Beleza

Vera criou o maior grupo do País para ajudar mulheres com cabelos encaracolados

O Cacheadas de Portugal organiza diversos encontros e eventos. Com palestras, stands de marcas e até cortes ao vivo.
Vera começou a preocupar-se com o cabelo na adolescência.

É aquela velha história: se imensas mulheres fariam tudo para ter caracóis, muitas das que têm uma cabeleira rebelde passam a vida com a prancha na mão. Mesmo as que assumem a curvatura natural, deparam-se com a falta de produtos no mercado ou profissionais que não conseguem dar resposta às suas necessidades.

O principal problema é o facto dos cachos encolherem nas idas ao salão, devido ao formato em espiral. Existe ainda uma especial tendência para que estes fios fiquem mais desidratados, secos, frisados e, em situações mais graves, pode mesmo perder-se a definição.

Vera Pereira, de 24 anos, começou a perceber esta falha ainda durante a adolescência. “Quando era pequena, a minha mãe não sabia cuidar do meu cabelo e era muito difícil encontrar produtos no mercado. Só quando comecei a preocupar-me com a minha aparência é que fui à procura de soluções”, conta à NiT.

A necessidade levou-a a criar de uma página no Facebook, em 2015, “sem grandes conhecimentos”. Na altura, eram partilhadas diversas imagens sobre cabelos encaracolados, assim como alguns desabafos da fundadora. A partir daí, a comunidade começou a crescer.

“Recebíamos centenas de mensagens diariamente de pessoas que não sabiam cuidar do seu visual. Algumas pediam dicas, outras perguntavam sobre produtos que não encontravam”, recorda. E as horas que passava a pesquisar sobre assunto tornaram-se uma mais-valia na rotina das seguidoras.

Atualmente, o Cacheadas de Portugal é o maior grupo dedicado a mulheres com cabelos encaracolados no nosso País. Além da presença digital, que junta dezenas de milhares de pessoas, a iniciativa também promove encontros pelo País com formações, workshops e stands com produtos. E têm sido um sucesso.

A fundadora, natural de Vila Franca de Xira, ainda trabalha como empregada de balcão. Mas não esconde o desejo de, um dia, se conseguir dedicar a 100 por cento a esta ideia, na qual tem investido cada vez mais tempo. Já fez várias formações na área e o objetivo é continuar.

Cacheadas de Portugal
Vera é a fundadora.

Os encontros pelo País

O grande boom do projeto — que, entretanto, chegou a palaformas como o Instagram, o WhatsApp e o Youtube — deu-se em 2018, quando aconteceu o primeiro encontro, em Lisboa. Vera teve a ideia a pensar que ia contar com meia-dúzia de pessoas e, quando abriu as inscrições, deparou-se com quase uma centena de interessados.

Na altura, a fundadora estava longe de imaginar a dimensão que esta iniciativa viria a ter. Ainda não havia marcas envolvidas ou muitas atividades. Era apenas um grupo de pessoas que tinham interesses (e preocupações) em comum, que se juntavam para facilitar a rotina diária umas às outras.

“Uma vez fomos a uma feira, no Porto, e levámos uma menina. No final, o marido veio agradecer-nos, porque ela estava depressiva e a experiência mudou radicalmente aquilo que se sentia”, diz. “Ouvimos testemunhos destes quase diariamente.”

Lançada as sementes, fizeram o segundo encontro em 2019, desta vez com o dobro dos participantes. E, no ano seguinte, aconteceu a primeira viagem patrocinada, com o apoio da marca Gota Dourada, até ao arquipélago das Berlengas. A experiência destinada a várias embaixadoras não teve qualquer custo associado.

“Os eventos são sempre gratuitos e os locais são escolhidos através das parcerias que vão surgindo. Só queremos que sejam espaços acolhedores e amplos para recebermos o número de interessados, que não para de crescer”.

O encontro mais recente decorreu este domingo, 3 de dezembro, no bairro The Hood no centro comercial UBBO, em Lisboa. Os presentes assistiram a palestras dadas por especialistas, uma sessão de conversas e até um corte de cabelo em direito feito por uma hairstylist.

No entanto, “o público é maioritariamente feminino e não queremos mostrar só coisas para o cabelo”, diz. Vera tenta que haja sempre outras atividades engraçadas, como aulas de zumba, samba no pé ou até forró.

Além disso, há sempre produtos das marcas envolvidas no projeto — e nunca estão para venda. “Este ano, criámos um passaporte em que os participantes iam ao stand de cada marca, partilhavam uma foto lá e ganhavam um carimbo. No final, recebiam uma beauty bag com produtos.”

Cacheadas de Portugal
O primeiro encontro aconteceu em 2018.

A lista inclui marcas que se preocupam, sobretudo, com fios encaracolados. Falamos de etiquetas como a marca de cosméticos Salon Line, os acessórios para o cabelo da Solta e a etiqueta espanhola Marizia. O aconselhamento digital diário do grupo tem ultrapassado as fronteiras nacionais.

Apesar da cumplicidade, e da “energia incrível” dos eventos, Vera reforça que é crucial “falar com especialista em caracóis”, porque “nem todos os cachos são iguais e é importante ter atenção a estas diferenças”. Nas mensagens que recebe no grupo privado no WhatsApp — com centenas de pessoas — este é um dos tópicos mais recorrentes.

O objetivo é organizar estes eventos maiores uma vez por ano, intercalando-os com outras iniciativas mais pequenas. Neste momento, já está a ser preparado um novo momento de partilha em fevereiro, que vai ser dedicado ao Carnaval. “Há sempre pessoas novas. Todas são bem-vindas”, conclui.

Pode saber mais sobre o Cacheadas de Portugal no site do projeto. E, para a ajudar a manter os seus cachos no seu melhor, a NiT fez um roteiro com oito paragens obrigatórias na Grande Lisboa para quer cuidar dos seus fios naturais.

Carregue na galeria para conhecer os salões favoritos de quem tem cabelos encaracolados.

 

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