Decoração

A cientista portuguesa que está a remodelar (sozinha) uma casa dos anos 40 nos EUA

Joana Bianchi cria os seus móveis e vira as divisões do avesso. "Nunca vai estar completamente finalizada", explica.
As obras arrancaram há 4 meses.

Antes de concluir o doutoramento em Imunologia no Instituto de Medicina Molecular (em Lisboa), Joana Bianchi mudou-se para o Texas, nos EUA. Na altura, em 2020, tinha ido àquele estado norte-americano para apresentar o seu trabalho de investigação numa conferência. No evento, foi abordada por um investigador que procurava contratar alguém “com esta expertise” para a sua equipa. Como ainda não sabia o que iria fazer em Portugal, “onde não é fácil trabalhar com ciências”, aproveitou a oportunidade.

Uns meses depois, começou a trabalhar no Baylor Collge of Medicine, em Houston. Uma vez lá, teve de lidar com o típico dilema de quem decide fazer as malas e mudar de cidade ou de país. Tinha que arranjar um espaço para viver e arrendou um apartamento. Três anos depois, “já estava farta de trabalhar para decorar um espaço que pertencia a outras pessoas”.

Decidiu tornar-se proprietária, desejo que conseguiu realizar quando descobriu uma casa dos anos 40 a precisar de uma remodelação. A perspetiva de passar os anos seguintes em obras não a assustou, pelo contrário: Joana decidiu arrancar sozinha com o processo. Na sua página de Instagram, onde já soma quase 40 mil seguidores, mostra o que já fez desde que adquiriu o espaço, em junho. Embora não faça ideia de quando irá dar a reabilitação por concluída, não tem pressa.

“Vi logo que a propriedade tinha potencial”, explica à NiT a cientista, de 33 anos. “Quando entrei, vi que tinha um terreno grande e um bom quintal. Algumas coisas do layout interior não faziam sentido, mas percebi que dava para fazer várias mudanças. Essa versatilidade foi o que me convenceu.”

A oportunidade surgiu quando partilhou o desejo de se tornar proprietária com amigos e conhecidos. Uma colega de trabalho disse-lhe que tinha comprado uma casa naquela zona e, no ginásio, um casal também comentou que pensava investir numa habitação no mesmo bairro. Quando decidiu dar uma vista de olhos, percebeu que seria um bom sítio para assentar.

“Não queria comprar uma casa já renovada devido ao custo elevado”, acrescenta. Acabou por pagar cerca de 200 mil euros por esta e já investiu aproximadamente 30 mil. Já sabia que ia ter muito que fazer, a começar pela substituição integral das canalizações e do sistema de drenagem das águas que foi obrigada a alterar. Devido à complexidade técnica de ambos os trabalhos, precisou de contratar alguém — a única vez que o fez até agora.

Da casa de banho aos quartos

Ao todo, a casa vai contar com três quartos, uma cozinha e uma casa de banho, precisamente por onde começou. Trocou os azulejos rosa desgastados por uma paleta totalmente branca e luminosa, o que faz com que o canto claustrofóbico pareça mais amplo. Adicionou vários espelhos novos e transformou a banheira diminuta através do uso de azulejos.

A cientista portuguesa que está a remodelar (sozinha) uma casa dos anos 40 nos EUA depois
A cientista portuguesa que está a remodelar (sozinha) uma casa dos anos 40 nos EUA antes

Agora está a renovar os quartos nos quais irá manter o estilo atual. A seguir, vai “partir a cozinha toda” e, por fim, irá “atacar o quintal” que fica na parte da frente da moradia.

“Não quero uma decoração muito extrema, mas procuro incluir toques diferentes. Tem uma vibe mais europeia — afinal não sou norte-americana —, que mistura o moderno com o clássico”, sublinha.

Dos espelhos que parecem ter mais de 50 anos ao chão em cimento, Joana tenta que seja “uma obra contida, para não viver no caos”. Já teve essa experiência do passado e está a tentar aprender com ela.

A casa em Gaia

Enquanto fazia o doutoramento, em Portugal, Joana comprou uma casa em Gaia que também precisava de muitas obras. Acabou por vendê-la quando se mudou para os Estados Unidos, mas foi essa primeira experiência que lhe permitiu desenvolver o gosto pelo design de interiores.

Sempre gostei de decorar os meus espaços, penso que já tinha essa visão. Vejo facilmente o potencial dos espaços”, continua. “O que aconteceu com a primeira casa foi que tinha mais problemas do que inicialmente estava previsto.”

“Gosto de resolver problemas, tem a ver com a maneira como a minha cabeça funciona. Por isso é que faço ciência”, frisa. “Comecei a procurar como fazer, a ver vídeos no YouTube ou contas de DIY (do-it-yourself) no Instagram. É difícil encontrar trabalhadores que façam as coisas bem, então a minha lógica era tentar e, se corresse mal, o pior que podia acontecer era contratar alguém”.

Nesta obra, já tinha feito até os móveis, como o sofá ou a cama. Desde que chegou a Houston, continuou a contar com a sua aptidão para a bricolage e concretizou armários, bancadas para a cozinha e mesas que tornam cada divisão ainda mais personalizada.

Sobre a finalização, está “a tentar não pensar nisso de forma consciente”. “Todos os fins de semana faço algo, ultimamente sou mais rápida porque tenho de editar e partilhar conteúdos. Na outra casa tinha muita pressão, porque ia embora e queria deixá-la pronta. Não conseguia relaxar e fiquei traumatizada.”

Ao seu ritmo, vê algo novo a surgir todos os dias. Se numa manhã recebe um senhor para cortar as árvores no jardim, no dia seguinte está à volta da maneira a fazer uma cadeira nova. Acredita, porém, “que ter uma casa é um compromisso e nunca vai estar completamente remodelada”.

“Eventualmente, se for para outro sítio, vendo-a quando me for embora. Neste momento, não sei qual vai ser o meu caminho — quero renovar mais casas, mas não sei se será aqui, em Portugal ou noutro país”, conclui.

A seguir, carregue na galeria para ver a evolução da casa de Joana Bianchi, sobretudo da casa de banho já finalizada.

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