Beleza

Anabela Pereira: “Sinto-me injustiçada. Jamais usaria um produto que fizesse mal ao cliente”

A cabeleireira das celebridades defendeu-se após o Infarmed ter suspendido a sua marca lançada em 2021. "Isto foi uma denúncia."
Não poupou nas palavras.

Esta segunda-feira, 14 de novembro, o Infarmed suspendeu a venda de todos os produtos da Manubela Beauty Store. A marca foi fundada em 2021 por Anabela Pereira, cabeleireira conhecida por trabalhar com celebridades como Laura Figueiredo, Carolina Loureiro, Rita Marrafa de Carvalho ou Fanny Rodrigues.

“Apesar de Manubela Beauty Store Unipessoal ter informado que já iniciou a adoção de medidas necessárias para a correção das não conformidades verificadas, os produtos cosméticos da marca MANUBELA não devem ser colocados no mercado, comercializados ou utilizados”, explicou o Infarmed.

Anabela Pereira assegura que está a fazer de tudo para voltar a colocar os produtos nas prateleiras. Em conversa com a NiT, falou sobre toda a situação e como se sentiu injustiçada. “O meu lado da história vai ser, primeiro que tudo, a verdade”, começa por dizer. A própria marca já se manifestou no Instagram, com a publicação de um comunicado.

Com quem criou os produtos da marca? Foi em parceria com um laboratório?
Por uma questão de ética, e porque não tenho autorização da parte dos laboratórios, não vou dizer o nome. Acabámos de publicar um comunicado oficial. A empresa que trata desde sempre de todo o registo dos nossos produtos, tudo o que é necessário, acabou de o divulgar. É a BasePoint Consulting Services. São eles os responsáveis por tudo o que é meu, tudo o que é legalizações, conformidades, é onde está inserido o nosso técnico responsável com as devidas habilitações. Toda a parte de legalização e regulamentação é feita por esta empresa. Fomos apanhados de surpresa, que não é surpresa, mas fizemos o comunicado para tranquilizar o consumidor. O problema não está no produto, está é nas burocracias.

Que burocracias?
Em março, saiu um regulamento da União Europeia onde existia um ingrediente que foi proibido, o que afetou quase quatro mil empresas, não só a Manubela mas também marcas de renome. Tivemos de retirar o produto do mercado. Nós retirámo-lo mas alguém, que não sei quem é, no mês de agosto lembrou-se que ainda tinha o produto em casa (que já não está sequer à venda) e fez uma denúncia afirmando que o produto tinha esse tal ingrediente. Foi daí que se desenvolveu o processo. O Infarmed, claro, e com todo o direito porque é a entidade que exige respeito nesta área, pediu-nos todos os papéis e é isso que temos feito. Todo os papéis foram entregues. Porém, o que está a acontecer é que eles dão-nos prazos muito curtos porque as regras estão sempre a mudar. A União Europeia está em constante mudança. Podem sair novas circulares e temos de estar atentos. Houve uma em que nos deram poucos dias úteis e não conseguimos entregar. O problema não está no produto em questão, está na regulamentação de um tema que nos pediram.

O que é que pediram? Quantos dias vos deram para fazerem as alterações?
Não posso dizer isso ao certo porque não estou a par de tudo. Quer dizer, estou a par daquilo que aconteceu. Temos uma série de testes que temos de apresentar cada vez que há nova rotulagem. Cada vez que mudamos um texto temos de dar essa informação ao Infarmed. Penso que partiu um bocado por aí. É disso que estamos a tratar. Na primeira vez deram-nos dois dias úteis, depois têm-nos dado mais. Estamos a tratar de tudo, está tudo certo. A marca vai voltar muito em breve, estamos a contar que nem dez dias e a situação já esteja resolvida. A onda de amor de figuras públicas, de clientes, consumidores, ultrapassa seja aquilo que for. Só com o amor e a verdade é que se vence.

É a primeira vez que isto lhe acontece?
É verdade, em dois anos no mercado é a primeira vez. Isto foi uma denúncia. O formato em que tudo aconteceu foi mesmo uma denúncia, não foi absolutamente mais nada. Foi agora que se lembraram. Aquele produto já nem está no mercado e não conseguimos perceber bem… Já estava descontinuado. Não percebo o intuito de quererem fazer isto, principalmente a alguém que investe numa produção em Portugal. Alguém que é empresária e cria imensos postos de trabalho. Não percebo porque é que existe tanta legislação para umas coisas e depois não há fiscalização em tudo aquilo que sabemos no dia a dia, não só na minha profissão como em todas as áreas.

O produto que o Infarmed apontou já foi descontinuado. Este novo aviso é para as pessoas deixarem de o utilizar?
Automaticamente que falta o papel que eles querem, suspendem a marca. Em momento algum está lá escrito que a marca foi suspensa porque os produtos faziam mal à saúde publica, como aconteceu já com muitos outros produtos de várias marcas. O que diz lá é que a marca foi suspensa por papéis. É só isso.

No Instagram a Anabela afirmou que se sente injustiçada. Porquê?
Sinto-me mesmo muito injustiçada. Para já, porque estou há 32 anos no mercado e há dez anos na educação. Sinto-me injustiçada porque estou na profissão pelo bem e pela verdade. Jamais na minha vida usaria um produto que soubesse que faz mal ao meu cliente. Mas depois há tanta falta de fiscalização. Vejo que existem coisas em prateleiras de supermercados, lojas de cosmética, seja onde for, que fazem tão mal ao consumidor. Depois, não existe nada que defenda essa parte. Quando nós estamos pelo bem e praticamos o bem, como é que é possível estas coisas nos acontecerem? Chego à conclusão de que às vezes não podemos ser verdadeiros e temos de passar a ser falsos. Não podemos dar a informação totalmente verdadeira. É surreal. Na minha profissão nunca vi tanta falta de organização e fiscalização. Não tenho muito mais para dizer. É desumano. Sinto-me injustiçada porque estou pelo bem. Isto não é porque fiz mal à saúde pública. É por papéis, mas vale o que vale.

Sente que isto é uma perseguição mais pessoal?
Honestamente, tentei desde sempre fugir um bocadinho àquilo que sou como pessoa. O que tenho para dizer é que não existem marcas más. Existem é momentos infelizes na vida. Quem me fez essa denúncia teve um momento infeliz.

A Anabela sabe quem fez a denúncia?
Não sei. Sei que foi alguém, mas não sei se esse alguém foi uma pessoa ou uma marca. Não posso dizer quem foi nem quero saber, sinceramente. Não vivo a pensar nisso, quem fez é porque tinha de o fazer e cá estou eu para responder e dar a cara como sempre fiz.

Acha que pode ter sido por verificarem que a sua marca estava a ter um grande sucesso?
Não acho, tenho a certeza. Infelizmente o sucesso traz coisas muito boas, como outras negativas. Onde há sucesso há destas coisas. Foi o caminho que quis para mim, por isso tenho de o percorrer e aceitar.

Já está a fazer tudo para voltar com a marca.
A marca tem tudo. Só falta entregar um papel porque de resto temos tudo. A marca Manubela não está no mercado ilegalmente, como muitas outras que existem. Existem é burocracias e regras que vêm da União Europeia que temos de cumprir a tempo e horas. Mas não conseguimos estar em todo o lado, ao mesmo tempo.

Nas redes sociais diz que agora é que vai “arrasar”. O que é que vai mudar na sua marca?
Vou-lhe comunicar em primeira mão que a marca Manubela vai nascer brevemente com uma nova imagem que está a ser preparada há cerca de quatro meses. Vai ter nomes conhecidos a darem a cara pela marca e, no tempo e altura certos, todos vão saber. Porque isto é aquilo que mereço e aquilo que construí em 32 anos de profissão.

A Anabela trabalha com muitas celebridades. Já alguma delas lhe disse alguma coisa quanto a este assunto?
Quase todas, graças a Deus. Também quase todas partilharam nas redes sociais delas. As pessoas sabem porque é que estou no mercado. Além de usarem os meus produtos e verem a diferença que fez no seu cabelo, faço parte da imagem e auto estima delas.

Portanto têm sido tudo mensagens positivas, tanto dos clientes como das celebridades associadas.
É incrível. Tenho centenas de mensagens de pessoas que até estão a brincar com isto — e é preciso brincar.

A fórmula irá manter-se, uma vez que o problema não será esse?
Tudo igual. Está tudo legalizado. Os produtos não têm nenhum ingrediente que faça mal à saúde.

Vai continuar a trabalhar com o mesmo laboratório?
Claro. Nem pode ser de outra maneira. Quero produto nacional e estou com os melhores laboratórios.

O que é que as pessoas podem esperar do futuro da Manubela Beauty Store?
Podem esperar o novo rebranding da marca, pessoas que estão comigo aos anos e que me vão acompanhar, muitos lançamentos que vão acontecer, não só de produtos mas também de utensílios criados por mim. Estou no mercado porque defendo a saúde capilar e é nisso em que me vou focar.

Acha que esta questão pode ter sido um incentivo para si?
Isto não foi incentivo. Isto foi a certeza de que estou no caminho certo. Se não estivesse no caminho certo não estaríamos a falar nem saberia que eu existo [risos]. Quero agradecer encarecidamente por todo o apoio solidário que estou a ter de todos os consumidores, à minha equipa, parceiros Manubela, salões que estão comigo nesta caminhada, à minha família que me apoia todos os dias. Espero que todos os consumidores fiquem descansados porque isto não é uma questão de saúde pública. Só tem a ver com papéis.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT