Beleza

Mullet: o corte de cabelo mais traumatizante dos anos 70 vai voltar em 2021

Billie Eilish, Miley Cyrus, Rihanna e Maisie Williams são algumas das celebridades a aderir ao estilo no final de 2020.
Mylie Cyrus e o primeiro mullet do ano.

Inesperado. É com esta palavra que descrevemos 2020 em apenas uma palavra. O ano da pandemia de Covid-19 acabou por ser palco para muitas tendências bizarras bem características das circunstâncias, entre elas, por exemplo, a das peças de roupa que já vêm com máscaras de proteção incorporadas. Na beleza, as influências dos anos 90 e 2000 têm estado em destaque, mas parece que vem aí um corte de cabelo que nem o ano mais estranho das nossas vidas faria prever.

Segundo o “The Guardian“, além dos cabelos rapados e franjas à anos 90, à medida que o ano se aproxima do fim começou a emergir também um novo corte recuperado das profundezas dos anos 70 — e que bem podia ter ficado por lá. Chama-se mullet e não tem tradução para português. Está a ver aquele cabelo estiloso de Joe Exotic em “Tiger King“? Ou a trunfa de André Agassi em alguns dos seus torneios de ténis mais memoráveis?

Basicamente, consiste num corte de cabelo em que metade dos fios estão concentrados numa franja larga e volumosa e o restante é mais curto dos lados e comprido atrás. “O mullet moderno só vai tornar-se maior em 2021”, disse ao “The Star” Tony Copeland, co-fundador da British Master Barbers Alliance. “Vamos ver mais homens de norte a sul do país a andar por aí com este estilo. O cabelo comprido vai ser notícia em 2021 e os produtos capilares para controlar estilos mais compridos vão explodir no próximo ano.”

O twist moderno é que, agora, também as mulheres vão aderir ao mullet. Este ano já vimos o penteado em celebridades como Miley Cyrus, que o estreou logo em janeiro; em Rihanna, durante a apresentação da colaboração entre a Savage e a Fenty; na atriz de “A Guerra dos Tronos” Maisie Williams; nas cantoras Billie Eilish e Leigh Ann Pinnock, das Little Mix; no músico Troye Sivan e, claro, com o extravagante Joe Exotic numa das séries de culto do ano a chegar à Netflix.

Já Suzi Ronson, a especialista que criou o penteado de David Bowie para Ziggy Stardust, explicou como o corte surgiu em 1972. “[Bowie] chegou ao espetáculo para me mostrar uma fotografia numa revista. Era de uma modelo da designer de moda Kansai Yamamoto com cabelo curto, vermelho e espetado. Ele disse: ‘Consegues fazer isto?’ Quando eu disse que sim, estava a pensar: ‘Isto é um pouco estranho. É um corte de mulher. E como vou fazê-lo de facto?”, escreveu no livro “The Moth: All These Wonders”.

Segundo o “The Guardian”, o regresso do mullet pode muito bem estar enraizado numa cultura moderna, de neutralidade de género e assente na emergência dos ícones da comunidade LGBTQI. “O sentimento de que o mullet é particularmente sem classe, datado e horroroso ainda é dominante”, disse Willa Paskin, anfitriã de um podcast dedicado à história do penteado. “Isso é exatamente o que as subculturas que abraçaram o mullet — miúdos electropunk, bimbos, fashionistas, homossexuais — gostam em relação a ele. A forma como torce o nariz à respeitabilidade mainstream”, conclui.

mullet
Maisie Williams, Leigh Ann Pinnock e Billie Eilish.

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