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Cabeleireiros respiram de alívio: “Só queremos voltar a trabalhar”

Paulo Oliveira, sócio-gerente da Toni&Guy em Portugal, conta à NiT que a reabertura dos salões foi recebida com "uma enorme alegria e satisfação".
A NiT falou com o sócio-gerente da cadeia.

Depois de muitas semanas de desespero, finalmente uma boa notícia para os proprietários dos cabeleireiros e barbeiros, que vão poder voltar a abrir portas já a partir da próxima segunda-feira. A medida foi anunciada esta quinta-feira, 11 de março, pelo primeiro-ministro, que revelou ao País o plano de desconfinamento e que define uma reabertura gradual das atividades económicas, estabelecimentos comerciais e serviços públicos ao longo das próximas semanas. 

Paulo Oliveira, sócio-gerente da Toni&Guy em Portugal, conta à NiT que esta notícia foi recebida com “uma enorme alegria e satisfação”, acrescentando que o setor está preparado para o regresso “tal como esteve na reabertura após o primeiro confinamento”. Estes espaços foram encerrados a 15 de janeiro de 2021, depois da entrada do País no segundo confinamento obrigatório.

“Foram dois meses bastante difíceis, mas sempre com a esperança de que iríamos retomar a atividade”, continua o responsável, referindo que este foi um período que trouxe “bastantes dificuldades” a todo o setor, mais ainda do que aquelas que já tinham sido sentidas no primeiro confinamento, entre março e abril do ano passado. A elas, junta-se um “sentimento de frustração” de uma equipa de profissionais que esteve sempre preparada para trabalhar seguindo todas as medidas de segurança necessárias.

Ao todo, Paulo estima que o setor esteve parado cerca de quatro meses no último ano. “Nenhuma empresa reage saudavelmente a trabalhar 8 meses num período de 12 meses. O impacto foi enorme”, adianta. Em termos de valores, as perdas de faturação da empresa estão entre os 60 e 70 por cento e a consequência inevitável foi um corte nos postos de trabalho.

“Fizemos um downsizing na nossa empresa. Reduzimos o número de colaboradores e fizemos uma restruturação para nos enquadrarmos na situação em que estamos, mas esperamos que não seja irreversível. Queremos crescer e voltar a recuperar o leque de colaboradores”, refere. Uma das mudanças que planeiam passa por trabalhar numa vertente mais focada em espaços de rua e menos em superfícies comerciais.

Ainda assim, Paulo Oliveira revela que esta paragem obrigatória foi aproveitada para melhorar o negócio, estudá-lo e partilhar tendências com colegas da cadeia a nível mundial. Ao mesmo tempo, acompanharam também a evolução global da pandemia noutros mercados em que a Toni&Guy está presente, algo que viram como uma vantagem.

Desde que o primeiro-ministro anunciou ao País no final de fevereiro que o plano de desconfinamento seria apresentado a 11 de março, a equipa da Toni&Guy tem vindo a sentir uma ansiedade crescente do lado dos clientes. “O que aconteceu nos últimos dias foi um constante contacto por parte dos clientes. Agora existe uma grande vontade de voltar aos espaços. Acho que é geral a todo o sector. Apesar do grande impacto negativo, só queremos voltar a trabalhar para que a retoma seja o mais positiva possível.” A cadeia Toni&Guy tem quatro espaços em Portugal: dois em Lisboa, um em Cascais e um no Porto. 

Nas últimas semanas, o setor dos cabeleireiros, barbeiros e centros de estética tem vindo a manifestar o seu descontentamento com as atuais medidas do estado de emergência e uma paragem de atividade que está a causar perdas incalculáveis a muitos empresários. O movimento Estamos por um Fio, por exemplo, pedia um regresso generalizado à atividade a partir de dia 1 de março, referindo “mais ou menos 26 mil pessoas” que se sentem “desamparadas e receosas”, muitas delas a verem os seus negócios de cariz familiar hipotecados.

Um inquérito realizado pela Fixando a mais de 12 mil profissionais deste setor revelou ainda esta quinta-feira que metade dos cabeleireiros e barbeiros em Portugal não resistiria a mais 15 dias de atividade parada e 27 por cento não sobreviveria mais de 30 dias. Por cada dia, os profissionais do setor perdem em média 175€. Leia o artigo completo na NiT.

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