Decoração

Há 40 anos que esta família vende peças de cerâmica nas feiras de Portugal

A Terraflor renasceu este ano pelas mãos de Nelson Loureiro, que pretende levar o projeto criado pelos pais para outra dimensão.

Um limão ou uma pera numa peça pode ser o suficiente para mudar a apresentação da cozinha. É precisamente esse lado mais colorido e inesperado que tem levado muitas pessoas a pararem na banca da Terraflor, onde a cerâmica tradicional divide espaço com peças decorativas e objetos para usar todos os dias.

Por trás do projeto está uma família de Barcelos que conhece as feiras de perto há muito tempo. Fernando Loureiro, de 58 anos, e a mulher Fátima Cardoso, de 55, começaram a trabalhar neste circuito há quatro décadas, com viagens ao País inteiro. Agora, o filho, Nelson Loureiro, quer dar uma nova dimensão ao negócio.

A Terraflor, enquanto marca, nasceu apenas em abril deste ano, depois de Nelson decidir aplicar os conhecimentos de marketing, área onde trabalha há mais de oito anos, ao negócio dos pais. A mudança aconteceu num momento particularmente inesperado, onde o pai teve de se afastar temporariamente do trabalho.

“Eu tive de ajudar a minha mãe a suportar o negócio durante algum tempo, porque o meu pai não conseguia trabalhar, conta Nelson, de 31 anos, à NiT.

O seu envolvimento na gestão da empresa trouxe uma aposta mais forte no digital. O crescimento acabou por ser muito mais rápido do que esperavam. Em apenas quatro meses, a página de Instagram chegou aos 11 mil seguidores — e começaram também a surgir encomendas através da Internet. A Terraflor passou a enviar peças para clientes de Lisboa, Algarve e até para cidades espanholas como Madrid e Barcelona.

“O resultado superou largamente as expetativas.” Hoje, têm 40 por cento de clientes espanhóis e 60 por cento em Portugal.

O nome escolhido procura representar a essência do negócio. “A cerâmica acaba por vir da terra e a flor acaba por ser um bocado da fofura e do carinho que eles entregam para os clientes todos os dias.”

Apesar de a cerâmica ser o principal foco, a oferta é bastante mais abrangente. A banca reúne pratos, malgas, saladeiras, copos, panelas, tábuas de madeira, facas, saleiros, pimenteiros e outros objetos para a casa. A empresa também trabalha com hotéis e restaurantes, além das vendas diretas ao público.

São as peças decorativas inspiradas em fruta que mais chamam a atenção de quem passa. Limões, peras e outros formatos coloridos podem ser usados para dar um toque diferente à cozinha ou à sala.

“A cerâmica decorativa, nomeadamente as peças em forma de limões, peras e outras frutas, é uma opção para quem quiser adicionar um pouco de personalidade e cor à cozinha ou à sala. É, sem dúvida, um tipo de peça que também tem tido muita procura”, conta. Entre todas, existe uma que se destaca: “A coleção dos limões continua a ser um sucesso.”

Atualmente, a Terraflor trabalha com mais de 14 fábricas, que produzem modelos específicos para o negócio. Existe também uma componente artesanal: a marca tem peças pintadas à mão e, segundo Nelson, grande parte da cerâmica envolve algum tipo de intervenção humana. A oferta inclui ainda artigos mais tradicionais, como peças de barro utilizadas para assados e outros objetos associados à cozinha portuguesa.

Existem peças a partir de cerca de 50 cêntimos, enquanto os modelos mais especiais e decorativos, sobretudo os maiores e pintados à mão, podem chegar aos 50€. Em média, os artigos de cerâmica rondam os 6€ a 7€.

O projeto não tem espaço físico próprio. Prefere manter a ligação às feiras onde a família trabalha há vários anos. Neste momento, pode encontrar a banca em Caminha às quartas-feiras, em Barcelos às quintas, em Vila Nova de Cerveira aos sábados e em Estela aos domingos.

A feira de Estela, por exemplo, faz parte do roteiro da família há mais de 20 anos.

A experiência de compra também foi pensada para fugir a alguns hábitos tradicionais das feiras. Todas as peças têm o preço marcado, para que os visitantes possam pegar nos artigos e comparar valores sem precisar de perguntar quanto custam. “As pessoas podem mexer à vontade, podem pegar naquilo que quiserem”, explica Nelson.

É possível pagar com Multibanco, uma opção que se tornou particularmente útil com o aumento de pessoas que começaram a visitar feiras sem dinheiro físico.

Existem clientes habituais que já sabem exatamente o que procuram e juntam várias peças, mas também há quem esteja agora a descobrir este tipo de comércio. Durante o verão, a banca recebe ainda muitos turistas, que procuram objetos tradicionais para levar como recordação de Portugal.

Carregue na galeria para conhecer algumas das peças da Terraflor.

FICHA TÉCNICA

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