Decoração

Ela cria as casas de bonecas em miniatura mais incríveis do mundo

A espanhola Carmen Mazarrasa deixou a profissão de joalheira e dedicou-se ao hobby que junta cada vez mais fãs.
É uma obsessão artística

Encontram-se em recantos do Instagram, na vida real em encontros só para fanáticos. Podíamos estar a falar de um qualquer submundo obscuro do crime mas, na verdade, é tudo muito mais simpático. Bem-vindo ao mundo das miniaturas.

Os criadores são, neste caso, uma versão real do cientista louco que em 1989 encolheu os miúdos. Um desses casos é o da espanhola Carmen Mazarrasa, que por estes dias tem feito sucesso internacional. E a sua história é bastante parecida com a de Ana Cristina Novo, a portuguesa que dedica o seu tempo livre a criar alguns dos alimentos mais suculentos e apetecíveis no mundo da comida falsa em miniatura — recorde a sua história contada pela NiT.

Numa outra faceta deste hobby obsessivo, Mazarrasa foca-se na criação de decorações caseiras, reproduções das suas casas, das casas de sonho que gostava de viver, de verdadeiras criações que poderiam estar numa qualquer revista de arquitetura ou decoração.

As divisões enchem-se com pinturas, recriações fiéis de quadros conhecidos, agora em versões mini. O mobiliário é também ele famoso, assente em réplicas de cadeiras em voga. “Faço, em miniatura, os espaços ideais que incorporam cada uma das minhas obsessões”, revela a espanhola ao “The Guardian”.

Joalheira de profissão, deixou o trabalho em full-time para cuidar de um negócio de família e, claro, também para ter tempo para o hobby que, diz, “ajudou a tentar resolver tudo o que havia de errado” na sua vida. “Tornou-se num projeto que me permitia controlar todas as circunstâncias incontroláveis.”

Assim que ficou grávida, a vida real foi espelhada nas suas miniaturas. Começou por desenhar o quarto em versão miniatura, numa casa que imaginava no velho bairro romano de Trastevere. “Estava cheio de arte futurista, mobiliário de autor que fiz e refiz. E na casa fiz também ao meu bebé um quarto para adolescente.”

Construir uma casa em miniatura, de raiz, é igualmente complicado. É preciso, antes da decoração, de tratar das ligações elétricas, da carpintaria, da pintura, tratar as cerâmicas, o metal e os vidros. E tudo isto é feito à mão.

“Há um elemento na natureza humana que se fascina com o tirar elementos da sua escala natural, seja pequena ou grande. O ato de mudar a escala de algo torna o simbólico e, ao mesmo tempo, faz com que se tornem inúteis”, revela.

Não serão tão inúteis assim. É que pelo menos uma das suas casas já teve moradores. Antes de se mudar de Espanha para Londres, redecorou por inteiro uma antiga casa de bonecas com que brincava quando era criança. Antes da viagem, cobriu-as com um lençol e guardou-as.

Passadas umas semanas, chegava a notícia de que moradores indesejados haviam ocupado a casa deixada vaga. Uma família de ratos ocupou as salas e a cozinha, usou as casas de banho e fez ninhos nas camas. “Estava tudo remexido. Até algumas peças de mobiliário foram levadas para outras divisões, um ou dos pisos acima”, explica. “Foi devastador”, diz, apesar de confessar que acabou por sorrir. “Havia nisso também algo de belo. Foi uma festa tão selvagem que eles fizeram na casa e parece evidente que a questão da escala ajudou ao seu entusiasmo. No final, só fiquei com pena de não poder ter assistido a tudo por um buraquinho.”

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