Decoração

Antes e depois: a incrível transformação de um apartamento no Parque das Nações

Rui de Jesus, do Verum Atelier, transformou um espaço gasto numa casa com uma vista privilegiada.
O rio Tejo é o elemento comum em todo o design.

O poder da transformação não é algo de invulgar para Rui de Jesus, de 37 anos. O arquiteto do Verum Atelier tem a capacidade de encarar qualquer espaço e ver o seu real potencial. Foi o que aconteceu com este duplex mal aproveitado no Parque das Nações, um 5º/6º andar com cerca de 200 metros quadrados e que, depois da intervenção, ficou irreconhecível.

“[O pedido] veio de um cliente que chegou através da NiT, devido a uma reportagem que saiu em 2020, e o apartamento estava muito datado e preso nos anos 2000”, conta. “O cliente queria reformular tudo, porque tinha uma vista linda sobre o rio”.

Quando se cruzou com a estrutura, deparou-se com problemas “na circulação do próprio apartamento”. As áreas estavam mal distribuídas, a cozinha e a casa de banho estavam antiquadas e não existia um design coerente, capaz de fazer justiça ao imóvel. No último andar de uma zona privilegiada, com uma vista para o rio Tejo, havia a possibilidade de desenvolver algo único. E foi precisamente isso que o arquiteto fez.

“Numa primeira abordagem, começamos a visualizar [o resultado]”, conta. “É fundamental passarmos algum tempo no espaço para imaginarmos o que pretendemos. Vem sempre de uma conversa com o cliente, para perceber as intenções e para ser um design que se vai adequar à vivência que vai ter dentro da casa”.

Ao longo das várias fases do desenvolvimento, e embora Rui se intitule como a “cabeça do projeto”, o foco está no trabalho em equipa. Foram cinco os arquitetos do atelier envolvidos na obra, funcionando com um coletivo, com todas as ideias e inputs a serem explorados. As colaborações estendem-se ainda a equipas especializadas em iluminação, como a LightDesign, e focadas em plantas, como a Superbotânica.

Uma sala ligada à natureza

Foi em torno de linhas minimalistas que se desenvolveu o desenho, notório sobretudo na sala de estar. A preocupação com a organização e o desejo de evitar muitos armários, levou a que se criassem caixas revestidas de madeira de nogueira um pouco mais escura onde se concentra toda a arrumação.

A sala de estar. (Depois vs. Antes)

Para um aspeto mais clean, optaram por usar sobretudo materiais naturais, que contribuem para o bem-estar dos residentes. É o caso da pedra, da riga e da madeira de nogueira, materiais que são conjugadas e complementadas com elementos naturais verdes que dão continuidade à visão. Ao mesmo tempo, ajudam a equilibrar a estética do espaço.

A vista espetacular sobre o rio não podia ser ignorada. Um dos principais objetivos passava por criar um contacto mais direto com o Tejo, atingindo “um quadro natural” através da varanda voltada para sul. “Criámos um jardim para trazer um pouco do verde que está junto ao rio para dentro da casa, para quebrar aqueles tons pastel das madeiras e da riga”, acrescenta.

O espaço exterior. (Depois vs. Antes)

Dos quartos à cozinha

“A suite principal é bastante diferente, porque é virada para a parte do rio e nós queríamos trazer esta imagem dentro do espaço. Tínhamos a particularidade de ter uma casa de banho interior, com uma enorme janela que dá para o quarto, ou seja, a pessoa tem a vantagem de se ver a luz natural. Consegue ver a ponte e o Tejo enquanto está na casa de banho”.

Sobre a cozinha, o ponto-chave foi o facto de o cliente ter uma vida social bastante ativa. A sala de jantar surge em espaço aberto com a cozinha, onde procuraram fugir do cenário tradicional em que a divisão apresenta muito ruído. Surge nos mesmos tons de branco da sala de estar, com uma ilha central em pedra. Este é o elemento de destaque que, com a introdução de dois janelões que se abrem por completo, faz com que a cozinha aberta funcione como uma varanda.

Apesar do sucesso, a construção levou cerca de um ano e três meses a ser completa. Os principais obstáculos partiram sempre do período atípico em que se iniciou o projeto, em plena pandemia: “Tivemos que gerir com os vizinhos, porque as pessoas estavam em teletrabalho. Nós partimos o apartamento todo, é muito ruido e nunca conseguíamos começar a obra à hora que queríamos”.

O Verum Atelier fica no número 87C da Rua dos Cordoeiros a Pedrouços, em Lisboa, e é o sítio certo para visitar caso queira fazer uma remodelação. Para mais informações basta consultar o site do Verum Atelier ou entrar em contacto através do email geral@nullverum-atelier.pt.

Carregue na galeria para ver mais fotos do espaço, começando pelas fotografias antigas até ao seu estado atual.

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