativa, com sentido crítico e vontade de encarar o autêntico”.

Graças à valorização do trabalho artesanal, cada peça é única. O fundador começa por encomendar as peças lisas através de um fornecedor, onde desenvolve os desenhos à mão. De seguida, entrega o produto a bordadeiras locais que, graças a um know-how antigo, criam o resultado final com uma sensibilidade cada vez menos comum no mercado.

Sara de Sousa, de 84 anos, e Helena da Silva, 63, são as duas colaboradoras que se dedicam à arte do bordado há décadas. Para este projeto, dedicam-se a aplicar a técnica nos produtos de algodão orgânico, o material escolhido.

A introdução dos sacos de pano

Em outubro, foram acrescentados os famosos tote bags (ou saco de pano) ao catálogo da Bailha, de forma a abrir espaço para mais propostas. “O produto não requer dimensões e, nesse aspeto, é mais facilitador para vender”, explica o arquiteto.

Como a Bailha pretende ser uma reação à indústria da moda, e ao seu ritmo acelerado, os sacos de pano também se enquadram no conceito da marca. Resistentes e versáteis, podem ser usados em momentos formais ou informais, seja para viajar ou ir ao supermercado. E seguem o lema que move o projeto: “Vamos consumir menos, mas melhor”.

Sobre os próximos passos, o criador está a equacionar lançar artigos para a época fria, como sweatshirts ou hoodies. No entanto, as opções são vastas. “O que queremos continuar a fazer é redescobrir a ilha da Madeira através do artesanato e isto pode ser levado para um amplo leque de produtos”.

Aos 28 anos, David nunca se sentiu tão conectado com a sua terra natal, que continua a explorar como se fosse a primeira vez. “Ultimamente através das viagens que faço dentro da ilha, vejo que os produtos disponibilizados são muito estandardizados e pouco personalizados. Muitas vezes, não pertencem à nossa cultura e quero mudar isso”, diz.

“O futuro é incerto, até porque o projeto segue um trabalho mais lento. As gerações mais novas não se dedicam a esta arte, então andamos ao ritmo das bordadeiras ativas, que têm alguma idade”, conclui David, que quer dar voz a um ofício que está a ser esquecido com o tempo.

Mais do que os habitantes locais, a marca pretende expor os produtos a outras regiões de Portugal Continental e até a nível internacional através da loja online. No site encontra todas as propostas da Bailha, desde as T-shirts (55€) às tote bags (30€). Carregue na galeria para conhecer os produtos.

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