Decoração

Este casal está a transformar uma casa dos anos 30 no seu lar de sonho

Bárbara e André Morais decidiram renovar a residência sozinhos. Demoliram tetos, resolveram infiltrações e desenharam a planta.
As obras começaram em maio.

“Eu sou designer de interiores e o André adora demolições”. É desta forma que Bárbara Morais, de 28 anos, se apresenta nas redes sociais, onde está a partilhar cada passo do restauro de um edifício antigo. O casal pretende mudar-se de um apartamento alugado para uma casa senhorial que data de 1931, no Porto. No entanto, a construção com cerca de 350 metros quadrados tem-se revelado um grande desafio desde o primeiro dia em que começaram as obras, em maio deste ano.

A história dos cônjuges remonta a 2016, quando se conheceram a trabalhar numa cadeia de retalho alimentar. Porém, de um início algo trivial, surgiu um projeto ambicioso que vai resultar num lar de sonho. A prova disso são os mais de 300 mil seguidores que a criadora de conteúdos já soma no Instagram.

“Passado muito pouco tempo de estarmos juntos, engravidei da minha filha e começámos logo a procurar uma casa para morar. Encontrámos uma pequena habitação”, conta Bárbara à NiT. “Na altura, comprámos tudo do zero e a paixão pela renovação começou logo aí”.

André, 30, apenas queria uma casa para morar, mas a insistência da mulher fê-lo embarcar neste desafio inesperado. “Sempre tive a ideia de renovar cada do zero. Além de ser uma paixão, é uma forma de valorizar o património do nosso País. E quando víamos casas mais modernas, não existia aquele sentimento de lar”.

A Casa Beijaflor

Cruzaram-se com a futura residência de forma inesperada. À medida que foram visitando as primeiras casas antigas, perceberam que, com o orçamento que tinham, só conseguiriam concretizar os planos se fossem os próprios a fazer tudo. A pesquisa revelou-se morosa, até porque “é muito difícil encontrar casas com um preço aceitável e que dê para morar”.

Nesta fase, a designer enganou-se na pesquisa e a habitação senhorial acabou por surgir. “Já não estava a procurar uma casa na zona onde vivemos e apareceu esta por acaso”, confessa. Depois de vários problemas com imobiliárias, sentiu um encanto imediato pela oportunidade de aproveitar o potencial deste achado.

“A casa pertenceu a uma família importante na zona, com algumas fábricas e muitas posses. Era muito conhecida”, revela, sem mencionar mais detalhes. Durante três décadas, a casa esteve ao abandono e acabou por se degradar. “O dono original faleceu cedo. A moradia acabou por ficar perdida nas partilhas da família e, quando foi vendida a uma ex-proprietária, ela acabou por não mexer em nada”.

O primeiro passo foi dar um nome ao lar, que intitularam Beija-flor, inspirando-se nos dois filhos. “Eles também fazem parte. A Flor (4 anos) já percebe e quer ficar a ajudar, mas o Benjamin (1 ano) ainda não”. Os miúdos estão sempre presentes durante as obras, nem que seja para correr pelo espaço muito amplo e diferente do meio a que estão habituados.

O mesmo entusiasmo é agora partilhado pelo pai, André, que se despediu do trabalho no retalho para se dedicar ao projeto a 100 por cento. A companheira, por sua vez, continua a obter os seus rendimentos nos trabalhos que desenvolve na área da arquitetura e do design de interiores.

“Uma arquitetura muito particular”

Mesmo com tudo a cair e móveis por todo o lado, foi fácil ver o potencial deste edifício, sobretudo alguém que adora casas antigas”, avança Bárbara. O impressionante hall de entrada com escadas para um segundo andar, os anexos e o facto de todas as divisões fazerem sentido encantaram o casal. As três entradas, com diversas funcionalidades, revelaram também que a construção se adapta perfeitamente para crianças.

“Nota-se que foi uma casa desenhada para responder a uma família. Tem uma arquitetura muito particular, que chamou logo à atenção”. O facto de estar degradada não foi um obstáculo. Aliás, foi uma motivação extra.

Dos tetos demolidos às infiltrações

O orçamento restrito foi o principal problema, pelo que optaram por fazer quase tudo do zero. Sem ajuda, já acartaram 12 toneladas de entulho, demoliram tetos e removeram janelas. Quiseram manter os rodatetos e aproveitar outros elementos antigos, “mas com um toque mais leve”.

Tirando uma parede que removeram da casa de banho, para unir e ampliar a cozinha, tudo o resto é original. “Tivemos que tirar os tetos, porque estavam em risco de cair e a madeira estava podre. O telhado foi substituído, porque a maior parte estava danificado”, conta. “Havia uma infiltração no quatro principal e nem sequer podia entrar na suite. No início, estava cheio de bichos e térmitas”.

“[O trabalho] demora mais tempo porque são muitos metros quadrados”. Neste momento, da forma como está a ser idealizada, a parte interior inclui uma cozinha e a casa de banho anexada, uma sala de estar, sala de jantar pequena e sala de visitas grande e casa de banho num antigo escritório. Sobe-se hall de entrada e vai ser possível encontrar uma suite, outra casa de banho, quatro quartos e um solário, ou seja, um jardim de inverno.

Na parte exterior, soma-se ainda um terraço grande, o jardim, a garagem e cozinha regional com forno a lenha antigo. A planta foi desenhada pela nova proprietária, cuja visão se reflete na infraestrutura e se vai fazer notar no design de interiores: “Aquilo que pretendo é misturar o clássico com o estilo mediterrâneo através das cores claras. Quero aclarar as madeiras”.

E acrescenta: “Sou apaixonada por jardins, então quero incluir a parte das plantas e até o jardim exterior vai ser desenhado por mim. É uma mistura. Além disso, a casa tem muita luz e, por isso, quero que esse seja um dos temas da casa”.

André e Bárbara decidiram partilhar tudo nas redes sociais de forma a provar que era mesmo possível alguém sem experiência remodelar totalmente uma casa. Quando falaram deste objetivo aos amigos ou a profissionais da área imobiliária, todas as pessoas se mostraram incrédulas e insistiram que os gastos não iriam compensar o esforço. Com tantas casas abandonadas que existem em Portugal, a missão da criadora de conteúdos é também mudar esta mentalidade.

Sobre a projeção do casal para as obras terminaram, nenhum dos dois quer arriscar uma previsão. “Temos pressa em mudar-nos, mas não sabemos quanto tempo vai demorar — se são três ou cinco anos. Só queremos ir fazendo até estarmos prontos”.

Carregue na galeria para ver imagens da casa Beija-Flor, desde o hall impressionante ao potencial de cada divisão. Para acompanhar todo o processo, pode seguir a página de Instagram de Bárbara Morais.

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