Beleza

A portuguesa de 25 anos que usa o corpo como tela para criar obras de arte efémeras

Catarina Frazão não sabia aplicar base e nunca teve jeito para artes. Hoje faz maquilhagens artísticas dignas de exposição.
Aprendeu tudo sozinha.

“Nunca tive uma boa relação com as artes plásticas”, assegura Catarina Frazão à NiT. A revelação não parece ter sido feita por alguém que assume o controlo dos pincéis, muito menos pela jovem portuguesa que usa o próprio rosto como tela. A criadora de conteúdos de 25 anos manteve-se afastada durante muito tempo de qualquer outlet criativo que implicasse desenho ou pintura.

Em 2020, tudo mudou. Em plena pandemia, começou a entusiasmar-se com a área. Em dois anos, deixou de ser alguém que não conseguia sequer acertar no tom de base correto e tornou-se (muito) conhecida online pelos visuais elaborados que cria com recurso à maquilhagem. Já soma mais de 300 mil seguidores na sua conta TikTok, que apreciam a forma como as suas metamorfoses parecem simples.

“Não me sabia maquilhar, metia uma base laranja na cara e achava que estava pronta para dominar o mundo”, conta Catarina à NiT. “Durante o confinamento, fartei-me da cozinha, de tocar piano e de ver televisão. Decidi encomendar alguns produtos através da Internet e comecei a seguir tutoriais”. Sendo uma pessoa muito comunicadora e expressiva, precisava de uma outra forma de transportar o que estava a sentir para o exterior. Agora, através deste hobby, sente que  consegue passa as mensagens que pretende.

A autodidata ainda se recorda do primeiro vídeo que publicou, em junho de 2020 — afinal não foi assim há tanto tempo. Mais do que criar arte no próprio corpo, sentia a necessidade de dar vida às suas transformações drásticas. Quando viu um desafio de maquilhagem com transições que iam revelando ao som do hit “Barbie Girl”, dos Aqua, percebeu que era exatamente o que queria fazer. Começou a usar os cosméticos para expressar o seus estados de espíritos, sempre com recurso à linguagem audiovisual, claro.

Ode aos heróis de infância

Muitos miúdos sonham encarnar uma das personagens que vêm na televisão e Catarina não fugia a esta regra. Atualmente é ao universo da animação que vai buscar muitas das figuras que recria nas suas transformações, que acabam por ser uma espécie de regresso temporário a essa altura da vida.

“Sempre fui uma pessoa muito apegada à infância. Tive pais que me protegeram muito, era muito inocente e aquelas personagens eram os meus heróis”, acrescenta. “Se me perguntarem que tipo de filmes gosto mais de ver, vou responder: os de animação. Os vídeos com essas personagens são mais especiais que eu faço”.

@whatevercatarina

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♬ original sound – Catarina Frazão

No portefólio da estudante de Média e Jornalismo, encontramos personagens de filmes da Disney, vilões outrora assustadores e referências a séries de televisão. Seja qual for a inspiração, Catarina surge sempre irreconhecível.

A transformação não é apenas estética, também implica uma atitude diferente. Ao interpretar cada uma destas figuras, dando-lhes vida, cada etapa torna-se mais emotiva: “Gosto de me meter na pele delas. Tento sempre perceber qual é a história delas. Acaba por envolver muita emoção, porque eu faço lipsync e tento sempre sentir aquilo que elas transmitem”.

As pinturas corporais e a tridimensionalidade

Começou por usar o rosto como tela, mas necessidade de ir mais além surgiu pouco depois. Nas publicações mais recentes, um dos elementos que saltam logo à vista são as pinturas corporais que demoram, no mínimo, oito horas. Em alguns casos, prolongam a expressão facial, enquanto noutros funcionam independentemente do rosto. No entanto, fazem sempre parte da narrativa que Catarina quer contar com a transformação.

Noutros momentos, opta por dar tridimensionalidade à maquilhagem. Já aplicou cartolinas na cara, que cortou e pintou a seu gosto. Também utiliza uma pasta própria ou mistura latex com farinha, por exemplo, que acaba por moldar como pretende e cola na cara com um adesivo próprio. Nestes casos, o processo pode levar até quatro horas: “É um trabalho que as pessoas não percebem quando demora porque não aparece no vídeo”.

@whatevercatarina

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“Nunca tive uma relação muito boa com as artes plásticas. Não gostava”, revela. Aliás, explica que não se considera capaz de desenhar no papel da mesma forma que na pele. Nunca imagina o resultado final ao pormenor e acaba sempre por se impressionar. Quando as pessoas que a conhecem vêm o que partilha, ainda por cima assumindo-se como alguém impaciente, também se mostram incrédulos com as suas obras de arte efémeras.

“Não faço isto profissionalmente. Nem gostaria de fazer. É um momento muito meu. É algo que faço no meu quarto, a ouvir música aos berros”, descreve. “Se fosse, por exemplo, maquilhar noivas ou criar efeitos especiais para cinema, iria deixar de ser algo tão pessoal. Isto é mim para mim.”

Carregue na galeria para ver algumas das transformações de Catarina Frazão.

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