Decoração

Esta conta vai ajudá-lo a encher a casa de plantas — e a mudar de vida pelo caminho

Sofia Manuel tem quase 65 mil seguidores e é uma das responsáveis por esta nova grande tendência em Portugal.
É um mundo de plantas

Mais do que um elemento de decoração, as plantas fazem cada vez mais parte do cenário de milhares de casas. A tendência começou a ser tão grande que durante o primeiro confinamento, em 2020, houve até momentos em que estiveram esgotadas em várias lojas de norte a sul do País.

Em parte, uma das responsáveis por isso é Sofia Manuel, de 31 anos. Esta jovem de Matosinhos, que atualmente vive no Fundão, é mais conhecida nas redes sociais como A Tripeirinha e tem perto de 65 mil seguidores no Instagram.

“Olá, eu sou a Sofia, bora falar sobre plantinhas?”. É assim que se apresenta por lá e onde partilha todos os seus segredos sobre as plantas com as suas Plantmanas, como chama aos seguidores. Hoje é uma especialista nesta área e uma referência para quem quer começar a ter a sua pequena floresta em casa, mas nem sempre foi assim. Também ela já foi uma “plant killer”.

“A minha avó tinha um enorme gosto pelas plantas e sem saber passou-me isso. Em casa nunca tive, os meus pais nunca quiseram saber”, começa por contar à NiT.

Formada em Engenharia Civil, Sofia foi para Moçambique durante sete meses depois de ter acabado o curso. Quando regressou, encontrou uma oportunidade de emprego no Fundão, passou a trabalhar como programadora de software e mudou-se para lá. Nessa altura, em 2016, ao montar a sua própria casa, percebeu que faltava alguma coisa. Numa ida ao supermercado viu uma planta de aloé vera de que gostou e levou para casa a sua primeira planta.

Agora, tem mais de 200 e essa ainda lá está. Não exatamente no mesmo sítio, diga-se, porque a primeira casa de Sofia era um T1, onde chegou a ter cerca de 40 plantas. Quando mudou para uma casa maior percebeu que assim ficava muito vazia e aos poucos foi aumentando a família de vasos.

A maior parte delas fica na sala, onde passa boa parte do tempo, mas tem plantas por toda a casa, até no quarto, onde são atualmente 36. “Ao pequeno-almoço sento-me na sala de jantar, onde tenho uma estrelícia, e parece quase que estou num jardim autêntico”.

Para quem tem medo de ter plantas no quarto, esta especialista assegura que “não há mal, elas libertam oxigénio durante o dia e consomem dióxido de carbono”. Em jeito de brincadeira, diz até que são menos prejudiciais do que ter uma pessoa a dormir ao lado, por isso, se for esse o medo, é melhor tirar do quarto o ser humano e não as plantas.

Com tanta vegetação, é natural que muito do seu tempo também lhes seja dedicado, mas custa menos do que parece, sublinha. No verão, é preciso um pouco mais de cuidado, mas no inverno só precisa de estar mais atenta. Dia sim, dia não.

“Para tratar de todas preciso mais ou menos de uma hora três vezes por semana. Um dia trato de umas e noutro das outras, também é um momento em que relaxo.”

Este é precisamente um dos motivos que acha que levou muita gente a querer ter mais plantas em casa nesta altura de pandemia.

“Ao estarem presas as pessoas sentiram a necessidade de ter contacto com a natureza e ter plantas em casa, algo vivo para cuidar, foi a melhor forma de também manter a sanidade mental.”

Tudo o que precisa de saber

Amante de biologia, Sofia Manuel começou a comprar livros e a investigar cada vez mais sobre plantas. Em dezembro de 2019, criou a sua página de Instagram e um mês depois resolveu lançar o canal de YouTube onde dá sugestões sobre como cuidar das plantas, quais as melhores para ter em casa, as doenças mais comuns e tudo o que gire em torno desta sua paixão.

Sobre as melhores dicas para quem está a começar neste mundo das plantas, não tem dúvidas: “O que mata é cuidado a mais”. Sim, o essencial que precisa de saber é regar e tirar o pó das folhas para que as plantas possam fazer a fotossíntese mais facilmente.

Não está sozinho nisto de matar as plantas. Até Sofia diz que isso lhe acontece e continuará a acontecer. “Normalmente matamos as plantas com água a mais”, justifica. Para quem está a começar, aconselha a monstera deliciosa, também conhecida por costela de Adão, porque precisa de luz mas não muita, pode ficar perto de uma janela, sem luz direta, e basta regar quando está seca.

Basicamente, em boa parte das plantas o segredo está em regar apenas quando estão secas. Esqueça aquela ideia comum de ter um prato com água por baixo do vaso. Na dúvida, introduza o dedo na terra para perceber se está ou não húmida, tal como faria com o palito para ver se o bolo está cosido.

Estas dicas são válidas até para os catos. Nestes, o melhor talvez seja mesmo deixar um pauzinho de sushi, recomenda a especialista. Quanto à luz, o segredo é tratar as plantas como se fossem bebés, por isso não deve deixá-las diretamente ao sol.

As melhores plantas para oferecer, segundo Sofia, são as chamadas espada de São Jorge porque além de fáceis de cuidar “são sinónimo de prosperidade e boas energias”. Sempre que vir uma nova folha a nascer, especialmente na primavera, não se esqueça do “alerta rolinho”, uma expressão tão conhecida entre os seguidores de A Tripeirinha.

Quando não está a cuidar das plantas ou a trabalhar, Sofia gosta de cozinhar e dar caminhadas pela montanha. Sem as restrições do confinamento, também é provável encontrá-la na sua Framboesa, a carrinha transformada em caravana onde gosta de conhecer o País. Neste caso, há sempre pelo menos uma planta que vai de viagem. Quanto às outras, agradece aos amigos que vão lá a casa tomar conta delas.

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