Decoração

A casa mágica que é um autêntico miradouro sobre a Serra de Monchique

A luz é um dos elementos mais especiais desta moradia que passa quase despercebida na encosta algarvia.
Há poucas casas em Portugal com esta vista

Esteve perto do desastre, quando os incêndios de 2018 rodearam a casa que estava já na fase final de construção. Quando as chamas se apagaram, mantinha-se de pé, rodeada por um círculo negro de cinzas.

Hoje, a paisagem recuperou e tornou-se num dos principais elementos que a tornam especial, mas não o único. O projeto da Pereira Miguel Arquitetos partiu de uma exigência muito simples: uma moradia tradicional, unifamiliar, num local especial.

“É uma serra muito interessante porque está no Algarve, mas a partir de uma certa cota, o tempo muda, mesmo no verão. Chegámos a arrancar de baixo com 30 e tal graus e a chegar lá em cima com uma diferença de menos 10 graus”, conta à NiT o arquiteto Filipe Martins Correia, um dos responsáveis pelo projeto.

No terreno encontrou um cenário invulgar, mais típico do Douro: uma área totalmente desenhada por socalcos, cujo acesso era feito por uma pequena rampa onde “mal cabia um carro”. As estruturas pré-existentes não eram aproveitáveis e a pedra acabou por ser usada para reparar os socalcos. Esses seriam intocáveis para o projeto no qual receberam total liberdade criativa.

Outro segredo se escondia no lote, uma mina com a invejada água de Monchique que ainda hoje abastece todas as necessidades dos moradores.

Do alto da serra e das janelas da casa avista-se a paisagem até ao mar

O maior desafio, explica Filipe Correia, foi o alargamento da área da casa para conseguir um exterior mais amplo, sempre “sem danificar a ideia da repetição dos muros dos socalcos”. Redesenhou-se a rampa e ergueu-se um pequeno muro encostado à serra, que serviria de entrada discreta na moradia.

Virada a sul, a moradia alarga-se na horizontal, com todas as divisões alinhadas ao longo da linha dos socalcos, a tirarem partido da luz solar e da vista que só termina no mar.

No exterior, optaram por um muro de suporte de betão que depois acabou por se alargar ao resto da estrutura. “Agradou-nos bastante porque Monchique também tem uma pedra de granito cinzenta, uma tonalidade muito próxima do betão”, explica.

O betão interrompe-se na entrada da casa, onde a aposta foi novamente para o granito, desta vez num tom mais acastanhado, de forma a combinar com o terceiro grande elemento material do projeto, a madeira.

“Foi difícil mas conseguimos encontrar um granito com tratamento que não fosse demasiado rude para o interior e não fosse demasiado escorregadio para estar ao lado de uma piscina. A ideia era que toda a superfície fosse igual, porque abrindo as janelas — e no Algarve isso é possível durante muito tempo — apenas temos a cobertura e um espaço aberto.”

Apesar da dimensão, passa despercebida na serra

A sala é o ponto central da moradia, com uma frente de 12 metros, toda em vidro. No interior, predomina o carvalho; lá fora, para suportar as drásticas diferenças climáticas, optou-se por uma pala em ripa de madeira ipê.

Ao longo da fachada envidraçada surgem portadas em ripas, de forma a evitar a luz direta, quando necessário, mas que permitem “jogos de luz e interior e exterior, sem que nunca se perca a paisagem”.

Nos 300 metros quadrados existe uma área social de cozinha, sala e sala de jantar, complementada com escritório e áreas funcionais; e ainda três suites. No exterior, outra das exigências do projeto: a criação de uma pequena estrutura separada e autónoma: com sala, quarto, kitchenette e casa de banho completa.

No longo deck que se estende à total largura da casa, uma piscina infinita que só termina com a vista única do topo da serra. Um sonho.

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