Beleza

O estúdio de tatuagens favorito de Otávio, Ederson (e muitos outros futebolistas)

A Piranha, em Viseu, é uma referência para jogadores dos maiores clubes nacionais e não só. Recebem clientes de todo o mundo.
É um caso de sucesso internacional.

Estávamos em 2019 e a época desportiva não corria bem para o Futebol Clube do Porto. Entre o descontentamento da equipa e dos adeptos, Otávio decidiu fazer uma paragem em Viseu sem que ninguém desconfiasse. Pode não ser o destino mais óbvio, mas a cidade tornou-se um destino de eleição para o atleta — e outros colegas de profissão — fazer novas tatuagens.

“Quando chegou, referiu que não queria que aparecesse nada sobre a visita. Só podia ser no final da época. Não era um momento para fazer alarido e festa e estaria em apuros com as pessoas do clube”, recorda Pedro Miguel Dias, diretor da Piranha Tattoo Studios, em conversa com a NiT.

Já são duas décadas e as histórias acumulam-se. Situado na Quinta da Saudade, no centro de Viseu, o estúdio de tatuagens é conhecido por receber alguns dos nomes mais conhecidos no mundo do desporto. Sabem que vão ter uma experiência natural, mas com a reserva que procuram, graças à sala privada— e uma equipa de especialistas escolhida com rigor.

O currículo é impressionante. Além dos relvados, atendem ainda nomes do mundo da música e recebem pessoas de vários pontos do globo. A maioria dos estrangeiros passa pela cidade apenas para visitar a Piranha. Este sonho de um jovem de 26 anos começou com um cardume de 13 clientes, mas já soma milhares de visitantes.

Como tudo começou

“A arte esteve sempre presente na minha família. A minha mãe era artista plástica e o meu pai tinha uma empresa de tipografia. Estávamos muito envolvidos com a ilustração”, conta o fundador, atualmente com 47 anos. “Ao mesmo tempo, sempre tive essa veia empreendedora”, acrescenta.

Curiosamente, Pedro sempre preferiu o mundo do desporto, que o visita diariamente. Começou por ser atleta semiprofissional de futebol e licenciou-se em motricidade humana, em Gaia. Porém, ao contrário da maioria dos colegas, optou por não dar aulas e acabou por arriscar numa indústria que ainda dava os primeiros passos.

Tornou-se um sério caso de sucesso.

Após abrir uma loja de surf e skate, aos 18 anos, ainda teve um pequeno negócio de ilustração em postais. Aos 21, assumiu o franchising da marca britânica The Elephant House e foi adicionando mais ofertas, ligadas à tabacaria e bijuteria. “Era uma espécie de gift shop”, explica.

Abriu o primeiro espaço em 2004 numa cave do tamanho de um quarto, em Tondela. Nesse ano, visitou uma feira em Madrid e conheceu um fabricante de piercings inglês. Colocou as joias na loja e, mesmo num meio pequeno, as propostas começaram a ter um alcance cada vez maior.

Só em 2005, quando se mudaram para o concelho de Viseu, tiveram as primeiras experiências com tatuagens. Numa das suas viagens, Pedro comprou alguns materiais a distribuidores em Barcelona. Quando deu por isso, era o seu principal cliente em Portugal: “Era uma altura em que havia seis ou sete espaços [de tatuagens] no País.”

Além deste core, a empresa também passou a fabricar equipamentos, consumíveis e materiais distribuídos para todo o mundo. As luvas pretas, que hoje muitos associam a estes profissionais, foram criadas pelo empresário viseense. Na altura, usavam-se apenas modelos brancos e verdes, como nas farmácias.

A chuva de estrelas através passa a palavra

A mudança para a capital de distrito, a popularidade catapultou graças às recomendações. Numa primeira fase, estavam situados ao pé do Fórum Viseu, à frente da estação rodoviária, e começaram por atrair muitas pessoas locais. Ao mesmo tempo, conheciam todos os dias artistas de várias partes do mundo.

“Tivemos sucesso porque foi o primeiro caso de profissionalização do setor. Naquela altura, os artistas não tinham tanto rigor. Era tudo muito underground”, afirma. “Trouxemos um novo olhar e fugimos daquele estigma de que os estúdios eram pretos, com caveiras e rockabilly. E apostámos num vasto número de artistas organizados por estilo.”

A decoração diferencia-se da concorrência.

Os primeiros rostos conhecidos a passar pela Piranha foram Diana Pereira, a supermodelo dos anos 90, e o automobilista Tiago Monteiro, com quem era casada. Depois, começaram a tatuar cada vez mais pessoas ligadas ao desporto automóvel, sempre graças ao passa-palavra.

Nunca foi um objetivo, mas encontraram o seu nicho nos jogadores de futebol. “Surgiu de uma forma natural. Descobriam-nos quando alguém nos recomendava ou nos encontrava num evento. São pessoas que estão sempre a procurar referências, porque gostam de trabalhar com os melhores.”

A procura escalou quando começaram a receber jogadores que passaram pelos maiores clubes nacionais. Ederson Moraes, Anderson Talisca, Salvio e Renato Sanches, antigas estrelas do Benfica, assim como Alex Telles, Otávio e José Sá, nomes que estão gravados na memória dos adeptos do Porto.

“Com as figuras públicas, temos algum cuidado em divulgar que estão ali para não termos muita gente à frente do estúdio”, explica. Numa visita de Ederson Moraes, o futebolista meteu uma história na sua página de Instagram e, em poucos minutos, tinham cerca de 200 pessoas à porta para o ver.

Aconteceu uma situação semelhante com o rapper Piruka. “Estávamos a tatuá-lo, numa convenção no Porto, e começou a fazer um vídeo em direto. A loja em Viseu ficou entupida por miúdos que queriam autógrafos, mas nem sequer estávamos lá.”

Além de se influenciarem reciprocamente, a sua visibilidade “tem um efeito multiplicador” nas visitas. “Veio cá a Blaya e tivemos mais pessoas do mundo da música a mandarem mensagens. Quando recebemos o Alex Ferreira, da seleção nacional de voleibol, vieram mais três ou quatro atletas a seguir. Acaba sempre por acontecer esse fenómeno.”

Recebem clientes de dezenas de países.

Atualmente, 80 por cento das pessoas vêm de fora do distrito, nomeadamente estrangeiros que querem passar por esta experiência. Gravam a pele de imigrantes da França, Alemanha ou Suiça, mas tornou-se um fenómeno também em marcados menos óbvios. Japão, Singapura, Panamá, Austrália, Argentina e Estados Unidos são alguns dos exemplos.

Para os receber, a Piranha conta com um coletivo de seis artistas, especializados em vários estilos, além da gerente do estúdio. “Muitas vezes, pensam que temos um determinado posicionamento, mas o objetivo foi ser sempre um local inclusivo. Estamos a trabalhar pelo lado da arte e só queremos ter excelentes profissionais.”

O nome surgiu devido a uma alcunha dada a Pedro, quando ainda tinha a loja de surf. Assumiu-o na altura e usou-o para criar um legado que não só casa com a indústria em que se insere, como representa “a agressividade” e a insaciabilidade que querem ter no mercado.

“É esse o ADN da piranha: nunca estar contente com o que temos”, conclui, acerca da loja que tem como slogan a expressão “hunger for more”, presente no logótipo. E, com mais de 109 mil seguidores no Instagram, a ambição é mesmo um case de fome de alcançar mais, tal como o animal que apresenta a marca.

Carregue na galeria para ver algumas imagens do trabalho que é feito na Piranha Tattoo Studios.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Quinta da Saudade, Lote 228 - Loja 6
    3500-632 Viseu
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado das 10h às 13h e das 14h30 às 19h

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