Decoração

A deslumbrante casa de Melides onde Julianne Moore ficou

Foi construída em 2019 pelo arquiteto Vincent Van Duysen e é um verdadeiro luxo. O belga quer que ela se torne "um ícone".
Não há muitos quartos assim

Não foi só o designer Christian Louboutin que se apaixonou pelos encantos de Melides. Há uma década, também o arquiteto belga Vincent Van Duysen se aventurou pela região. Poucos anos depois, faria questão de erguer ali uma casa só sua — mas que queria que se tornasse um ícone.

Esta semana, a Casa M recebia uma nova inquilina, a atriz norte-americana Julianne Moore, amiga do arquiteto. As imagens partilhadas no Instagram por Moore, de férias em Portugal, voltaram a centrar todos os olhos na moradia que em 2020 já havia sido destacada pelo “The New York Times”.

Depois da primeira visita, revela o belga ao jornal norte-americano, haveria de voltar para fazer férias e, em 2014, encontrou o atual terreno. A vontade de criar ali um marco esbarrou na impossibilidade de ali erguer estruturas residenciais. A única forma de o contornar passava por replicar as pequenas cabanas de palhinha da região. Preferiu evitar o cliché.

Acabaria por conseguir provar que, no local, já teria existido uma estrutura com mais de 600 metros quadrados, o que permitiu obter a autorização para criar algo semelhante. Durante três anos, a construção avançou e finalmente os trabalhos terminaram em 2019. No local, nasceu uma moradia de 659 metros quadrados, bem ao estilo de Van Duysen.

Apesar de ser uma zona de praia por excelência, o belga preferiu resguardar-se longe do mar. “Era suficientemente perto do mar sem que tivesse que o ver. O oceano é demasiado inquieto. Olhar para ele inquieta-me”, conta ao “The New York Times”.

No terreno de cinco hectares nasceram então três estruturas: uma casa principal em forma de u; uma garagem com uma piscina no telhado; e uma cabana para convidados. Quase despida de plantas, de formas geométricas bem vincadas e com uma quase total ausência de objetos decorativos — à exceção do estritamente essencial —, as descrições do estilo passam quase sempre pelo minimalismo.

Por favor, não diga a Van Duysen que é uma casa minimalista

“Podem chamar-lhe minimalismo, mas não é”, sublinha o arquiteto que, diz, prefere descrevê-lo como um “brutalismo acolhedor”. “Queria construir algo que encaixasse na paisagem (…) queria, literalmente, ter as dunas a prolongarem-se até à casa.”

Também por isso rodeou as áreas comuns da casa com enormes janelas a toda a dimensão da parede e que podem ser recolhidas, tornando dessa forma o espaço completamente aberto aos jardins desertos — faz até questão de arrancar toda e qualquer pequena planta que ousa despontar entre as rochas.

A ausência de detalhes torna mais evidente o foco nas texturas e nos materiais: longas paredes de betão exposto, rugoso, imperfeito; enormes portas de correr de madeira de ipê. Para criar a casa, estudou outras obras residenciais de referência, da célebre Casa Malaparte de Adalberto Libera, nas escarpas de Capri; ou o Ghost Ranch no Novo México, onde morou Georgia O’Keeffe.

O estilo despojado obrigou a escolher criteriosamente as peças que iriam encaixar nos espaços. Muitas delas foram feitas à medida, como os dois cadeirões ingleses ou o sofá desenhado por si e estofado com linho belga. Nas paredes, zero obras de arte.

“Aqui, a natureza é uma pintura viva”, explica. “Quero que esta casa se torne num ícone.”

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