Beleza

A artista portuguesa que transforma pessoas em telas vivas (que brilham no escuro)

Joana da Silva já fez trabalhos para festas, publicidade e até em barrigas de grávidas. Pode demorar seis horas a pintar um corpo.
Joana começou a dedicar-se a esta arte em 2017.

Joana da Silva já estava na faculdade quando percebeu que, além de telas, também podia pintar corpos. Um programa de televisão levou-a a imaginar o que poderia criar ao olhar para as pessoas à sua volta como “arte em movimento”. Se maquilhava as amigas para as festas, pensou, não seria muito diferente.

Sempre teve “uma veia artística”. Após o secundário decidiu estudar artes plásticas, mas acabou por não concluir o curso. “Encontrei a maquilhagem a meio do caminho”, conta à NiT. E nunca mais largou o novo interesse.

A técnica do bodypainting (ou pinturas corporais, em português) tornaram-se, aos poucos, uma parte central do portefólio de Joana. De ativações de marcas a festas temáticas, campanhas publicitárias e animações de casamentos, destaca-se pelo estilo camaleónico — ora glamoroso, ora assustador.

O primeiro passo para explorar este mundo foi uma formação de beleza completa, em 2007. Aí, percebeu logo que aquilo que mais a interessava era a parte criativa da maquilhagem. Contudo, sabia que não conseguia sobreviver só com o bodypaiting e começou a fazer um pouco de tudo.

“As primeiras experiências que tive foi com o estágio final. A formadora do curso chamou as alunas para a judar numa gala de aniversário”, recorda. “Fizemos pinturas de árvores em meninas como se fossem peças decorativas, com flores e folhas. Adorei aquilo.”

Para se sustentar, numa fase embrionária da sua carreira, Joana começou a dedicar-se à maquilhagem nupcial. Apesar do contraste, explica, também se apaixonou pela beleza mais clássica. “Não gosto de fazer o mesmo todos os dias”

Joana a trabalhar para uma peça de teatro.

Atualmente, os pedidos para trabalhos sociais e artísticos já são mais equilibrados. Se há uns anos “não era uma arte tão conhecida e não se via muito”, há cada vez mais empresas a procurar um tipo de serviço mais artístico. Por vezes, são os próprios clientes que pedem às promotoras dos eventos.

Para pintar um corpo, as tintas usadas têm de ser todas à base de água e próprias para a pele: não são acrílicas, nem guaches. “Também existem opções à base de álcool, mas são mais difíceis de remover e muito raramente uso. Não se justifica na maior parte das vezes.”

Em média, um trabalho de bodypainting demora entre duas horas, no caso das ideias mais simples, e prolonga-se até às 6 horas, se for algo mais elaborado. O tempo depende não só da complexidade dos desenhos, mas também da quantidade de pele pintada ou do trabalho do modelo.

“A tela é lisa. O corpo, além de ser tridimensional, também está sempre em movimento e a perspetiva depende sempre de onde a pessoa vai estar. Às vezes está mais alta, baixa, próxima ou distante. É todo um desafio pensar nestes ângulos”, explica.

Quando as luzes se apagam

Com o passar do tempo, Joana passou também a explorar pinturas com tintas que brilham no escuro. “Falámos das maquilhagens UV nas minhas primeiras formações, mas só comecei a explorar isso mais tarde”, assegura à NiT.

O convite veio em 2021 por parte da discoteca Baixa Clubbing, no Porto, que lhe pediu para, uma vez por mês, pintar as trabalhadoras do espaço com tons fluorescentes. Tratavam-se de festas temáticas, com um DJ específico, e apostaram nesta imagem até então pouco comum para chamar à atenção de novos clientes.

“Comecei a abusar mais das tintas UV, mas são muito difíceis de trabalhar”, explica. “A textura é mais seca e, se tiver muitas camadas, começa a encaracolar com o movimento do corpo.”

As tintas UV “são mais difíceis de trabalhar”.

Outra das dificuldades é que a mistura de cores é totalmente diferente da tradicional. Sob a luz negra, azul e vermelho não vão criar um matiz roxo, como estamos habituados. “Cheguei a fazer outra formação para perceber toda a teoria da cor.”

Movida por este novo interesse, especializou-se num workshop num festival de bodypainting em Klagenfurt, na Áustria. O evento mundial acontece desde 2017, é frequentado por artistas de 50 nações e atrai muitos milhares de espectadores que assistem aos cursos e às competições.

Entre tantas pessoas que partilhavam a mesma paixão, aperfeiçoou a técnica: “Estamos a pintar algo que não conseguimos ver sem a luz negra, então não tem nada a ver com o que aparece à nossa frente depois. Temos que prever o que vai sair dali e pensar as cores todas de forma inversa.”

Contudo, o bodypainting não é suficiente. Joana quer ainda investir na criação de adereços para complementar as pinturas, desde peças de roupa a acessórios para a cabeça.

“Não sou formada em costuma, mas gostava de ter mais experiência. Alguns temas requerem complementos mais elaborados”, conclui. Pode conhecer mais do trabalho de Joana da Silva através da sua página de Instagram.

Carregue na galeria para ver mais exemplos do trabalho da maquilhadora.

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