Beleza

A maquilhadora alentejana que chegou às capas das revistas de moda internacionais

Anne Sophie Costa descobriu a paixão por mero acaso. Acabou por se mudar para Londres e tornou-se numa artista de renome.
Mudou-se para Londres em 2009.

Já fala com um português que acusa o pouco uso, mas isso não impede Anne Sophie Costa de transmitir a paixão que sente pela sua profissão. Dos trabalhos enquanto make up artist em revistas internacionais — como a “Harper’s Bazaar” e a “Marie Claire” — à participação em campanhas de marcas como a Gucci e a Fenty, a criativa residente em Londres utiliza os pincéis para comunicar e deixar um pouco de si nos trabalhos que faz.

Durante os 17 anos que viveu numa quinta alentejana, entre Elvas e Badajoz, não podia estar mais afastada dos grandes nomes da indústria da beleza. No entanto, teve outra influência: “A minha mãe era farmacêutica. Foi aí que tive um contacto direto com a maquilhagem que era vendida, das novas cores às novas tecnologias e texturas”, conta à NiT a artista, de 36 anos.

Só mais tarde é que decidiu seguir artes. Tirou o curso de Design Gráfico, no IADE, e foi convidada para trabalhar para a L’Óreal, na ModaLisboa, numa sessão de promoção de cabelos. Devido a um atraso, pediram-lhe para maquilhar o rosto de uma das modelos que ia desfilar e adorou a experiência. Nunca equacionou seguir a área, mas seguiram-se vários cursos de maquilhagem, incluindo um com a célebre maquilhadora Antónia Rosa. Um mero acaso resultou numa longa carreira.

Os primeiros passos no estrangeiro

Acreditou, desde cedo, que a terra natal era demasiado pequena e não se identificava com a mentalidade portuguesa — mesmo vivendo na capital. “Uma vez vim a Londres de visita, conheci um maquilhador e fez-me uma proposta para trabalharmos juntos. Fiz a Fashion Week com ele e adorei”, explica. Em janeiro de 2009, decidiu mudar-se para Londres, no Reino Unido.

Na altura, pouco sabia sobre inglês. Curiosamente, foi a única disciplina da escola em que falhou, porém, foi uma aprendizagem necessária para se habituar à cultura. Sem apoio financeiro, abandonou o trabalho como maquilhadora em Portugal e partiu para a cidade inglesa para se redescobrir. Superou as barreiras linguísticas e conjugou o seu trabalho enquanto assistente com um part-time.

Uma das campanhas para a Gucci.

Sobre as origens, não foram uma fonte de inspiração no seu trabalho, mas ajudaram-na a desenvolver outras capacidades. “Tenho muitas memórias do Alentejo. Todos os fins de semana estava num local diferente. No meu trabalho acontece o mesmo, uma equipa, look e sítio sempre diferentes.”

Apesar das oportunidades que foram surgindo em Londres, pensou em desistir bastantes vezes. Não deixou apenas o seu País e a família, mas também uma carreira estável. No entanto, fez do seu sonho uma prioridade e não parou de correr atrás dos seus objetivos. A primeira insígnia com a qual colaborou foi a ASOS, a sua favorita na altura. “Era uma nova marca jovem que tinha muito a ver comigo, era criativa. Deixei o meu part-time e fiquei com eles durante cerca cinco anos. Foi escolhida graças ao portefólio que foi construindo aos poucos, que só se consolidou quando uma agência a descobriu.

As capas de revistas

Com o apoio da The Wall Group, uma agência internacional, começou a trabalhar com marcas como a Chanel, Estée Lauder, Louis Vuitton e Prada. A este sucesso, juntam-se várias revistas onde Anne assina vários editoriais de mapa e até capas. “Harper’s Bazaar”, “L’Officiel”, “Marie Claire”, “i-D”, “AnOther” são alguns dos muitos exemplos. Atualmente, é agenciada pela Streeters.

“Numa revista de moda, é sempre diferente. É um grande trabalho de equipa, há muita gente envolvida. De qualquer das formas, é criar uma história através de um visual”, explica, acrescentando que trabalha mais no mundo editorial para se conseguir expressar enquanto artista.

A capa da 21ª edição da revista “Dust”.

E acrescenta: “Não me sinto limitada, mas por vezes temos que seguir um briefing. Tento dar sempre o meu toque e, quando o faço, sinto que tenho mais sucesso perante o cliente. Pode ser algo mínimo, mas está lá”.

Apesar de conseguir o equilíbrio entre o estilo comercial e a vertente mais artística, algo que levou anos a construir, o seu objetivo sempre foi fazer um caminho mais experimental. Usa cores texturas e formas diferentes para gravar a sua visão nos vários rostos que passam pelas suas mãos. Pelo caminho, vai explorando novas vertentes. Tirou, inclusive, um curso de body painting para acrescentar outro tipo de skills às suas valências.

Um dos recentes trabalhos de que mais se orgulha está imprimido na capa da “Dust”, com um modelo pintado de branco, com os olhos entristecidos e os lábios bronzeados. “Gosto de brincar com expressões. Quero ter o poder criar uma expressão no rosto, mas sem impor”, diz.

Nos dias que correm, a miúda do Alentejo — atualmente uma artista de renome — continua a espalhar o glamour, grafismo e brilho que destacam o seu trabalho. Carregue na galeria para ver alguns dos melhores looks de beleza criados por Anne Sophie Costa.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT