Decoração

Antes e depois. Como um apartamento do século XIX foi transformado num duplex de luxo

A Maison Eduardo Coelho era um edifício degradado e sem vida. A remodelação criou um espaço moderno que preserva a memória.
O duplex tem 320 metros.

No bairro do Príncipe Real, repleto de jardins, praças e palacetes, um edifício do século XIX ergueu-se com uma nova presença, mais sofisticada e cosmopolita. A Maison Eduardo Coelho, assinada pelo arquiteto João Tiago Aguiar, está situada no número 26 da Rua Eduardo Coelho, e distingue-se pela forma como preserva a memória, mas mantém linhas contemporâneas. Graças a este equilíbrio, o projeto venceu o prémio da melhor reabilitação urbana nos Óscares dde 2022.

“O edifício estava muito degradado por dentro”, conta à NiT Miguel Cabrita, administrador da Mexto, uma imobiliária de luxo. Ainda assim, quando o viram, ficaram apaixonados pelo encanto e pelo seu potencial: “No fundo, gostámos da localização e do facto do edifício ainda manter a fachada original e de ter um espaço exterior bastante grande”.

O exterior do edifício.

Em relação ao empreendimento, tentaram manter ao máximo as características originais da época, adaptando-as a um design ultramoderno, “de acordo com a vida que se tem no século XXI”. Por isso, para o exterior do imóvel, escolheram um tom de verde-garrafa que se destaca da envolvente. Dentro da paleta de cores dos edifícios de há dois séculos, foi aquela “que daria mais dignidade e imponência ao edifício”.

“Nós trabalhamos na reabilitação urbana, então temos muito respeito pela tradição e pela história que está associada aos edifícios”, acrescenta. A obra, que superou os 8,5 milhões de euros, intentou manter a fachada original e a escadaria interior, assim como elementos como azulejaria, pedras e caixilharias.

Um apartamento de sonho em Lisboa

No que diz respeito ao interior, nomeadamente do duplex, um apartamento com 320 metros quadrados, esta tradição era algo irrecuperável. Cheia de luz, a fração tem vãos envidraçados com mais de três metros de altura. Apresenta uma amplitude que permite ter vista para o jardim quer esteja na parte de baixo ou de cima do apartamento, assim como janelas bastante elevadas.

Antes e depois. Como um apartamento do século XIX foi transformado num duplex de luxo depois
Antes e depois. Como um apartamento do século XIX foi transformado num duplex de luxo antes

Porém, a casa — que se distingue entre os sete apartamentos que constituem o edifício — começou a ser pensada pelo jardim Garden House, com 296 metros quadrados e uma piscina privativa. O objetivo era encontrar uma conexão com a natureza em pleno coração de Lisboa: “Tínhamos ideias muito claras. Idealizamos logo que o jardim faria um espaço espetacular para um apartamento”, explica Miguel.

“A nossa opção foi ir por cores muito claras, como o branco, o bege e o tom de areia para dar amplitude ao espaço”, acrescenta. Estas opções destacam-se, por exemplo, num quarto com uma king-size bed e com uma decoração contemporânea e muita luz. Sendo uma rua mais apertada e com edifícios muito altos, era importante recuperar a luz interior.

Antes e depois. Como um apartamento do século XIX foi transformado num duplex de luxo depois
Antes e depois. Como um apartamento do século XIX foi transformado num duplex de luxo antes

Este aproveitamento integral do espaço também é notório numa sala de estar e numa sala de jantar, ambas com ligação direta à cozinha. Além de tirarem proveito da luz natural, “os materiais escolhidos passaram por uma opção de utilizar materiais da época, como as madeiras, o vidro e a pedra”. A mesa de madeira que está no centro desta intersecção, rodeada por cadeirões de veludo, é um destes exemplos.

Antes e depois. Como um apartamento do século XIX foi transformado num duplex de luxo depois
Antes e depois. Como um apartamento do século XIX foi transformado num duplex de luxo antes

Tratando-se de um projeto da gama mais alta de Lisboa, escolheram ainda materiais mais nobres, como o mármore e o aço. O mármore é o destaque na bancada da cozinha e, sobretudo, na casa de banho. Das paredes ao chão, passando pelo lavatório, o material luxuoso é responsável por pintar toda a divisão.

“Optámos por fazer um projeto de arquitetura paisagística que enquadrasse o edifício com tudo o que está à volta. Queríamos que a pessoa ficasse com uma peça de arte e, por isso, a arquitetura foi definida no pressuposto de ser algo contemporâneo”, adianta.

Vocacionado para a vida moderna, o apartamento foi ainda construído com a mais elevada tecnologia, sendo um edifício inteligente com recurso à robótica. Por exemplo, existe a possibilidade de ligar ares condicionados, abrir janelas ou máquinas à distância, através de uma aplicação do proprietário.

Carregue na galeria para ver a transformação do espaço, começando pelas imagens do estado anterior à remodelação.

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