Decoração

A inesperada casa no centro do Porto que é um verdadeiro oásis

Ergue-se no alto dos Caminhos do Romântico e tem vista sobre o Douro. Mas ninguém diria que fica no meio da cidade.
Foto: Ivo Tavares Studio

Passa despercebida a quem percorre os estreitos e charmosos Caminhos do Romântico. Por detrás dos muros, longe dos olhares indiscretos, a fachada pôde aproveitar o recato para se abrir em enormes fachadas envidraçadas e deixar a luz entrar — tal e qual sonhavam os donos de uma das mais arrebatadoras casas do Porto.

O projeto é uma espécie de confronto entre o clássico e o contemporâneo. De um lado, uma casa datada do século XIX, ao seu lado, numa espécie de prolongamento, uma estrutura contemporânea.

Imaginada pela Floret Arquitectura, a casa nasceu nas ruínas do edifício pré-existente, escondido numa espécie de oásis rural, apesar de estar situado no centro do Porto. Quando o convite para colaborar no projeto chegou, ele trouxe consigo uma lista de desejos: materiais naturais, áreas amplas e luz, muita luz. Havia, contudo, um problema por resolver.

“A casa que ali existia era pequena, com janelas pequenas, típicas da construção que existia no local. Assim que chegámos lá, percebemos que havia a necessidade de ampliar a casa para criar a zona social que tanto queriam”, explica à NiT Adriana Floret, sócia-gerente do atelier e coordenadora do projeto.

A divisão era inevitável. Decidiu-se então que na antiga estrutura ficariam as zonas mais privadas. No piso superior nasceu um escritório com terraço e vista sobre o Douro. No outro ficou a suite que ocupa todo a área; e distribuíram-se quatro quartos pelos restantes dois andares.

“Depois criámos a nova estrutura assumidamente contemporânea, mais virada para a vida no jardim, toda em open space e que inclui a cozinha e sala de jantar. E numa cota mais baixa, ligada ao jardim e à piscina, a sala de estar”, nota.

Foto: Ivo Tavares Studio

Aos 230 metros quadrados da antiga casa juntaram-se mais 275 da nova estrutura que, apesar de assumir um traço mais moderno, nunca destoa — sobretudo pela escolha dos materiais e de uma estrutura de madeira maciça. É esse, aliás, o detalhe que mais fascina Adriana Floret.

“Nós costumamos trabalhar com muitas estruturas de madeira em reabilitações, mas trabalhada desta forma, nunca”, nota.

Madeira, pedra, ferro, betão. São esses os materiais que predominam e que unem as duas estruturas — também as zonas privadas apostam num visual muito simples, de contrastes.

Para cumprir o desejo dos proprietários, foram desenhadas longas e amplas janelas que, graças à envolvência, permitem manter a privacidade e, claro, abrir a casa à vegetação e a piscina.

Foto: Ivo Tavares Studio

“O terreno tem uma envolvência muito natural, um ambiente que nos levou a querer uma estrutura leve de madeira. Fomos buscar também materiais que usávamos em construções antigas e ali assumi-las de forma contemporânea”, explica.

Apesar de algum receio inicial dos proprietários, a solução funcionou na perfeição. Não só para quem vive no interior, mas também para quem passa pelo exterior.

“Não queríamos ferir os Caminhos do Romântico, toda aquela zona muito bonita e com a sua escala própria, com vielas estreitas. Não queríamos fazer algo que interferisse com essa paisagem.”

Carregue na galeria para ver mais imagens de uma das moradias mais originais do Porto.

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