Decoração

A casa mais espetacular de Lisboa tem uma ponte direta para o telhado do MAAT

Está no alto da Junqueira, com vista para o Tejo e o Museu da Eletricidade. É um sonho da arquitetura portuguesa.
Foto: Francisco Nogueira

A sinuosa ponte que parte do miradouro por cima do MAAT em direção à Rua da Junqueira termina precisamente à porta daquela que é uma das casas mais espetaculares de Lisboa. E desde que foi colocado (literalmente) o último tijolo, que os donos não têm descanso.

“Não estavam à espera que tivesse este impacto, as pessoas estão continuamente a falar com eles, a fazerem perguntas sempre que vêem alguém a sair de lá”, conta à NiT o arquiteto do projeto, António Costa Lima.

Vencedora de um prémio A+ Award, do portal Architizer, na categoria de edifícios com tijolo, roubou parte da inspiração à vista privilegiada não só sobre o MAAT, mas sobre os garridos tijolos da fachada do Museu da Eletricidade. A zona ribeirinha e a história são, de resto, as traves mestras da inspiração deste arquiteto de 51 anos.

Foto: Francisco Nogueira

Antes de lançar a obra, foi necessário ganhar o concurso promovido pelo dono do espaço. Conquistado esse primeiro passo, chegou a vez de convencer o investidor a não fazer qualquer demolição das paredes do edifício original, que servia de habitação e de armazém.

Em tempos, ali trabalhou o então famoso ferrador do Altinho — nome da pequena praceta na rua da Junqueira, com uma elevação que lhe dá uma vista maravilhosa sobre o Tejo —, cujas ferramentas e maquinaria ainda deixaram as marcas. E que foram aproveitadas nesta reabilitação.

“A nossa primeira intenção e o primeiro desafio foi o de tentar preservar essa parte histórica. Isto porque a cidade de Lisboa tem a sua génese na atividade portuária, nos armazéns da atividade fluvial que se espalham pela zona ribeirinha. Acho que faz parte da história e deve ser mantida”.

Assim nasceu a inspiração para os dois materiais que marcam o novo edifício: o ferro e o tijolo. Manteve-se a fachada do armazém, sobre a qual “foi enxertada” a casa, um “volume que nasce no interior da muralha” e que “não toca no solo”.

A casa divide-se em três pisos, com um total de cerca de 450 metros quadrados. A construção “ao contrário” implica que no rés-do-chão se encontrem as zonas mais técnicas, de lavandaria e de serviço; no piso intermédio a área privada dos quartos; e no topo a área social, composta por uma sala de estar, a cozinha e um terraço com vista para o rio.

No caminho do projeto que foi nomeado para os prémios da revista de arquitetura “Dezeen” pode estar ainda outro prémio: é um dos finalistas do Constuir, cujas votações já terminaram e aguarda-se agora o veredito final.

Carregue na galeria para ver as imagens da casa mais cobiçada e espetacular de Lisboa.

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