Decoração

Esta casa única nas encostas de Capri é o maior sonho das marcas de luxo

Foi cenário de filme de Jean-Luc Godard, solário de Brigitte Bardot e palco de inúmeras campanhas publicitárias.
Esta vista é tudo

Brigitte Bardot, nua, deitada ao sol no chão cor salmão do telhado. As encostas rochosas de Capri ao fundo e um pequeno livro estrategicamente pousado sobre o rabo. Encenada pelo realizador francês Jean-Luc Godard, serviu de palco a grande parte de “O Desprezo”, de 1963. Além de Bardot e Michael Piccoli, outra estrela brilhou no filme: a magnífica casa empoleirada nas escarpas da ilha italiana.

A história da Villa Malaparte começou muitas décadas antes do cineasta francês colocar sequer um pé nesta ilha que é uma espécie de tesouro mediterrânico. Mais precisamente em 1938, ano em que foi construída.

A localização ímpar e as linhas arquitetónicas invulgares transformaram o local numa espécie de cenário perfeito para fotografar e filmar, tal como Godard previu. Ao longo dos anos, foram várias as marcas de luxo que pediram autorização para ali gravarem os seus anúncios.

Foi mandada construir por Curzio Malaparte, conhecido autor vanguardista italiano que fez um pouco de tudo: interveio no cinema, na arquitetura, compôs música e chegou a trabalhar como jornalista. Era um artista italiano com um instinto criativo aguçado. À casa, assim que terminada, deu-lhe um nome distinto daquele pelo qual é conhecida: “Casa Come Me”, uma casa como eu.

Construída no rochedo que Malaparte comprou em 1937, deveria ter seguido os planos desenhados pelo arquiteto Adalberto Libera. O feitio complicado do dono fez deteriorar a relação e acabou mesmo por ser o autor italiano a desenhar o edifício e a construi-lo com a ajuda de um pedreiro local.

“É, em suma, um objeto surrealista, um híbrido entre a poesia e arquitetura que encarna as características de uma inteligência profunda, um edifício icónico e uma obra literária densa”, escreveu sobre a casa o arquiteto Michael McDonough.

Foi a beleza ímpar da casa que convenceu a Saint Laurent a colocar Kate Moss na enorme escadaria da entrada que conduz ao famoso telhado onde Bardot apanhou banhos de sol. Mas não só. Serviu de palco à campanha do novo perfume da Ermenegildo Zegna e mais recentemente, no final de 2019, acolheu Emma Stone para um anúncio da Louis Vuitton.

Malaparte morreu em 1957 e a casa foi deixada ao abandono. Durante as duas décadas seguintes, partes do edifício foram vandalizadas. O valioso mobiliário, por ser demasiado grande e pesado — consiste em mesas de madeira maciça e mármore Carrara —, acabou por se manter no local.

Os herdeiros do escritor doaram finalmente o espaço à Fundação Giorgio Ronchi, altura a partir da qual começaram as obras de recuperação e conservação, que se prolongaram entre as décadas de 80 e 90.

Um dos sobrinhos de Malaparte, Niccolò Rositani, liderou os trabalhos que receberam muitos materiais doados por fabricantes italianos de todo o país. Outro dos descendentes, Tommaso Rositani Suckert, comandou em 2019 uma exposição na galeria londrina Gagosian, onde foram exibidas recriações de várias peças de mobiliário criadas para mobilar a Villa Malaparte.

Chegar lá não é uma tarefa fácil. É possível fazê-lo apenas de duas formas: percorrendo a ilha quase de uma ponta à outra, fazendo os últimos 20 minutos do percurso a pé através de propriedade privada; ou de barco.

Esta última é a forma mais romântica de visitar a casa, embora nem sempre possa ser feita. É que a Villa Malaparte está perigosamente pendurada num penhasco a 32 metros do mar. Na rocha, foi esculpida uma escadaria que termina junto às ondas, sem qualquer cais.

Qualquer aproximação de barco só pode ser feita em dias de maré calma. Depois, só tem que percorrer os 99 degraus até ao paraíso.

Carregue na galeria para ver mais imagens da Villa Malaparte.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT