Beleza

Freckles Lisbon: o estúdio em Lisboa onde é possível tatuar sardas no rosto

O processo é feito com uma tinta própria e pode durar até três anos. O resultado é natural, mas há vários cuidados a ter.
Há quem odeie ter e quem as cobice.

Até aos anos 60, era comum as marcas de cosméticos lançarem produtos que ajudavam as mulheres a livrarem-se dos sinais no rosto. “As sardas destroem a aparência” e afirmações semelhantes eram slogans comuns. Afinal, as manchas eram associadas a longas horas passadas ao sol trabalhando em plantações — ou seja, eram sinónimo de baixo estatuto social.

Eventualmente, o preconceito diminuiu a cultura hippie adotou-as como um símbolo de juventude e liberdade e chegaram às massas. Em 1995, a Chanel tornou-se na primeira marca de moda a lançar um produto específico para desenhar sardas no rosto. Chamava-se Le Crayon e prometia dar “inocência e graça ao estilo”, tal como a modelo Twiggy já emanava na década de 60. Aos poucos, a tendência espalhou-se pelas mais importantes semanas da moda e chegou às massas.

A partir de 2000 em diante, o desejo de ter pequenas manchas espalhadas pela pele ganhou novas proporções. Afinal, sardas não são nada mais do que concentração de melanina, o pigmento que dá cor à pele, resultante da exposição ao sol. E, dos tutoriais aos truques mais insólitos, há quem dedique horas por dia a desenhar pintas falsas com maquilhagem. Agora, a loucura atingiu outro patamar e são tatuadas no rosto.

A micropigmentação cosmética recria a aparência de sardas naturais. Podem ser feitas no nariz, nas bochechas, nas têmporas, no queixo ou em qualquer outra parte do corpo. Embora a maioria as queira redondas, também é possível obter formas como estrelas, corações ou o padrão de uma constelação astrológica.

Um dos motivos da popularidade é o facto de realçarem uma beleza natural, criando um aspeto jovem. O procedimento permite ainda uma personalização da forma, cor e distribuição, melhorando a autoestima de todos os que gostariam de ter estas manchas e demoram tempo a simulá-las com maquilhagem todos os dias.

“As sardas enquadram-se na categoria de tatuagem cosmética, que dura alguns anos e desaparece gradualmente. São feitas com pigmentos que o corpo pode metabolizar”, começa por explicar à NiT a especialista Joana Santos. “É adequada por permitir o desbotamento dos resultados. Se alguém mudar de ideias, pode deixá-las desaparecer.”

A jovem formou-se em estética avançada, incluindo microagulhamento, peeling químico, jato de plasma e limpeza de pele. Mais tarde, insatisfeita com a oferta, viu esta ideia na Internet e começou a explorá-la até que, em 2022, surgiu a oportunidade de lançar o seu próprio projeto.

 
 
 
 
 
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O Freckles Lisbon, em Lisboa, é um dos espaços mais populares para recorrer a este tipo de serviço. “Comecei este projeto há dois anos quando as pessoas ainda não sabiam que este serviço existia. Não imaginavam que era possível acordar com sardas no rosto sem terem de perder tempo a desenhá-las de manhã”, acrescenta a fundadora.

Desde então, a adesão tem crescido entre pessoas de todas as idades. A procura aumenta no verão, porém, há cuidados redobrados nos primeiros sete dias para não comprometer a cicatrização: deve evitar idas à praia ou à piscina, exposição solar, sessões de bronzeamento, tratamentos com ácidos e peelings ou suar excessivamente. Após esse período, recomenda-se o uso de protetor solar 50+.

Como se fazem?

A fundadora do estúdio revela que as sardas são feitas com uma máquina PMU (permanent make-up) ou uma ferramenta de mão. Os pigmentos são depositados perto da superfície da pele, para poderem parecer naturais, distribuindo-se o processo em duas sessões com o retoque necessário.

“À medida que a pele recupera do procedimento inicial, uma certa quantidade do pigmento é extraída e as sardas clareiam até 40 por cento”, explica. Na primeira consulta faz-se a maioria do trabalho, mas é necessário complementar esse resultado.

O processo pode levar até 90 minutos, dependendo da quantidade e da zona do rosto desejada. Antes ainda se fazem os testes de cor e o pré-desenho para garantir que fica ao gosto do cliente e, garante, é indolor. “A maioria das pessoas faz tudo de forma tranquila, embora existam zonas do rosto mais sensíveis.”

Um dos resultados da Freckles Lisbon.

Dependendo do tipo de pele e do estilo de vida, as sardas podem durar até três anos. No entanto, alguns fatores podem acelerar o desbotamento, como a exposição solar frequente, a natação em água clorada ou salgada, ou o fumo excessivo, por exemplo.

Na primeira semana, deve ainda ter cuidados como não molhar (nas primeiras 24 horas) e lavar a cara apenas com gel lavante de PH neutro. Deve ainda aplicar o cicatrizante de tatuagem 3 vezes ao dia e não usar maquilhagem, praticar atividade física (durante dois dias) ou usar produtos cosméticos como ácidos.

Apesar dos esforços, a maioria dos clientes precisa de um retoque anual. A primeira consulta pode ser marcada um mês após a sessão inicial, uma vez que a pele tenha tido tempo de cicatrizar.

“Este trabalho não se trata apenas de criar sardas, mas de algo muito maior. Para mim é a ideia de realizar um sonho e de contribuir para a autoestima das mulheres, que muitas vezes dizem que estão mais confiantes e deixaram de usar maquilhagem”, conclui.

As sardas tatuadas custam, em média, 150€ e, no caso da Freckles Lisbon, as marcações podem ser feitas online.

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