Numa altura em que se fala, cada vez mais, no movimento de “smart beauty”, as rotinas de beleza entram numa nova era. Ganham destaque os produtos multifunções, dá-se prioridade à simplificação e redução dos passos e abre-se espaço para novas tecnologias que oferecem a certo tipo de artigos um lugar cativo no nécessaire de milhares de mulheres.
Impulsionados por estas tendências, há vários formatos a chegar ao mercado como os perfumes sólidos. Compactos e fáceis de aplicar, são uma das propostas que estão a ganhar a preferência das clientes e, ao que parece, vieram mesmo para ficar. São também super práticos para levar na carteira para todo o lado (ao contrário dos frascos pesados dos perfumes tradicionais).
A textura suave e as embalagens minimalistas e sofisticadas, evocam a nostalgia de uma estética vintage. Porém, surgem agora numa versão contemporânea e que valoriza, mais do que nunca, a praticidade.
“Diferenciam-se dos perfumes tradicionais pela base em que a fragrância é veiculada”, refere o perfumista Fábio Navarro, citado pela “Vogue” brasileira. “Em vez de álcool ou de água, é formulado com uma base cerosa, como a cera de abelha, o que muda tanto a sua textura como o seu modo de aplicação.”
Além disso, os perfumes sólidos são mais concentrados. Não seguem a divisão tradicional (como eau de parfum ou eau de toilette) porque os níveis dos óleos essenciais variam, mas isso não deve ser uma preocupação. “Como não há evaporação do álcool, a fragrância costuma ter uma boa fixação e mantém-se na pele por mais tempo”, acrescenta.
A textura do produto não deixa resíduos de cor, apenas os delicados aromas. O perfumista sénior da Givaudan, Alexis Grugeon, afirma que é “uma maneira divertida de descobrir e aplicar fragrâncias”. “ A sensação mais íntima é bastante única e permite que os consumidores perfumem zonas específicas do corpo”, acrescenta.
Com a ponta dos dedos, pode retirar uma pequena quantidade e aplicar suavemente nas regiões desejadas, com toques leves. Para obter melhores resultados, as marcas recomendam a aplicação na zona dos pulsos, pescoço e na parte superior do peito.
A aplicação é bastante simples, não deixando a pele pegajosa, e o formato compacto, idêntico a um batom, torna-o prático para transportar. “É um formato alinhado a um estilo de vida mais minimalista e, dependendo da escolha da embalagem, também pode ser mais sustentável, com menor impacto logístico”, diz Navarro.
Um fascínio em Portugal
Por todos estes motivos, só nos últimos dois anos, as pesquisas pelo termo “solid perfume” (“perfume sólido”, em inglês) aumentaram cerca de 68 por cento em todo o mundo, de acordo com os dados do Google Trends.
Uma das marcas que mais tem apostado neste segmento é a Dior, que começou por lançar uma versão em stick da icónica linha de perfumes Miss Dior, lançada em 1947, chamado Mini Miss. Seguiu-se o J’adior, uma versão em miniatura do J’adore Dior que pode levar para todo o lado.
Em Portugal, esta também tem sido uma das apostas da perfumaria Next Memory, que acaba de inaugurar o seu The BeSpoken Garden, em Lisboa. Estas fragrâncias recarregáveis e sem álcool surgem em caixas personalizadas, com peles vegan e iniciais coloridas.
Em setembro, estas criações portuguesas foram mesmo reconhecidas na categoria de Melhor Embalagem nos prémios Marie Claire US Fragrance Awards 2025, promovidos pela revista norte-americana. Foi destacado, em particular, o perfume Ruby Flower.
Não é assim tão recente
Até pode ser uma moda atual, mas os perfumes sólidos já são usados há milhares de anos. A origem remonta à altura do antigo Egipto, quando era criado a partir de uma mistura de cera de abelha e óleos essenciais. Mais tarde, passaram a derreter folhas, flores e ervas aromáticas com gordura animal.
Feitas as misturas, eram colocadas em pequenos potes decorativos para serem transformados num bálsamo sólido. “As mulheres tinham recipientes lindos para os seus perfumes sólidos. Era uma ótima maneira de transportar uma fragrância”, conta Sue Phillips à revista “Parade”.
O regresso aconteceu nos séculos XX e XXI, tornando-se muito popular nos anos 60 e 70, nos Estados Unidos da América, mas acabou por sair de moda. No caso dos homens, também começaram a ser usados cremes no cabelo ou na barba, muito semelhantes a uma fragrância em stick.
Carregue na galeria para conhecer algumas propostas de perfumes sólidos disponíveis no mercado.

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